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Cientistas revelam que a órbita da Terra está a apenas 3 dias de uma colisão se os satélites pararem de desviar e o Sol no seu pico máximo de atividade pode ser o gatilho que ninguém esperava para transformar o espaço em zona de destruição

Publicado em 19/04/2026 às 22:22
Atualizado em 19/04/2026 às 22:24
A órbita da Terra está a 3 dias de uma colisão se satélites pararem de desviar. O Sol em pico pode ser o gatilho. Veja o Relógio CRASH.
A órbita da Terra está a 3 dias de uma colisão se satélites pararem de desviar. O Sol em pico pode ser o gatilho. Veja o Relógio CRASH.
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Uma nova métrica chamada Relógio CRASH mostra que, se os satélites na órbita da Terra parassem de manobrar, o tempo esperado para uma colisão seria de apenas 3 dias, contra 164 dias em 2018. Objetos passam a menos de 1 km a cada 36 segundos na órbita baixa. Com o Sol em pico de atividade, tempestades solares podem comprometer o rastreamento e transformar a prevenção de colisões em adivinhação.

A órbita da Terra está mais congestionada e mais vulnerável do que em qualquer momento da história espacial. Uma equipe de pesquisa publicou no arXiv uma nova métrica chamada Relógio CRASH, sigla para Collision Realization And Significant Harm, que mede o tempo esperado para uma possível colisão na órbita baixa da Terra caso satélites, detritos e corpos de foguetes abandonados parem de manobrar uns em relação aos outros. Em março de 2026, o relógio marcava 3 dias, uma queda drástica em relação aos 5,5 dias de junho de 2025 e aos 164 dias de janeiro de 2018. O indicador está se movendo na direção errada, e o Sol no seu pico máximo de atividade pode tornar a situação ainda mais perigosa.

O número não é uma previsão de que uma colisão vai acontecer em três dias. É um cenário hipotético que pressupõe uma perda grave de capacidade de manobra e considera apenas objetos rastreados na órbita da Terra, mas os pesquisadores argumentam que ele ilustra o quanto a órbita moderna se tornou dependente de “operações sem erros”. Na prática, a SpaceX realizou 144.404 manobras de prevenção de colisões do Starlink entre dezembro de 2024 e maio de 2025, e o número de manobras tem dobrado historicamente a cada seis meses. A margem de segurança na órbita da Terra existe, mas depende inteiramente de que ninguém cometa um erro.

O que o Relógio CRASH revela sobre o congestionamento na órbita da Terra

O Relógio CRASH funciona como um indicador de estresse para a órbita da Terra, semelhante a um velocímetro que mostra não a velocidade atual, mas a velocidade de impacto caso os freios falhem. Em 2018, o tempo esperado para uma colisão era de 164 dias. Em junho de 2025, caiu para 5,5 dias. Em março de 2026, chegou a 3 dias, uma deterioração que reflete o crescimento exponencial do número de objetos na órbita baixa da Terra. A cada constelação de satélites lançada, a cada estágio de foguete abandonado e a cada fragmento de detrito que se acumula, o relógio anda mais rápido.

As estatísticas de aproximação são igualmente alarmantes. Objetos passam a menos de 1 quilômetro de distância na órbita baixa da Terra aproximadamente a cada 36 segundos, segundo análise de junho de 2025. Em 2018, a frequência era de cerca de 3,9 minutos. Na camada mais densa, a 550 quilômetros de altitude, onde opera a constelação Starlink, aproximações a menos de 1 quilômetro acontecem a cada 22 minutos. É por isso que manobras de prevenção de colisão se tornaram rotina na órbita da Terra, mesmo que a maioria das pessoas nunca pense nisso ao usar GPS ou internet via satélite.

Por que o Sol no pico de atividade é uma ameaça para a órbita da Terra

O congestionamento da órbita da Terra é um problema matemático que se torna meteorológico quando o Sol entra em cena. A NASA e a NOAA anunciaram em outubro de 2024 que o Sol atingiu a fase máxima do seu ciclo de 11 anos, quando erupções solares se tornam mais frequentes e podem aquecer a atmosfera superior, alterando a resistência atmosférica que os satélites sentem e mudando suas trajetórias de forma imprevisível.

A tempestade solar de maio de 2024 ofereceu uma demonstração concreta do risco. Descrita pela ESA como a maior tempestade solar a atingir a Terra em mais de 20 anos, o evento fez com que quase metade de todos os satélites ativos na órbita baixa realizassem manobras durante três dias devido ao aumento do arrasto. Agora, imagine uma tempestade que também prejudique o rastreamento, as comunicações e o software de navegação. Os pesquisadores alertam que, nessas condições, as incertezas de posição podem chegar a vários quilômetros, transformando a prevenção de colisões em estimativa baseada em dados desatualizados.

O que acontece se uma colisão realmente ocorrer na órbita da Terra

Uma colisão catastrófica na órbita da Terra não significa apenas a perda de um satélite. O impacto entre dois objetos em velocidades orbitais gera uma chuva de fragmentos que aumenta a probabilidade de colisões secundárias e terciárias, um cenário conhecido como síndrome de Kessler, em que cada colisão produz mais detritos que causam mais colisões em uma cascata potencialmente descontrolada.

Os pesquisadores enfatizam que o Relógio CRASH não mede quando essa cascata começaria, mas mede a rapidez com que uma colisão inicial pode se tornar possível se houver falha de controle na órbita da Terra. Partes da órbita baixa acima de 600 a 800 quilômetros de altitude já estão acima de um “limiar instável” para o crescimento descontrolado de detritos a longo prazo, segundo a modelagem citada no estudo. O impacto de curto prazo, porém, seria mais parecido com poluição do que com apocalipse: os satélites continuariam operando, mas em condições piores e com risco crescente.

As 144 mil manobras que mantêm a órbita da Terra funcionando

O volume de trabalho necessário para evitar colisões na órbita da Terra é difícil de visualizar. A SpaceX realizou 144.404 manobras de prevenção de colisões do Starlink em apenas seis meses, entre dezembro de 2024 e maio de 2025, e o número de manobras tem dobrado historicamente a cada semestre. Cada manobra consome combustível, altera temporariamente a trajetória do satélite e introduz incertezas de posicionamento que podem chegar a 40 quilômetros logo após o movimento.

Esse volume de manobras funciona enquanto tudo opera conforme o planejado. Mas uma tempestade solar intensa, uma falha de comunicação em larga escala ou um erro de software que afete uma constelação inteira de satélites pode interromper a cadeia de prevenção, e é exatamente esse cenário que o Relógio CRASH tenta quantificar. A órbita da Terra funciona porque milhares de operadores ao redor do mundo coordenam manobras continuamente. Se essa coordenação falhar por três dias, a colisão deixa de ser hipotética.

O que pode ser feito para proteger a órbita da Terra

O estudo enquadra a órbita da Terra como um ambiente compartilhado que precisa de regras mais rigorosas. Os pesquisadores apontam para metas como a redução do prazo de desorbitação de satélites desativados para cinco anos, padrões mais rigorosos para compartilhamento de dados orbitais entre operadores e tratamento da capacidade de lançamento como um orçamento que precisa ser administrado, não explorado indefinidamente.

A mensagem do Relógio CRASH é que a comunidade espacial pode medir o estresse antes de uma crise, não apenas depois. Tratar a resiliência a tempestades solares como medida básica de segurança e investir em redundância de rastreamento pode dar mais tempo à órbita da Terra antes que uma falha sistêmica transforme o cenário hipotético de 3 dias em realidade. O GPS do seu celular, a internet via satélite e a previsão do tempo dependem de uma órbita que funciona perfeitamente. E perfeitamente, neste momento, significa a cada 36 segundos desviar de algo que poderia destruir tudo.

A órbita da Terra está a 3 dias de uma colisão se satélites pararem de manobrar, e o Sol pode ser o gatilho. Você sabia que a SpaceX faz 144 mil manobras por semestre? Isso te preocupa? Deixe sua opinião nos comentários.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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