Projeto urbano associado a Xi Jinping avança em Xiong’an com transferência de estatais, escolas e serviços, enquanto Pequim tenta redistribuir funções e reduzir a concentração administrativa na capital chinesa nos próximos anos.
O presidente da China, Xi Jinping, cobrou novos avanços na construção de Xiong’an, megaprojeto urbano em desenvolvimento na província de Hebei, a cerca de 100 quilômetros de Pequim.
A visita, realizada em 23 de março de 2026, reforçou a prioridade dada pelo governo chinês à nova área, planejada para receber funções administrativas, empresariais, educacionais e tecnológicas hoje concentradas na capital.
A Nova Área de Xiong’an foi concebida para abrigar estatais, universidades, instituições financeiras, hospitais, centros de pesquisa e empresas ligadas à inovação.
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Segundo o governo chinês, a transferência de parte dessas estruturas tem como objetivo reduzir a pressão sobre Pequim, que concentra atividades políticas, econômicas e acadêmicas em escala elevada.
Durante a inspeção, Xi afirmou que Xiong’an deve usar “reforma e inovação” como força motriz para integrar tecnologia, indústria e desenvolvimento urbano.
De acordo com a Reuters, o presidente também pediu que autoridades tenham coragem para assumir responsabilidades e “se lancem ao trabalho de implementação”, com a meta de apresentar resultados ao Partido Comunista Chinês e à população.
Xiong’an e o planejamento urbano da China
Anunciada em 1º de abril de 2017, a Nova Área de Xiong’an passou a ocupar posição de destaque no planejamento territorial chinês.
A construção de Xiong’an já recebeu mais de 1 trilhão de yuan em investimentos, valor equivalente a cerca de US$ 145 bilhões ou mais de R$ 730 bilhões.
O projeto é apresentado pelo governo como uma iniciativa de relevância nacional, ao lado de Shenzhen, no sul do país, e de Pudong, em Xangai, regiões associadas a ciclos anteriores de modernização econômica.
A diferença é que Xiong’an foi lançada sob coordenação direta da liderança central e com participação atribuída a Xi nos documentos oficiais chineses.
A imprensa estatal descreve a cidade como uma iniciativa de longo prazo, voltada à reorganização de funções urbanas na região de Pequim-Tianjin-Hebei.
Desde o anúncio do projeto, Xi visitou Xiong’an em quatro ocasiões.
Ele esteve no local em 2017, ano em que obteve o segundo mandato como secretário-geral do Partido Comunista Chinês, e voltou em 2019, após a emenda constitucional de 2018 que retirou o limite de mandatos presidenciais.
Em maio de 2023, fez outra inspeção na área, antes da nova visita em março de 2026.
Estatais e serviços públicos em Xiong’an
Na passagem mais recente por Xiong’an, Xi visitou a área inicial de construção, a sede da China Huaneng Group e o campus local da Beijing No. 4 High School.
A Huaneng, estatal do setor de energia, transferiu mais de 1.000 funcionários para Xiong’an em outubro de 2025, segundo informações divulgadas pela Xinhua.
A mudança de empresas públicas integra o esforço para deslocar de Pequim atividades consideradas não essenciais ao papel da cidade como capital nacional.
Entre as companhias incluídas nesse processo estão Sinochem, China Satellite Network Group e outras estatais administradas pelo governo central.
Parte dessas estruturas já opera em Xiong’an, enquanto outras segue em fase de construção.
O setor educacional também faz parte da estratégia de ocupação.
O campus de Xiong’an da Beijing No. 4 High School entrou em funcionamento em agosto de 2023, com apoio da prefeitura de Pequim.
De acordo com a Xinhua, a unidade tinha mais de 380 estudantes quando recebeu a visita de Xi.
Na escola, o presidente chinês conversou com professores e alunos, além de visitar salas de aula e o refeitório.
A inclusão de equipamentos de educação, saúde e serviços públicos busca atender trabalhadores transferidos para a nova área e suas famílias, conforme a orientação oficial de formar uma cidade com estrutura urbana permanente.
Desenvolvimento de Xiong’an até 2035
Embora a construção tenha avançado desde 2017, a região central de Xiong’an ainda permanece pouco povoada em comparação com a escala prevista para o projeto.
O plano oficial estabelece que a cidade esteja basicamente desenvolvida até 2035, com foco em urbanização verde, infraestrutura inteligente e integração regional.
O governo chinês apresenta Xiong’an como parte da estratégia para reorganizar o eixo Pequim-Tianjin-Hebei.
Nessa configuração, a nova área deve receber atividades administrativas, empresariais, acadêmicas e tecnológicas que hoje contribuem para a concentração de funções na capital.
Durante o simpósio realizado na visita, Xi afirmou que a principal função de Xiong’an é absorver atividades retiradas de Pequim que não sejam indispensáveis ao papel da cidade como sede do poder central.
Ele também defendeu que a transferência de estatais, universidades e hospitais ocorra de forma ativa, estável e em etapas.
A fala se alinha à prioridade do governo chinês de ampliar a capacidade de inovação em setores considerados estratégicos.
Xi pediu a implementação antecipada de políticas em ciência, tecnologia e finanças, além do desenvolvimento de um ambiente de negócios orientado por regras de mercado e padrões internacionais, segundo a agência oficial.
Cidade planejada e transferência de funções de Pequim
A construção de Xiong’an ocorre em meio ao esforço chinês para combinar planejamento urbano, inovação tecnológica e reorganização econômica regional.
O projeto permite ao governo central definir desde a ocupação territorial até o perfil de empresas e instituições que devem se instalar na nova área.
Shenzhen e Pudong são citadas com frequência pela imprensa estatal e por documentos oficiais como referências de desenvolvimento urbano e econômico.
Xiong’an, por sua vez, é apresentada pelas autoridades chinesas como um modelo de cidade voltado à inovação, à transferência de funções de Pequim e à gestão urbana planejada.
A comparação, no entanto, envolve contextos diferentes.
Shenzhen cresceu em um período de abertura econômica e forte presença de investimento estrangeiro, enquanto Pudong se consolidou como polo financeiro e comercial de Xangai.
Xiong’an depende, em grande parte, de decisões coordenadas pelo Estado, da transferência de instituições e da ocupação gradual por empresas, trabalhadores e serviços.
Na inspeção de março, Xi afirmou que houve progresso na construção da nova área e cobrou continuidade na execução do projeto.
Também pediu melhora dos serviços públicos, avanço da governança urbana e adoção de modelos de gestão inteligente.
O ritmo de transferência de instituições, a oferta de serviços e a capacidade de atrair moradores permanentes devem influenciar o desenvolvimento de Xiong’an nos próximos anos.


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