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Transformadores de mais de 300 toneladas viram desafio logístico no Porto do Itaqui: carretas percorrem 276 km a até 8 km/h rumo a uma linha de transmissão de R$ 18,1 bilhões no Brasil

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 27/10/2026 às 23:11 Atualizado em 27/10/2026 às 23:20
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Os equipamentos de ultra-alta tensão serão instalados nas estações conversoras de Graça Aranha e Silvânia. O recebimento pelo Itaqui foi escalonado em 12 navios, enquanto o trecho rodoviário exige carretas especiais e velocidade limitada pela massa e pelas dimensões das peças.

O Porto do Itaqui organizou o recebimento dos transformadores em uma sequência de 12 navios, com média de uma embarcação por mês e cerca de quatro equipamentos por viagem. A operação começou em 18 de agosto, informou a administração portuária.

Até o registro mais recente citado pelo porto, dois navios haviam concluído o desembarque, sendo o segundo em 20 de setembro. A atualização publicada em 26 de outubro descreve o andamento da operação e não indica que novos equipamentos tenham chegado ao terminal naquela data.

Da descarga ao transporte pelo Maranhão

Depois de desembarcados, os transformadores seguem para a área A-18, em Pedreiras, a cerca de 276 quilômetros de São Luís. Nesse ponto ocorre a preparação das peças e o acoplamento às carretas especiais usadas no trecho rodoviário até a região de Graça Aranha.

O deslocamento é limitado a 7 ou 8 km/h por causa do peso e das dimensões dos equipamentos, que podem ultrapassar 300 toneladas. As peças movimentadas até então já haviam deixado a área de transbordo por rodovia com destino a Graça Aranha.

A velocidade das carretas interfere também no planejamento portuário. O intervalo entre os navios foi definido considerando o tempo necessário para o trânsito terrestre e para a montagem no ponto de transbordo, de forma a compatibilizar a chegada das cargas com a retirada das anteriores.

A Empresa Maranhense de Administração Portuária (EMAP) e a operadora NML acompanham a chegada das próximas embarcações para manter esse fluxo. O cronograma dos 12 navios corresponde apenas à etapa de recebimento dos transformadores e não representa o prazo de conclusão de toda a linha de transmissão.

Os equipamentos são transformadores de ultra-alta tensão, com operação de 800 quilovolts, e serão instalados nas subestações conversoras previstas nas duas extremidades do sistema. Essas estruturas fazem parte do corredor de transmissão que ligará o Maranhão a Goiás.

A operação reúne etapas portuárias e rodoviárias distintas. O desembarque no Itaqui é seguido pelo transbordo, pela preparação em Pedreiras e pelo transporte em composição especial, enquanto a instalação definitiva depende do avanço das estruturas destinadas a receber os transformadores.

O corredor será operado em corrente contínua de ultra-alta tensão, em ±800 kV, configuração associada às estações conversoras instaladas nas duas pontas. A logística dos transformadores está vinculada à preparação dessas instalações, mas constitui apenas uma das frentes necessárias para concluir o empreendimento.

Linha terá 1.468 quilômetros entre Maranhão e Goiás

A linha de transmissão terá 1.468 quilômetros entre Graça Aranha, no Maranhão, e Silvânia, em Goiás, atravessando também o Tocantins. O empreendimento é da State Grid, integra o Novo Programa de Aceleração do Crescimento e tem investimento estimado em R$ 18,1 bilhões.

O Ministério de Minas e Energia informa que o sistema foi planejado para ampliar o escoamento de energia renovável produzida no Norte e no Nordeste para outras regiões do Sistema Interligado Nacional, incluindo Centro-Oeste, Sudeste e Sul.

O ministério também atribui ao empreendimento capacidade nominal de 5 gigawatts e informa que a estrutura poderá escoar até 4.000 megawatts em operação contínua. Esses números se referem ao sistema de transmissão como um todo, e não à capacidade individual dos transformadores movimentados pelo porto maranhense.

A infraestrutura não se resume ao trecho de linha entre os pontos de origem e destino. O projeto inclui as estruturas conversoras em Graça Aranha e Silvânia e as conexões necessárias para integrar o novo corredor à rede existente, onde os transformadores recebidos pelo Itaqui serão incorporados.

Em Graça Aranha, os equipamentos transportados pelo Maranhão integrarão a estação conversora localizada em uma das pontas do sistema. Na extremidade oposta, em Silvânia, outra estrutura fará a conexão correspondente ao longo do eixo de transmissão de 1.468 quilômetros.

A concessão também abrange instalações associadas, equipamentos de compensação e conexões para integrar a nova linha ao Sistema Interligado Nacional. Esse conjunto mantém o cronograma final separado da etapa específica de desembarque e transporte das cargas excepcionais movimentadas pelo Itaqui.

O transporte dos transformadores ocorre em paralelo às demais frentes de implantação. O Ministério de Minas e Energia informou neste ano que o empreendimento recebeu licença para avançar na construção e que as obras das subestações estavam em andamento.

A previsão divulgada para a conclusão total do projeto é março de 2030, prazo que abrange a implantação do sistema completo e não apenas a logística das peças recebidas no Maranhão.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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