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Com 101 anos, idosa que já havia tentado se aposentar várias vezes, dirigia sozinha por 20 minutos para trabalhar cortando tecidos e dizia que voltava à ativa pela rotina e contato com pessoas

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 10/09/2026 às 07:15 Atualizado em 10/09/2026 às 07:16
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Jayne Burns havia deixado a carreira de contadora décadas antes, mas não conseguiu transformar a aposentadoria em afastamento permanente. Na loja de tecidos onde trabalhou por mais de 20 anos, encontrou horários definidos, tarefas regulares e convivência com clientes e colegas.

Para Jayne Burns, parar de trabalhar significava perder também uma parte da rotina que ela havia escolhido manter. Quando sua história ganhou repercussão, aos 101 anos, a americana dirigia sozinha até uma loja da Joann Fabric and Crafts, em Ohio, onde trabalhava em meio período cortando tecidos e atendendo clientes.

CNBC Make It relatou que Burns havia tentado se aposentar diferentes vezes ao longo dos 70 e 80 anos. Os afastamentos duravam alguns meses, até que a falta dos horários, dos colegas e do contato com outras pessoas a levava novamente ao mercado de trabalho.

O deslocamento até a unidade da rede na cidade de Mason levava aproximadamente 20 minutos em condições tranquilas de trânsito. Burns conduzia o próprio carro entre sua casa e o estabelecimento, mantendo a independência necessária para comparecer aos turnos sem depender de outra pessoa ao volante.

Das aposentadorias à loja de tecidos

Aos 101 anos, Jayne Burns dirigia até uma loja de tecidos em Ohio e mantinha o trabalho parcial pela rotina e contato com pessoas.
Aos 101 anos, Jayne Burns dirigia até uma loja de tecidos em Ohio e mantinha o trabalho parcial pela rotina e contato com pessoas.

Antes de chegar à Joann, Burns havia desenvolvido grande parte da vida profissional em atividades ligadas à contabilidade. Ela se aposentou dessa carreira ainda na casa dos 60 anos, mas continuou aceitando outros trabalhos, e o afastamento definitivo do mercado não se consolidou.

Sua entrada na loja ocorreu em 1997, quando tinha cerca de 75 anos. Pouco antes, o marido, Dick, havia morrido, e uma das filhas de Burns, que trabalhava em meio período na rede, sugeriu que a mãe experimentasse uma função no estabelecimento.

A ocupação também tinha relação com um interesse que ela já possuía por tecidos. O emprego iniciado naquela fase acabou atravessando mais de um quarto de século e, quando Burns tinha 101 anos, já somava aproximadamente 26 anos na mesma empresa.

No setor de tecidos, sua função envolvia atender consumidores e cortar os materiais escolhidos no balcão. O posto a colocava em contato frequente com pessoas diferentes, uma das características que ela apontava como motivo para continuar trabalhando mesmo depois de sucessivas tentativas de aposentadoria.

A convivência com os colegas tinha peso semelhante. Burns dizia valorizar ambientes formados por pessoas gentis e amigáveis e associava algumas de suas melhores experiências profissionais às relações mantidas durante o expediente.

Quando deixava o emprego, não desaparecia apenas uma atividade remunerada. Também saíam da semana os horários definidos, as conversas com funcionários, o atendimento aos consumidores e a responsabilidade de estar em determinado lugar para cumprir tarefas conhecidas.

Por que Burns continuava voltando ao trabalho

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No período em que sua história foi relatada, Burns trabalhava em regime parcial e comparecia à loja em vários dias da semana. A jornada reunia tarefas no setor de tecidos, atendimento ao público e convivência com funcionários de gerações muito mais jovens.

Aos 101 anos, Burns não descrevia aquela ocupação como uma carreira tradicional. O emprego funcionava como uma atividade escolhida porque oferecia uma estrutura de horários, tarefas e relações pessoais que ela dizia sentir falta nos períodos em que permanecia afastada.

Ela também relacionava o trabalho à necessidade de permanecer ocupada. Em seus relatos, afirmava preferir direcionar a atenção para tarefas e pessoas em vez de concentrar o cotidiano nos desconfortos associados ao avanço da idade.

Essa percepção era pessoal e não estabelece uma relação geral entre trabalhar em idade avançada, saúde ou longevidade. O caso registra a escolha de Burns e as razões apresentadas por ela para retornar ao emprego sempre que uma tentativa de aposentadoria terminava.

No balcão, a idade às vezes se tornava assunto quando clientes descobriam quantos anos tinha a funcionária que os atendia. Burns relatava gostar dessas interações e do contato frequente proporcionado pelo trabalho, sem tratar a surpresa dos consumidores como a razão central para permanecer na função.

A mudança de área também marcava a diferença entre a carreira anterior e a ocupação mantida na velhice. Depois de trabalhar principalmente com contabilidade, Burns passou a exercer uma função de atendimento em uma loja de materiais para costura e artesanato, com contato direto e repetido com consumidores.

Ela dizia que pretendia continuar trabalhando enquanto tivesse condições e enquanto a empresa quisesse mantê-la. A decisão permanecia ligada à rotina que encontrava na loja: horários definidos, uma atividade familiar e a presença constante de colegas e clientes.

Ao longo das décadas, Burns atravessou os 80, os 90 e chegou aos 100 anos mantendo vínculos profissionais, apesar das tentativas anteriores de se aposentar. O emprego iniciado aos 75 anos tornou-se a atividade que ocupava parte de seus dias mais de 25 anos depois.

Essa rotina, porém, pertence a um período encerrado. A Joann entrou posteriormente em processo de liquidação e, em 2025, as últimas lojas físicas da rede nos Estados Unidos foram fechadas, encerrando também a operação da empresa que havia abrigado por décadas o trabalho de Burns.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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