Estudo do Acampamento Base do Everest calculou que aquecimento, cozinha, geração de eletricidade e excreção urinária liberaram calor suficiente para derreter cerca de 2.492 toneladas de gelo e neve em 2023. Dados Landsat apontaram aumento anual de 0,28 °C na temperatura superficial local entre 1991 e 2023, no período analisado.
A atividade humana no Acampamento Base do Everest, o EBC, foi associada por pesquisadores à liberação de energia térmica suficiente para derreter cerca de 2.492 toneladas de gelo e neve da geleira Khumbu durante a temporada de primavera de 2023. O cálculo considerou fontes como aquecimento, cozinha, geração de eletricidade e a própria excreção urinária dos visitantes.
Segundo reportagem da CNN Brasil, publicada em 1º de setembro de 2026, o estudo citado pela emissora foi publicado na Springer Nature Link e analisou como diferentes atividades realizadas no acampamento-base acrescentam calor ao ambiente da geleira. Dados de satélites Landsat também indicaram uma elevação de 0,28 °C por ano na temperatura da superfície do acampamento entre 1991 e 2023.
Acampamento Base do Everest fica sobre a geleira Khumbu

O estudo concentra a análise no Acampamento Base do Everest, ponto de grande atividade humana associado às expedições na montanha.
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A presença crescente de visitantes no local amplia atividades que produzem calor diretamente sobre a região da geleira Khumbu, segundo a pesquisa apresentada pela fonte.
Pesquisadores somaram diferentes fontes de energia térmica
O cálculo não atribuiu o derretimento potencial a uma única atividade.
Os pesquisadores avaliaram a energia térmica liberada por aquecimento, preparo de alimentos, geração de eletricidade e excreção urinária.
Somadas, essas fontes produziram, segundo o estudo, energia equivalente à necessária para derreter milhares de toneladas de gelo e neve.
Energia calculada equivaleria ao derretimento de 2.492 toneladas
A estimativa apresentada para a temporada de primavera de 2023 foi de aproximadamente 2.492 toneladas de gelo e neve.
O número representa uma equivalência entre a energia térmica liberada pelas atividades humanas avaliadas e a quantidade de material congelado que poderia ser derretida com esse calor.
A fonte não afirma que todas as 2.492 toneladas tenham sido diretamente observadas desaparecendo por essas atividades, mas que a energia liberada seria suficiente para provocar esse volume de derretimento.
Urina recém-eliminada chega a aproximadamente 37 °C
A excreção urinária entrou no balanço térmico por causa da temperatura do líquido ao deixar o corpo humano.
Segundo a fonte, a urina recém-expelida apresenta temperatura próxima de 37 °C, acompanhando aproximadamente a temperatura interna corporal.
Esse calor passa a ser liberado no ambiente quando a urina é descartada no acampamento.
Temperatura da urina é semelhante entre homens e mulheres
O estudo também tratou da diferença entre gêneros nesse componente do cálculo.
A temperatura da urina foi descrita como “funcionalmente idêntica” para homens e mulheres.
Por esse motivo, os pesquisadores não esperam diferenças relevantes de temperatura baseadas apenas no gênero da pessoa.
Combustíveis usados no acampamento também liberam calor

Pexels
A contribuição humana não se limita à excreção.
O funcionamento diário do acampamento envolve combustíveis utilizados para aquecimento, cozinha e produção de energia, atividades que liberam calor diretamente na área ocupada pelos visitantes.
O estudo reuniu essas fontes no cálculo da carga térmica associada à presença humana.
Landsat acompanhou temperatura da superfície entre 1991 e 2023
Os pesquisadores também recorreram a uma série histórica baseada em observações de satélite.
Dados dos satélites Landsat foram utilizados para avaliar a evolução da temperatura da superfície no Acampamento Base do Everest durante mais de três décadas.
O período analisado vai de 1991 a 2023.
Superfície do acampamento esquentou 0,28 °C por ano
A série analisada mostrou uma tendência de elevação da temperatura.
Segundo o estudo, a temperatura superficial do acampamento aumentou 0,28 °C por ano entre 1991 e 2023.
A taxa registrada no EBC foi aproximadamente o dobro daquela observada na superfície da geleira Khumbu.
Aquecimento local ocorreu em ritmo duas vezes maior que na geleira
A comparação entre o acampamento e o restante da geleira reforçou a diferença encontrada pelos pesquisadores.
A taxa de aumento da temperatura superficial no EBC foi cerca de duas vezes maior que a registrada na superfície da geleira Khumbu.
A fonte associa esse quadro à crescente pressão da atividade humana na região.
Estudo propõe reduzir impactos humanos sobre a geleira

Os autores também discutiram medidas para diminuir a interferência provocada pela presença constante de pessoas no local.
Segundo a pesquisa, mitigar essas influências pode contribuir para preservar a geleira e tornar a atividade de montanhismo mais sustentável.
A proposta parte da tentativa de reduzir fontes adicionais de calor diretamente sobre o gelo.
Dois locais foram mapeados para possível mudança do acampamento
Uma das alternativas avaliadas seria retirar o acampamento-base da própria geleira.
Os pesquisadores mapearam dois locais considerados mais estáveis e seguros para uma possível realocação do EBC fora da área de gelo.
A fonte não informa que a mudança tenha sido aprovada ou definida, apenas que os pontos foram identificados como alternativas.
Possível realocação ainda aparece como alternativa estudada
A pesquisa não estabelece que o Acampamento Base do Everest será transferido.
Os dois locais identificados aparecem como possibilidades dentro da discussão sobre redução dos impactos ambientais e segurança da estrutura utilizada por alpinistas e equipes de apoio.
Qualquer realocação, portanto, permanece no campo das alternativas mencionadas pelo estudo.
Atividade humana passa a integrar cálculo sobre perda de gelo no Everest
O estudo acrescenta aquecimento, cozinha, eletricidade e excreção urinária ao conjunto de fatores avaliados na pressão térmica sobre o Acampamento Base do Everest. Para a primavera de 2023, a energia dessas atividades foi calculada como suficiente para derreter cerca de 2.492 toneladas de gelo e neve.
Ao mesmo tempo, os registros Landsat indicaram aumento de 0,28 °C por ano na temperatura superficial do local entre 1991 e 2023, aproximadamente o dobro da taxa registrada na geleira Khumbu. Os pesquisadores sugerem reduzir essas influências e apontaram dois locais fora da geleira como alternativas para uma eventual realocação do acampamento.
Na sua opinião, qual medida faria mais sentido para reduzir o impacto no Everest: limitar fontes de calor no acampamento, melhorar a gestão dos resíduos humanos ou transferir o acampamento-base para fora da geleira? Deixe sua opinião nos comentários.
