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O que está escondido no fundo do Lago Paranoá impressiona: vila inteira com casas, objetos e carros permanece submersa desde 1959 em Brasília

Escrito por Caio Aviz
Publicado em 28/04/2026 às 17:19
Atualizado em 28/04/2026 às 17:58
Caminhonete submersa coberta por sedimentos no fundo do Lago Paranoá, representando objetos deixados na antiga Vila Amaury inundada em 1959
Veículo submerso preservado no fundo do Lago Paranoá ilustra os vestígios deixados pelos operários da antiga Vila Amaury após a inundação em 1959
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A antiga Vila Amaury, inundada em 1959, expõe estruturas, objetos e relatos que revelam o cotidiano dos trabalhadores e o impacto da criação do Lago Paranoá

Uma transformação histórica marcou a construção de Brasília e, ao mesmo tempo, deu origem a um dos cenários mais curiosos do país, pois a Vila Amaury, que abrigou cerca de 16 mil operários durante a construção da capital, foi completamente submersa em 1959 com a formação do Lago Paranoá. Esse processo criou uma cidade submersa preservada a cerca de 15 metros de profundidade, que hoje funciona como um verdadeiro registro do passado e, além disso, passou a ser reconhecida como um sítio arqueológico subaquático, onde mergulhadores encontram vestígios do cotidiano dos pioneiros. A presença de alicerces, escadarias e objetos pessoais reforça o valor histórico da região e evidencia a dimensão da antiga comunidade, que permanece viva na memória da construção da capital.

Formação do lago alterou o destino da comunidade

A Vila Amaury não era apenas um alojamento provisório, pois contava com igrejas, escolas e comércio ativo, o que caracterizava uma comunidade estruturada, embora sua localização em um vale tenha determinado que o espaço fosse diretamente impactado pela construção da barragem. No ano de 1959, com o avanço das obras e o fechamento das comportas, a saída dos moradores tornou-se obrigatória, ainda que houvesse resistência, já que muitos buscavam garantias de moradia antes de abandonar o local. Segundo a professora Maria Fernanda Derntl, da Universidade de Brasília (UnB), em declaração ao jornal O Globo, a ocupação já era considerada temporária desde o início e, por isso, a vila estava destinada a desaparecer com a formação do lago. Com o aumento rápido do nível da água, que chegou a atingir os joelhos dos moradores, a NOVACAP determinou a evacuação imediata, o que levou à reorganização populacional e contribuiu para o surgimento de regiões como Taguatinga, Gama e Sobradinho.

Objetos abandonados reforçam o valor histórico

A retirada acelerada fez com que muitos moradores deixassem para trás objetos pessoais e, assim, itens como garrafas, óculos, sapatos e até veículos permanecem submersos até hoje, funcionando como testemunhos materiais daquele período. Atualmente, mergulhadores técnicos exploram a área e registram essas estruturas, enquanto o fotógrafo Beto Barata, nascido em Brasília, destaca que a experiência vai além da atividade profissional e envolve uma conexão direta com a memória da cidade. De acordo com ele, o local representa um depósito de lembranças dos operários, onde cada objeto encontrado revela parte da história da construção da capital e reforça a dimensão humana desse processo.

Condições do lago exigem mergulho técnico avançado

O mergulho no Lago Paranoá exige preparo técnico, pois a visibilidade é limitada e dificulta a navegação subaquática, o que torna a atividade mais desafiadora. Segundo Beto Barata, essa característica contribui para a formação de mergulhadores mais experientes, já que o controle de flutuabilidade e orientação se torna essencial durante as explorações. Em áreas mais profundas, próximas à barragem, o leito pode atingir cerca de 40 metros de profundidade, e, em uma dessas incursões, foi identificado um antigo píer a aproximadamente 37 metros, ampliando o entendimento sobre a estrutura da antiga vila e sua organização.

Projeto do Lago Paranoá consolidou visão de JK

A criação do Lago Paranoá foi defendida pelo presidente Juscelino Kubitschek, responsável pela construção de Brasília, que considerava o lago essencial para a cidade, definindo-o como “moldura líquida” da capital. Apesar dos desafios geológicos enfrentados durante as obras, conduzidas pela empresa Raymond Concrete Pile of the Americas, o projeto foi concluído conforme planejado, o que confirmou a viabilidade da proposta e consolidou o lago como parte fundamental da paisagem urbana. Diante das críticas iniciais, JK respondeu de forma direta ao sucesso da obra, reforçando o impacto da construção não apenas no aspecto urbano, mas também como símbolo da engenharia e da consolidação da capital.

Legado submerso conecta passado e presente

A antiga Vila Amaury permanece como um dos principais registros históricos da construção de Brasília, mesmo submersa, pois suas estruturas continuam revelando detalhes do cotidiano dos trabalhadores e da formação da cidade. A combinação entre história, engenharia e memória transforma o local em um ponto de interesse para pesquisadores e mergulhadores, ao mesmo tempo em que reforça a importância de preservar esse patrimônio invisível que resiste sob as águas do Lago Paranoá, levantando uma questão inevitável: quantas histórias ainda permanecem escondidas nesse cenário silencioso?

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Caio Aviz

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