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Cientistas criam materiais “vivos” que rastejam, caminham e cavam sozinhos ao transformar tensão interna em movimento, imitando tecidos biológicos sem terem células de verdade

Publicado em 27/05/2026 às 12:29
Atualizado em 27/05/2026 às 12:32
Assista o vídeoMaterial com micromotores microscópicos reage à pressão, se dobra, acumula força e se move sozinho, abrindo caminho para robôs macios em resgate, medicina e exploração espacial
Imagem: Ilustração artística
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Estruturas sintéticas ligadas a micromotores microscópicos transformam energia interna em movimento autônomo, imitam tecidos vivos e podem abrir caminho para avanços em robótica flexível, medicina de precisão, resgate e exploração espacial

Pesquisadores desenvolveram estruturas sintéticas ligadas a micromotores microscópicos que conseguem reagir a forças externas, engatinhar e até cavar de forma autônoma. O estudo explora a chamada matéria ativa, área que cria sistemas mecânicos capazes de transformar energia interna em movimento, imitando comportamentos vistos em organismos vivos.

Matéria ativa usa energia interna para gerar movimento

A matéria ativa representa uma mudança importante na forma como componentes artificiais podem ser projetados.

Em vez de peças rígidas, estáticas e previsíveis, essas estruturas são formadas por pequenas hastes elásticas conectadas a micromotores microscópicos.

Esses micromotores fornecem energia ao conjunto e fazem com que as hastes respondam de maneira dinâmica aos estímulos físicos.

O resultado é um sistema que não apenas suporta forças externas, mas também usa essas forças para produzir movimento.

A principal diferença está no comportamento não recíproco. Quando a pressão vem de um lado, a reação da estrutura não é igual à resposta observada quando a força vem do lado oposto. Essa assimetria muda o funcionamento do conjunto.

Com isso, a energia interna inserida pelos micromotores pode ser convertida em movimentos contínuos, como engatinhar, caminhar ou cavar.

A estrutura deixa de ser apenas um material passivo e passa a atuar como um sistema mecânico responsivo.

Material com micromotores microscópicos reage à pressão, se dobra, acumula força e se move sozinho, abrindo caminho para robôs macios em resgate, medicina e exploração espacial
O estudo sobre sólidos ativos não percolados revela fenômenos mecânicos inéditos em metamateriais estruturados, desafiando conceitos tradicionais de elasticidade – Créditos: Physical Review X / APS

Estruturas sintéticas imitam tecidos vivos sem serem organismos

O funcionamento dessas peças lembra alguns princípios usados por seres vivos para se movimentar. Na natureza, organismos usam energia química para gerar adaptação, contração, deslocamento e resposta ao ambiente.

No laboratório, os cientistas trocaram células biológicas por elementos artificiais, como elásticos sintéticos, hastes flexíveis e pequenos atuadores articulados.

Mesmo sem vida, o conjunto consegue reproduzir comportamentos associados a tecidos biológicos em movimento.

Essa semelhança aparece quando a estrutura acumula força, se deforma e libera energia em forma de deslocamento.

O material se curva, guarda tensão e depois transforma essa tensão em um passo, rastejo ou ação de escavação.

O avanço não significa que essas peças sejam vivas. A relevância está no fato de componentes mecânicos simples conseguirem executar respostas autônomas, sem depender de uma estrutura rígida tradicional ou de comandos convencionais a cada movimento.

Material com micromotores microscópicos reage à pressão, se dobra, acumula força e se move sozinho, abrindo caminho para robôs macios em resgate, medicina e exploração espacial
O estudo sobre sólidos ativos não percolados revela fenômenos mecânicos inéditos em metamateriais estruturados, desafiando conceitos tradicionais de elasticidade – Créditos: Physical Review X / APS

Reação assimétrica desafia o comportamento esperado da mecânica

A mecânica clássica trabalha com a ideia de que uma ação gera uma reação igual e oposta. Nas estruturas descritas pelo estudo, esse comportamento não ocorre de forma tradicional, porque as interações são assimétricas.

Essa característica permite que o sistema funcione em um ponto de instabilidade controlada. O que normalmente poderia causar falha, quebra ou perda de controle passa a ser usado como parte do mecanismo de locomoção.

O chamado ponto crítico excepcional transforma o acúmulo extremo de força elástica em movimento direcionado.

A tensão não destrói as partes internas, mas alimenta um ciclo de tensionamento e liberação que move a estrutura.

Na prática, o comportamento observado nas peças individuais não explica totalmente o resultado final. Quando conectadas, elas criam um padrão de movimento maior, capaz de mudar a forma como materiais artificiais podem ser usados.

Material com micromotores microscópicos reage à pressão, se dobra, acumula força e se move sozinho, abrindo caminho para robôs macios em resgate, medicina e exploração espacial
Imagem: Divulgação

Robótica flexível pode ser uma das áreas mais impactadas

As aplicações citadas para essas estruturas estão ligadas principalmente à robótica flexível. Como os sistemas conseguem se curvar, adaptar e se mover em terrenos irregulares, eles podem ser úteis em ambientes onde máquinas rígidas enfrentam limitações.

O material pode ajudar no desenvolvimento de pequenos robôs macios para locais perigosos, superfícies instáveis ou regiões com obstáculos. A capacidade de rastejar e cavar amplia as possibilidades em áreas de resgate e exploração.

Outra aplicação mencionada está na medicina de precisão. Dispositivos baseados nessa lógica poderiam se mover por fluidos orgânicos, usando estruturas mais adaptáveis do que equipamentos mecânicos convencionais.

A exploração espacial extrema também aparece entre os campos possíveis. Ambientes hostis, irregulares e imprevisíveis exigem máquinas capazes de responder ao terreno, em vez de apenas seguir movimentos fixos ou depender de estruturas rígidas.

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Miniaturização e eficiência ainda são desafios

Os estudos atuais buscam melhorar a eficiência energética desses sistemas e reduzir ainda mais o tamanho dos componentes de base. Esses dois pontos são centrais para ampliar o uso prático da matéria ativa.

A miniaturização pode permitir dispositivos mais leves e capazes de acessar espaços menores. Já o ganho de eficiência ajudaria a manter movimentos autônomos por mais tempo, com melhor aproveitamento da energia fornecida pelos micromotores.

A expectativa apresentada no material é que estruturas estáticas deem lugar, aos poucos, a blocos mais interativos e responsivos. Esse caminho aproxima engenharia de materiais, robótica flexível e sistemas inspirados na biologia.

Esta matéria foi elaborada com base em informações do material-base fornecido, com dados, números e declarações preservados conforme o material consultado.

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Romário Pereira de Carvalho

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