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Cientistas entregam cristais a chimpanzés e reação inesperada pode revelar um antigo mistério sobre a origem do fascínio humano por pedras brilhantes

Escrito por Felipe Alves da Silva
Publicado em 14/03/2026 às 13:28
Assista o vídeochimpanzé segurando cristal de quartzo durante experimento científico sobre fascínio por pedras brilhantes
Chimpanzé examina cristal de quartzo em experimento que investiga a origem evolutiva do fascínio humano por pedras brilhantes. Créditos: Imagem ilustrativa criada por IA – uso editorial.
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Experimento científico com cristais de quartzo e chimpanzés revela comportamento surpreendente que pode ajudar a explicar por que humanos colecionam pedras brilhantes há cerca de 780 mil anos

Há milhares de anos, os cristais exercem um fascínio quase universal sobre os seres humanos. Desde as antigas civilizações da China, Egito, Roma e América Central, essas pedras brilhantes foram utilizadas tanto para fins estéticos quanto em práticas religiosas e espirituais. No entanto, um novo estudo científico indica que esse encantamento pode ter raízes muito mais profundas na evolução do que se imaginava.

A informação foi divulgada pela revista “Superinteressante”, que apresentou os resultados de uma pesquisa publicada no periódico científico Frontiers in Psychology. O estudo investigou a reação de chimpanzés ao entrarem em contato com cristais de quartzo, buscando compreender se o fascínio humano por esses objetos pode ter origens evolutivas compartilhadas com nossos parentes primatas.

Experimento com chimpanzés revela curiosidade intensa por cristais de quartzo

Para investigar a origem desse comportamento curioso, pesquisadores realizaram experimentos com chimpanzés na Espanha, oferecendo aos animais cristais de quartzo para observar suas reações. A ideia era descobrir se nossos parentes evolutivos mais próximos demonstrariam algum tipo de interesse especial por essas pedras brilhantes.

Logo no início da experiência, os resultados chamaram atenção. Os chimpanzés começaram a segurar, examinar, girar e observar os cristais com grande atenção, demonstrando uma curiosidade muito semelhante àquela observada em seres humanos diante de objetos incomuns ou visualmente atraentes.

O estudo revelou que o interesse dos animais não era apenas momentâneo. Na verdade, alguns chimpanzés chegaram a se recusar a devolver os cristais aos pesquisadores, mesmo após o término do experimento.

Os testes foram conduzidos no Centro de Resgate de Primatas Rainfer, localizado próximo a Madri, onde os cientistas precisaram negociar durante horas com os animais para recuperar os objetos.

Essa situação inusitada foi descrita pelos próprios pesquisadores como uma espécie de “crise de reféns” científica, já que os chimpanzés simplesmente não queriam abrir mão das pedras brilhantes.

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O monólito: experimento inspirado em um clássico da ficção científica

O estudo foi dividido em dois experimentos principais. O primeiro recebeu o apelido curioso de “O monólito”, uma referência direta à famosa cena inicial do filme 2001: Uma Odisseia no Espaço (1968), em que um misterioso objeto aparece diante de hominídeos pré-históricos.

Nesse teste, os cientistas colocaram dois objetos sobre pedestais dentro dos viveiros: um cristal de quartzo transparente e uma pedra comum do mesmo tamanho.

Inicialmente, ambos os objetos despertaram interesse nos chimpanzés. Entretanto, após algumas tentativas, os animais rapidamente passaram a demonstrar preferência clara pelo cristal.

Um chimpanzé de 50 anos chamado Yvan chegou a agarrar o cristal e carregá-lo consigo por longos períodos, inclusive enquanto escalava estruturas do viveiro ou comia folhas de alface.

Pouco tempo depois, o animal levou o cristal para o dormitório do grupo, onde o objeto permaneceu por vários dias. Em outro viveiro, uma chimpanzé chamada Sandy também pegou um cristal e simplesmente se recusou a devolvê-lo.

Somente após longas negociações, os pesquisadores conseguiram recuperar os objetos. Para isso, precisaram oferecer recompensas altamente valorizadas pelos animais: banana e iogurte.

Esse comportamento sugere que os chimpanzés passaram a considerar o cristal como um item de valor, algo que vai além da simples curiosidade.

Cristais já despertavam interesse humano há 780 mil anos

A pesquisa também dialoga com evidências arqueológicas muito antigas. Registros indicam que hominídeos já colecionavam cristais há cerca de 780 mil anos.

Curiosamente, esses objetos não apresentavam sinais de uso prático. As pedras não eram transformadas em ferramentas, nem utilizadas na fabricação de joias.

Esse detalhe intriga pesquisadores há décadas. Afinal, por que nossos antepassados guardariam cristais que aparentemente não tinham função utilitária?

Uma das possíveis respostas pode estar justamente nas características visuais desses minerais. Os cristais apresentam transparência, brilho e superfícies planas geométricas, algo raro na natureza.

Segundo os pesquisadores, essas propriedades visuais podem despertar curiosidade e atenção tanto em humanos quanto em outros primatas.

Segundo experimento confirma fascínio por pedras brilhantes

No segundo experimento, os cientistas decidiram testar outra hipótese. Eles espalharam diversas pequenas pedras comuns e pequenos cristais de quartzo no ambiente dos chimpanzés.

O objetivo era observar se os animais seriam capazes de identificar e selecionar os cristais em meio aos outros materiais.

O resultado foi surpreendente: os chimpanzés localizaram rapidamente os cristais em questão de segundos.

Após encontrá-los, os animais passaram a examinar as pedras brilhantes com grande interesse. Em vários registros, os chimpanzés levantavam os cristais em direção à luz do sol para observar melhor as superfícies transparentes.

Em um comportamento considerado incomum, a chimpanzé Sandy chegou a esconder pequenas pedras dentro da boca, algo raro nesse tipo de primata.

Fascínio por objetos brilhantes pode ter raízes evolutivas profundas

De acordo com Juan Manuel García-Ruiz, cristalógrafo espanhol que liderou o estudo, os resultados sugerem que a atração por cristais pode ter uma origem evolutiva muito antiga.

Segundo ele, a transparência e o formato incomum dos cristais parecem ser os principais elementos que despertam a curiosidade dos primatas.

“Ficamos positivamente surpresos com o quão forte e aparentemente natural a atração dos chimpanzés pelos cristais se mostrou. Isso sugere que a sensibilidade para tais objetos pode ter raízes evolutivas profundas”, afirmou o pesquisador.

No entanto, nem todos os especialistas interpretam os resultados da mesma forma. O arqueólogo Michael Haslam, em entrevista ao New York Times, destacou que ainda é cedo para afirmar que o comportamento observado nos chimpanzés explica diretamente o interesse humano por cristais.

Segundo ele, embora o fascínio seja evidente, a motivação exata por trás desse comportamento ainda permanece um mistério científico.

Fonte: Superinteressante

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Felipe Alves da Silva

Sou Felipe Alves, com experiência na produção de conteúdo sobre segurança nacional, geopolítica, tecnologia e temas estratégicos que impactam diretamente o cenário contemporâneo. Ao longo da minha trajetória, busco oferecer análises claras, confiáveis e atualizadas, voltadas a especialistas, entusiastas e profissionais da área de segurança e geopolítica. Meu compromisso é contribuir para uma compreensão acessível e qualificada dos desafios e transformações no campo estratégico global. Sugestões de pauta, dúvidas ou contato institucional: fa06279@gmail.com

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