Tecnologia desenvolvida na Rússia reaproveita plástico PET para criar pavimentos mais resistentes, com ganhos de desempenho em calor intenso e maior aderência, enquanto propõe solução prática para reduzir resíduos sólidos e custos de produção do asfalto tradicional, segundo dados divulgados por pesquisadores da Universidade Federal do Norte do Cáucaso.
Um grupo de pesquisadores da Universidade Federal do Norte do Cáucaso, na Rússia, desenvolveu uma mistura asfáltica que incorpora resíduos de plástico do tipo PET e, em testes de laboratório, apresentou ganho de desempenho em comparação com asfaltos convencionais, segundo divulgação da própria instituição repercutida por veículos internacionais.
A proposta combina reforço mecânico do pavimento com redução do volume de plástico destinado a aterros sanitários.
O material acrescenta PET reciclado à composição do asfalto, com a promessa de melhorar resistência e flexibilidade do revestimento.
-
China liga à rede elétrica a maior estação de armazenamento com baterias ultragrandes já construída no mundo e fecha contrato bilionário que consolida uma tecnologia capaz de sustentar cidades inteiras com energia limpa
-
As próximas horas serão de tensão crescente em torno do viés a ser adotado pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom/BC) com relação à taxa básica de juros (Selic), ao cabo da reunião dessa quarta-feira (17). Embora o mercado se apresente ‘dividido’ quanto à decisão do colegiado, a tendência mais forte das últimas semanas é de que a taxa se mantenha inalterada no patamar atual de 14,50% ao ano. Já uma ala minoritária ainda ‘aposta’ em uma queda 0,25 ponto percentual (p.p).
-
Casa CazéTV transforma o chat da internet em evento presencial na Copa, mira mais de 100 mil torcedores em São Paulo e no Rio e impulsiona empresa brasileira de experiências que espera crescer até 60% com shows, telões, ativações e jogos do Brasil
-
Guarulhos vira a “Faria Lima dos galpões” com metro quadrado logístico a R$ 37,11, mais caro que a capital paulista, enquanto Shopee, Mercado Livre, Amazon e fundos bilionários disputam espaço perto do maior aeroporto da América do Sul
De acordo com a equipe, a tecnologia foi desenhada para se integrar ao processo de produção sem exigir mudanças complexas na fabricação, o que também é apontado como um fator de redução de custo.
Como o PET reciclado altera a composição do asfalto
A principal alteração está na presença do PET como componente adicional na mistura asfáltica.
Conforme a explicação divulgada pela universidade, o plástico passa por tratamento e é incorporado ao asfalto para modificar características do material, buscando maior capacidade de suportar deformações e variações de temperatura.
Segundo Dmitri Vorobiov, professor sênior do Departamento de Engenharia Civil da instituição, a inclusão do PET reciclado resulta em um asfalto mais resistente e mais flexível do que o utilizado de forma tradicional.

A combinação entre esses dois atributos é central para a durabilidade do pavimento, já que trincas e deformações costumam surgir quando o material perde capacidade de “trabalhar” com o calor, o frio e a pressão do tráfego.
Ainda de acordo com a divulgação, o objetivo é elevar o desempenho do revestimento em ambientes de temperatura elevada, cenário em que a deformação do asfalto tende a aumentar e comprometer a superfície ao longo do tempo.
Ao mesmo tempo, a tecnologia é apresentada como uma alternativa para reaproveitar resíduos que, do contrário, teriam descarte menos nobre.
Ganhos de resistência e aderência em ambientes de calor
Os dados informados pela equipe indicam que, em condições de calor intenso, a mistura teria registrado resistência entre 11% e 23% superior à observada em asfaltos convencionais.
Já a aderência ao solo teria aumentado de 7% a 20%, também em comparação com referências tradicionais.
Esses percentuais, segundo a apresentação do projeto, apontam para um revestimento mais estável em situações em que o calor costuma acelerar desgaste e deformações.
Na prática, um asfalto com maior resistência e melhor aderência tende a oferecer superfície mais regular e com menor propensão a falhas precoces, embora a confirmação em escala real dependa de aplicação em vias e acompanhamento ao longo do tempo.
Por outro lado, a própria divulgação destaca que o desenvolvimento foi conduzido em contexto de pesquisa e ensaios, o que reforça a necessidade de avaliar o comportamento do material fora do laboratório, em diferentes tipos de solo, tráfego e clima.
Mesmo assim, a universidade sustenta que a tecnologia é segura e que o uso de matéria-prima reciclada pode contribuir para reduzir custos na cadeia de produção do asfalto.
Impacto ambiental e custo do reaproveitamento de PET
A discussão sobre reaproveitamento de PET entra no projeto como resposta a um desafio mais amplo: o destino de plásticos pós-consumo.
No material divulgado, a estimativa citada é que a Rússia consome mais de 600 mil toneladas de PET por ano e recicla cerca de 30% desse total, enquanto o restante seguiria para aterros sanitários e outras formas de destinação.
Ao apresentar a iniciativa como alternativa para parte desse volume, os pesquisadores defendem que o reaproveitamento do plástico no asfalto pode diminuir a pressão sobre áreas de descarte e, ao mesmo tempo, reduzir o gasto com insumos virgens.
A lógica é transformar um resíduo de alto uso cotidiano, comum em garrafas e embalagens, em componente de infraestrutura, com potencial de escala caso a aplicação em rodovias se confirme viável.
Além do argumento ambiental, a economia aparece como ponto decisivo para adoção.
A depender de custos de coleta, triagem, processamento e logística, o uso de PET pode tornar-se competitivo frente a outras soluções, sobretudo quando políticas públicas valorizam a redução de resíduos e a destinação adequada de materiais recicláveis.
Reciclagem e infraestrutura no contexto dos países do BRICS
A pesquisa russa surge em um contexto em que a gestão de resíduos é tratada como prioridade em diferentes países, inclusive entre membros do BRICS, com iniciativas voltadas a transformar materiais descartados em insumos de novas cadeias produtivas.
Na Índia, há projetos e tecnologias que convertem determinados tipos de resíduos plásticos em combustíveis líquidos, por meio de processos termoquímicos usados para reaproveitar materiais que nem sempre entram em rotas tradicionais de reciclagem.
Já na China e no Brasil, medidas e programas de reciclagem e reaproveitamento costumam ser associados à redução de impactos ambientais e de riscos à saúde pública, além da tentativa de ampliar a circularidade de matérias-primas.
Embora as estratégias variem de país para país, o ponto comum é a busca por alternativas para diminuir o descarte inadequado e aumentar o reaproveitamento de resíduos, com impacto direto na limpeza urbana, na poluição de rios e no uso de aterros.
Nesse cenário, soluções que unem infraestrutura e reciclagem, como o asfalto com PET, entram no radar por conectar uma demanda permanente por pavimentação a um desafio persistente de resíduos sólidos.
Se a mistura com PET avançar de testes para ruas e rodovias em escala, quais critérios de fiscalização e monitoramento serão decisivos para comprovar que o asfalto “interminável” entrega, na prática, a durabilidade prometida?


Vale a pena pesquisar!