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Cientistas descobriram pela primeira vez uma caverna gigantesca escondida sob um vulcão em Vênus com quase um quilômetro de largura e 375 metros de altura, usando imagens de radar que estavam esquecidas há mais de 30 anos

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 05/04/2026 às 16:56
Atualizado em 05/04/2026 às 16:58
Cientistas encontraram uma caverna sob um vulcão em Vênus usando imagens de radar da NASA de 30 anos. O tubo de lava tem 1 km de largura.
Cientistas encontraram uma caverna sob um vulcão em Vênus usando imagens de radar da NASA de 30 anos. O tubo de lava tem 1 km de largura.
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Pesquisadores da Universidade de Trento identificaram sob o vulcão em Vênus Nyx Mons a primeira evidência direta de uma caverna vulcânica no planeta, com cerca de um quilômetro de largura e 375 metros de altura, reanalisando imagens de radar da missão Magellan da NASA esquecidas há três décadas.

Uma caverna gigantesca estava escondida sob a superfície de Vênus há bilhões de anos, e a pista para encontrá-la ficou guardada em arquivos da NASA por mais de três décadas. Cientistas da Universidade de Trento, na Itália, reanalisaram imagens de radar da missão Magellan e identificaram o que parece ser um enorme tubo de lava sob o vulcão em Vênus conhecido como Nyx Mons. O estudo, publicado na revista Nature Communications, representa a primeira evidência direta, obtida por radar, da existência de um conduto subterrâneo no planeta vizinho da Terra.

Segundo EcoNews, a estrutura impressiona pelas dimensões. O tubo de lava tem aproximadamente um quilômetro de largura em média, com um teto de pelo menos 150 metros de espessura e um espaço vazio abaixo dele com pelo menos 375 metros de altura. Os ecos de radar mostram o sinal viajando dentro do tubo por pelo menos 300 metros a partir da abertura no teto. Com base no alinhamento de crateras próximas e na inclinação do terreno, o sistema completo sob o vulcão em Vênus pode se estender por cerca de 45 quilômetros, uma escala que supera qualquer tubo de lava conhecido na Terra.

O que os cientistas encontraram sob o vulcão em Vênus Nyx Mons

A estrutura recém-descrita está localizada na encosta oeste de Nyx Mons, um vulcão em escudo com cerca de 362 quilômetros de largura. Nas imagens de radar, a principal característica se assemelha a uma cratera escura cercada por uma cadeia de colapsos semelhantes.

Os pesquisadores batizaram essa depressão de “cratera A” e perceberam que ela se comportava de forma diferente de uma cratera comum quando analisada pelos sinais de radar.

Na maioria das crateras, o sinal de radar mostra simplesmente a imagem de um buraco íngreme.

A cratera A apresentou uma faixa brilhante e assimétrica que se estendia muito além da borda, um padrão que, segundo a equipe, corresponde ao que acontece quando ondas de radar entram por uma claraboia, ricocheteiam ao longo de um túnel subterrâneo e se dispersam de volta para os sensores da espaçonave. Em outras palavras, a cratera A é provavelmente o teto desabado de um tubo de lava que transportava rocha derretida sob o vulcão em Vênus.

Como cientistas leram uma caverna usando ecos de radar de 30 anos atrás

Vênus está envolto em nuvens tão densas que câmeras convencionais não conseguem captar sua superfície.

A sonda Magellan utilizou Radar de Abertura Sintética no início dos anos 1990 para criar um mapa global do planeta, e são exatamente esses dados, coletados há mais de 30 anos, que a equipe italiana reaproveitou com técnicas modernas de análise. O que antes parecia apenas mais uma cratera revelou-se a entrada de uma caverna com dimensões colossais.

A equipe tratou a imagem de radar como uma espécie de radiografia do terreno sob o vulcão em Vênus. Medindo o comprimento do brilho dentro da cratera A e o tamanho da sombra projetada, os pesquisadores conseguiram estimar a forma do vazio oculto.

As técnicas utilizadas foram testadas inicialmente em tubos de lava na Lua e na Terra, o que deu confiança aos resultados. Para efeito de comparação, famosos túneis de lava na Terra, como a Cueva de los Verdes em Lanzarote, atingem larguras de apenas algumas dezenas de metros. O túnel venusiano os supera em escala incomparável.

Por que uma caverna sob um vulcão em Vênus importa para a ciência

Tubos de lava são mais do que curiosidades geológicas. Eles preservam um registro de como os vulcões de um planeta entraram em erupção e esfriaram ao longo do tempo. Em Marte e na Lua, estruturas semelhantes são vistas como potenciais abrigos naturais para futuros exploradores, já que paredes rochosas sólidas podem bloquear radiação e micrometeoritos.

Em Vênus, com temperaturas na superfície acima de 450 graus Celsius e pressão atmosférica mais de noventa vezes superior à da Terra, ninguém vai explorar essa caverna presencialmente tão cedo.

Mas a descoberta tem um valor científico que vai além da exploração física. Vênus é frequentemente descrita como a gêmea da Terra que seguiu um caminho radicalmente diferente, com uma atmosfera dominada por dióxido de carbono e nuvens de ácido sulfúrico.

Compreender como os vulcões funcionam nesse planeta ajuda os pesquisadores a desvendar como Vênus perdeu seus oceanos e se transformou no mundo extremo que conhecemos hoje. O sistema vulcânico está diretamente ligado à forma como gases se movem entre o interior e a atmosfera, processo fundamental para a evolução climática de longo prazo.

O que pode estar escondido nos arquivos da NASA além dessa caverna

Se um tubo de lava desse tamanho estava oculto em imagens de radar coletadas há mais de 30 anos, a equipe de pesquisa acredita que muitas outras estruturas semelhantes podem estar à espera nos arquivos e na superfície do vulcão em Vênus e de outros vulcões do planeta.

Dados de radar mostram que canais de lava e cadeias de colapso são comuns na superfície venusiana, o que sugere que a descoberta do Nyx Mons é provavelmente apenas o começo.

A análise publicada na Nature Communications representa, nas palavras dos próprios pesquisadores, a ponta do iceberg. Com ferramentas modernas de processamento de imagem e técnicas aprimoradas de leitura de radar, cientistas de todo o mundo podem revisitar os dados da missão Magellan e encontrar estruturas que passaram despercebidas por três décadas.

O vulcão em Vênus guarda segredos que a tecnologia da época não era capaz de revelar, mas que os métodos atuais conseguem decifrar com precisão crescente.

As futuras missões que vão mapear o vulcão em Vênus com detalhes inéditos

A próxima geração de missões espaciais promete examinar essa caverna e outras estruturas com resolução muito superior. A missão EnVision, da Agência Espacial Europeia, e a VERITAS, da NASA, levarão instrumentos de radar com resoluções de até algumas dezenas de metros, um salto enorme em relação aos dados da Magellan.

O Radar de Sondagem Subsuperficial da EnVision foi projetado para enviar ondas de rádio a centenas de metros abaixo da superfície, exatamente a profundidade do tubo sob o Nyx Mons.

Na prática, isso significa que futuras espaçonaves poderão não apenas confirmar o tamanho da caverna, mas também mapear tubos de lava intactos que não apresentem nenhum colapso visível na superfície. Passo a passo, os cientistas vão construir uma imagem tridimensional dos sistemas vulcânicos venusianos, algo que nunca foi possível.

Quanto mais aprendemos sobre os vulcões e túneis subterrâneos de Vênus, melhor podemos entender como planetas rochosos semelhantes à Terra podem passar de habitáveis a completamente hostis. E essa compreensão começa com uma caverna gigantesca encontrada em imagens esquecidas por 30 anos.

O que você acha da descoberta de uma caverna com quase um quilômetro de largura sob um vulcão em Vênus? Acredita que os arquivos da NASA ainda escondem mais surpresas ou que precisamos de novas missões para realmente entender o planeta vizinho? Deixe sua opinião nos comentários. Descobertas como essa mostram que a ciência ainda tem muito a revelar sobre o sistema solar.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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