Com energia limpa no centro da estratégia, a Ecopetrol iniciou em Nariño um projeto geotérmico na região de Azufral, com potencial de 80 MW e 610 GWh anuais. A iniciativa mira calor do subsolo, diversificação da matriz colombiana e abastecimento equivalente aos usuários de um departamento no sul do país.
A energia limpa ganhou um novo capítulo na Colômbia com o início formal de um projeto geotérmico da Ecopetrol no departamento de Nariño, no sul do país. A iniciativa, apresentada em julho de 2025, busca avaliar um potencial de 80 MW a partir do calor natural armazenado no subsolo.
De acordo com reportagem do Noticias Ambientales, o projeto está localizado na região de Azufral, abrangendo os municípios de Guachucal, Mallama, Santacruz, Sapuyes e Túquerres. Segundo os dados divulgados, a geração poderia alcançar 610 GWh por ano, volume equivalente ao consumo elétrico dos usuários de todo o departamento.
Calor do subsolo entra no centro da estratégia colombiana

A aposta da Ecopetrol coloca a geotermia em uma posição mais visível dentro da agenda de energia limpa da Colômbia. Diferente da geração solar e eólica, mais conhecidas pelo público, a fonte geotérmica aproveita o calor interno da Terra para produzir energia.
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No caso de Azufral, o objetivo inicial é avaliar o potencial técnico da região e entender como esse recurso pode contribuir para a matriz energética nacional. A proposta chama atenção porque transforma um recurso natural pouco visível em uma possível fonte estável de eletricidade.
Projeto de 80 MW mira produção anual de 610 GWh
O dado mais forte do anúncio está na escala prevista. A Ecopetrol informou que o projeto geotérmico pode atingir 80 MW de capacidade, com produção anual estimada em 610 GWh. Para uma iniciativa baseada em calor subterrâneo, o número coloca Azufral entre os pontos estratégicos da transição energética colombiana.
A estimativa também foi associada ao consumo elétrico dos usuários do departamento de Nariño. Isso não significa que a energia já esteja sendo entregue, mas indica o tamanho do potencial que a empresa pretende avaliar no sul do país.
Ecopetrol tenta diversificar sua matriz além dos combustíveis fósseis
A Ecopetrol, estatal historicamente ligada ao petróleo e ao gás, vem ampliando sua presença em projetos de energia limpa e renovável. No anúncio, o presidente da companhia, Ricardo Roa, afirmou que a iniciativa representa um avanço para diversificar a matriz energética e apoiar operações mais sustentáveis.
A empresa informou ainda que integrou 1.300 MW de potência renovável em dois anos e projeta instalar 3,3 GW antes de agosto de 2026, dentro do ciclo do atual governo colombiano. A geotermia entra nesse cenário como uma frente complementar, ao lado de projetos solares, eólicos e de hidrogênio.
Geotermia aparece em meio à pressão climática e energética
O evento também contou com a presença de Gustavo Petro, que defendeu a importância das fontes limpas diante da crise climática. Em sua fala, ele destacou o papel da energia geotérmica na vaporização da água para movimentar turbinas e reforçou a urgência de acelerar a transição energética.
A declaração tem peso político porque conecta o projeto de Azufral a uma agenda nacional mais ampla. A discussão não se limita à geração elétrica, mas envolve segurança energética, redução de emissões e o futuro da economia colombiana em um cenário de pressão por descarbonização.
Hidrogênio verde também faz parte da mesma agenda
Além da geotermia, a Ecopetrol avança na construção de uma planta de hidrogênio verde anunciada em dezembro e prevista para inauguração em 2026. O projeto deve produzir 800 toneladas anuais de hidrogênio, usando energia solar da Refinaria de Cartagena.
Essa planta será alimentada por uma capacidade solar de 22 MW e tem previsão de reduzir 7.700 toneladas de CO₂ equivalente por ano, volume comparado às emissões de 1.650 veículos. Com isso, a Colômbia tenta combinar diferentes tecnologias dentro da mesma estratégia de energia limpa.
Colômbia busca espaço regional nas fontes renováveis
A iniciativa em Nariño reforça a tentativa da Colômbia de se posicionar como referência regional em fontes renováveis. Ao incluir a geotermia na carteira de projetos, o país amplia o debate para além das fontes mais tradicionais e testa o uso do calor subterrâneo como ativo energético.
Esse movimento também fortalece o papel da Ecopetrol em uma transição complexa: uma empresa associada aos combustíveis fósseis passa a investir em alternativas de menor emissão. O desafio será transformar anúncios e estimativas em geração real, com viabilidade técnica, ambiental e econômica.
O que ainda precisa ser observado
Apesar do potencial anunciado, o projeto geotérmico de Azufral ainda depende de avaliações e etapas técnicas para confirmar sua capacidade real. Fatores como custo de implantação, perfuração, impacto ambiental, infraestrutura de transmissão e estabilidade da geração serão decisivos para medir o alcance da iniciativa.
Mesmo assim, a aposta coloca a energia limpa no centro de uma discussão importante para a América Latina: como aproveitar recursos locais para reduzir emissões sem comprometer o abastecimento. Você acredita que a geotermia pode ganhar espaço na região ou ainda ficará atrás da solar e da eólica? Deixe sua opinião nos comentários.

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