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Com 65 anos e sem sentir dor desde o nascimento, a mulher com mutação genética inédita impressiona ao viver sem ansiedade, cicatrizar mais rápido que o normal e desafiar tudo o que a medicina entende sobre o corpo humano

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Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 19/11/2025 às 17:02
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Com mutação rara no gene FAAH-OUT, mulher de 65 anos vive sem dor, não sente ansiedade e cicatriza rápido, em descoberta inédita da University College London.

Em 2019, pesquisadores da University College London (UCL) e da University of Oxford revelaram um dos achados mais intrigantes da genética moderna: o caso de Jo Cameron, uma mulher escocesa que viveu mais de 65 anos sem sentir dor física ou emocional, sem ansiedade, sem medo e com capacidade de cicatrização acelerada, graças a uma mutação inédita no gene FAAH-OUT.

A descoberta, publicada no British Journal of Anaesthesia e repercutida por veículos como BBC, The Guardian e National Geographic, abriu um novo capítulo na ciência da dor ao demonstrar que uma pequena alteração em um gene pouco estudado pode reescrever completamente o modo como o cérebro interpreta sofrimento, estresse e perigo.

A vida inteira sem perceber que era diferente

Jo Cameron passou a infância e a vida adulta acreditando que “sentir pouca dor” era algo comum. Ela só buscou ajuda médica aos 65 anos, quando percebeu que:

  • não sentia dor mesmo após cirurgias;
  • nunca havia usado analgésicos;
  • queimaduras, cortes e fraturas não causavam desconforto;
  • raramente sentia medo ou preocupação;
  • nunca experimentou ansiedade;
  • sua pele cicatrizava mais rápido que o normal.
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O alerta surgiu quando, após uma cirurgia na mão, os médicos ficaram perplexos com sua ausência completa de dor, mesmo após procedimentos invasivos. Foi esse episódio que a levou a pesquisas genéticas aprofundadas.

Os genes que mudam tudo: FAAH e FAAH-OUT

O estudo revelou duas alterações simultâneas:

  • Uma mutação no gene FAAH-OUT, até então considerado “não funcional”.
  • Uma variação no gene FAAH, responsável pelo metabolismo de endocanabinoides — substâncias envolvidas na sensação de dor, humor e memória emocional.

A mutação diminuiu drasticamente a atividade da enzima FAAH, provocando níveis elevados de moléculas naturais relacionadas ao prazer e ao alívio do estresse, como a anandamida, conhecida como “molécula da felicidade”.

Resultado: um organismo que não interpreta dor, não desenvolve ansiedade e não forma memórias traumáticas da mesma maneira que a maioria das pessoas.

Por que isso é tão raro?

Geneticistas explicam que o FAAH-OUT é um gene “regulador silencioso”, o que significa que pequenas falhas nele podem alterar processos profundos sem produzir mutações visíveis. A raridade do caso é tamanha que:

  • nenhuma outra pessoa com mutações idênticas foi encontrada;
  • o FAAH-OUT passou a ser reestudado em diversos laboratórios;
  • o caso se tornou referência mundial em genética da dor.
Com 65 anos e sem sentir dor desde o nascimento, a mulher com mutação genética inédita impressiona
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O estudo mudou inclusive o foco de pesquisas farmacêuticas para desenvolvimento de novos analgésicos e tratamentos para ansiedade.

Cicatrização acelerada: o outro mistério

Outro ponto que chamou a atenção dos médicos foi a capacidade de cicatrização incomum de Jo Cameron. Cortes profundos, feridas cirúrgicas e queimaduras fechavam rapidamente e deixavam marcas mínimas. Os cientistas associaram isso a:

  • aumento de endocanabinoides no sangue;
  • redução de inflamação local;
  • respostas imunes moduladas;
  • hiperregeneração de tecidos epiteliais.
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Hoje, pesquisadores estudam como a mutação poderia inspirar tratamentos para acelerar recuperação pós-cirúrgica.

A vida emocional de alguém que não sente medo nem ansiedade

A ausência de dor física é só metade da história. Estudos indicam que Jo vive em estado emocional raríssimo:

  • não sente medo em situações de risco;
  • quase nunca experimenta estresse;
  • relata felicidade constante;
  • sua memória emocional não registra traumas;
  • níveis de ansiedade são praticamente inexistentes.

Para psiquiatras, isso é especialmente relevante porque o gene FAAH também está ligado à regulação de neurotransmissores associados a transtornos como depressão e ansiedade generalizada.

O caso reacendeu debates sobre limites éticos da modificação genética e possíveis terapias futuras para distúrbios emocionais.

O que a medicina aprendeu com Jo Cameron

Desde a publicação do estudo, cientistas ao redor do mundo passaram a investigar:

  • novos analgésicos baseados no bloqueio do FAAH;
  • terapias genéticas para pessoas com dor crônica;
  • medicamentos para ansiedade ligados ao FAAH-OUT;
  • mecanismos de cicatrização acelerada;
  • modulação natural de estresse.

Apesar dos avanços, pesquisadores ressaltam que reproduzir artificialmente um fenômeno tão complexo é extremamente difícil e envolve riscos.

O impacto social e científico do caso

A história de Jo Cameron não é apenas uma curiosidade genética e ela abriu portas para:

  • pesquisas de neurociência sobre memória emocional;
  • uso de endocanabinoides em medicamentos;
  • novos estudos sobre dor neuropática;
  • avanços em tratamentos pós-operatórios;
  • revisões em protocolos de controle de dor.

O que antes parecia um episódio isolado se tornou uma base científica que influencia laboratórios no Reino Unido, EUA e Europa.

Um fenômeno que continua em estudo

Mesmo com anos de pesquisas, os cientistas ainda não compreendem totalmente como uma única mutação pode alterar tantos aspectos do comportamento humano.

O caso continua sendo estudado e provavelmente servirá como ponto de partida para novas descobertas na medicina regenerativa e nos tratamentos para ansiedade.

Um corpo que reescreveu a ciência da dor

A história de Jo Cameron é um divisor de águas. Não apenas por revelar uma mulher que vive sem dor, mas porque sua genética oferece pistas sobre tratamentos futuros capazes de aliviar sofrimento de milhões de pessoas.

A pesquisa mostrou que o corpo humano possui mecanismos desconhecidos — e que uma única mutação pode redefinir tudo o que a medicina acreditava saber sobre dor, medo, ansiedade e cicatrização.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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