Rotina ativa aos 91 anos chama atenção em cidade do interior paulista, onde eletricista aposentado mantém serviços, reforça vínculos comunitários e preserva a memória com trabalho, conversas e música, após trajetória marcada por migração, aprendizado autodidata e reconhecimento local.
Aos 91 anos, Aquelino, conhecido em Rio das Pedras como Japão, continua trabalhando mesmo depois da aposentadoria e mantém uma rotina de pequenos reparos elétricos para ajudar moradores da cidade.
A história ganhou destaque no programa Mais Caminhos, da EPTV, ao mostrar como ele segue ativo, lúcido e presente no cotidiano da comunidade.
Em vez de reduzir o ritmo com o avanço da idade, ele preservou uma prática que atravessa décadas: continuar útil, circular pela vizinhança e ocupar a mente com tarefas que exigem atenção.
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Ainda hoje, faz consertos, conversa com conhecidos e cultiva hábitos que ajudam a sustentar uma rotina marcada por autonomia e disposição.
Trajetória de Aquelino, o Japão, em Rio das Pedras
O apelido que o tornou conhecido nasceu quando ele já vivia no interior paulista.
Segundo a reportagem exibida pela EPTV, colegas passaram a dizer que ele parecia japonês, e o nome Japão acabou se impondo no dia a dia, até virar a forma como a cidade passou a identificá-lo.
Natural de Itaberaba, na Bahia, Aquelino chegou ao estado de São Paulo durante o período de safra de açúcar, depois de trabalhar como safreiro.
A mudança, inicialmente ligada à busca por serviço, acabou definindo o rumo da vida dele.
Ao se adaptar à cidade e decidir permanecer, retornou ao Nordeste para buscar a esposa e formar a família no novo endereço.
Com o passar do tempo, deixou de ser apenas mais um trabalhador vindo de fora e se transformou em uma figura conhecida em Rio das Pedras.
A presença constante, construída ao longo dos anos, levou ao reconhecimento como cidadão rio-pedrense, reforçando o vínculo que formou com o município desde que decidiu ficar.

Como se tornou eletricista autodidata
A entrada na área elétrica não aconteceu por tradição familiar nem por formação técnica formal.
A oportunidade apareceu de forma inesperada, quando um técnico faltou ao trabalho e Aquelino recebeu a chance de acompanhar o serviço e aprender a função diretamente na prática.
No começo, o desafio era maior do que apenas entender a parte técnica.
O medo diante de uma atividade especializada e a pouca escolaridade pesavam sobre aquele início, mas isso não interrompeu o processo.
Em vez de recuar, ele transformou a própria limitação em método e passou a registrar cuidadosamente o que observava.
O caderno virou ferramenta de formação, onde anotava procedimentos, aprendizados e soluções vistas no dia a dia.
Foi assim, pela observação e repetição, que construiu uma especialização autodidata capaz de lhe abrir espaço profissional.
Esse esforço produziu resultado concreto. Ele se destacou na função, recebeu promoção e permaneceu por muitos anos na área até a aposentadoria.
Trabalho após aposentadoria e rotina ativa
Parar, no entanto, nunca entrou completamente no horizonte de Aquelino.
Mesmo fora do mercado formal, ele continuou aceitando pequenos serviços e atendendo necessidades simples do cotidiano de quem mora por perto.
O gesto tem valor prático para a vizinhança, mas também ajuda a explicar como ele preservou uma rotina ativa.
A permanência no trabalho não aparece como obrigação. Trabalhar segue associado a prazer, presença social e exercício permanente da atenção.
Por isso, a aposentadoria não representou ruptura, e sim mudança de ritmo.
Além dos reparos em casas da cidade, Japão também ajuda vizinhos e instituições locais, reforçando um tipo de participação comunitária constante.
Mente ativa, memória e hábitos que se mantêm
A lucidez e a memória chamam atenção e ajudam a explicar como a atividade cotidiana funciona como estímulo mental contínuo.
A rotina não se restringe ao trabalho. O eletricista aposentado também cultiva gostos pessoais, como a sanfona e as conversas prolongadas com conhecidos.
São elementos que revelam uma velhice marcada por vínculos sociais e interesses ativos.
Nesse cenário, a história expõe um retrato de envelhecimento com autonomia, presença social e continuidade de propósito.
Ao longo dos anos, Aquelino construiu uma trajetória marcada por migração, aprendizado prático e consolidação de laços em outra região.
Entre anotações no caderno, consertos e convivência com a comunidade, a rotina atual mantém viva a identidade que ele desenvolveu ao longo da vida.
Hoje, conhecido pelo apelido que ganhou ao chegar à cidade, Japão preserva a disposição para aprender, resolver problemas e seguir ativo no cotidiano de Rio das Pedras.
