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Cidade submersa de 8 quilômetros descoberta a 36 metros de profundidade no Mar Arábico pode ter 9.500 anos e, se confirmada, seria mais antiga que qualquer civilização conhecida e coincidiria com a lendária Dwarka descrita nos textos hindus

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 31/03/2026 às 17:13
Atualizado em 31/03/2026 às 17:17
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Cidade submersa no Mar Arábico pode ter até 9.500 anos; descoberta no Golfo de Cambay desafia a arqueologia e levanta ligação com Dwarka
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Cidade submersa no Mar Arábico pode ter até 9.500 anos; descoberta no Golfo de Cambay desafia a arqueologia e levanta ligação com Dwarka

Em 2001, oceanógrafos do National Institute of Ocean Technology (NIOT), na Índia, identificaram estruturas submersas no Golfo de Cambay, no Mar Arábico, durante uma varredura de rotina para análise de poluição marinha. Segundo reportagem da BBC e dados divulgados pelo próprio instituto, o sonar revelou formações geométricas a 36 metros de profundidade, distribuídas por uma área de até 8 quilômetros de extensão. Amostras coletadas no local e analisadas por carbono-14 indicaram idades entre 7.500 e 9.500 anos. Se confirmada, essa cidade submersa seria mais antiga do que qualquer civilização urbana conhecida, superando cronologias da Suméria e do Egito Antigo.

Dwarka nos textos hindus: cidade submersa descrita no Mahabharata e Bhagavata Purana

Dwarka não é apenas um sítio arqueológico potencial. Nos textos sagrados do hinduísmo, como o Mahabharata, o Bhagavata Purana e o Harivamsa, a cidade é descrita como a capital do reino de Krishna.

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Segundo essas narrativas, Dwarka foi construída onde o rio Gomti encontra o Mar Arábico, em uma área de terra recuperada do oceano, com cerca de 96 quilômetros quadrados. Os textos relatam uma cidade fortificada com muralhas, palácios, templos, jardins e um porto ativo.

Após a morte de Krishna, a cidade teria sido submersa pelo mar. Durante séculos, essa descrição foi tratada como mitologia. A descoberta de estruturas no fundo do mar exatamente na região descrita reabriu o debate entre mito e realidade histórica.

Escavações arqueológicas em Dwarka entre 1930 e 1990 revelaram porto antigo

A busca por Dwarka começou ainda na década de 1930, com escavações na ilha de Bet Dwarka, no estado de Gujarat. Nas décadas seguintes, novas expedições identificaram artefatos arqueológicos relevantes.

Entre 1983 e 1990, o Archaeological Survey of India conduziu escavações que revelaram muralhas, bastiões, estruturas portuárias e mais de 120 âncoras triangulares de pedra com três furos.

Essas âncoras indicam atividade marítima intensa e organizada. O arqueólogo S.R. Rao concluiu que havia ali uma cidade-estado ativa por volta de 1500 a.C. Essa fase já comprovada coloca Dwarka como um importante centro portuário da antiguidade.

Descoberta de 2001 no Golfo de Cambay revelou estruturas submersas mais antigas

A descoberta feita pelo NIOT em 2001 ampliou radicalmente a escala histórica do sítio. O sonar de varredura lateral identificou estruturas retangulares e semicirculares incompatíveis com formações naturais.

Submersíveis foram enviados ao local e encontraram blocos de pedra trabalhados, possíveis muralhas, estradas e elementos arquitetônicos organizados. Artefatos coletados incluíam cerâmica, contas, ossos humanos e fragmentos de construção.

A datação por carbono-14 apontou para até 9.500 anos. Esse dado desafia diretamente a cronologia aceita da civilização humana, que considera o surgimento das primeiras cidades organizadas por volta de 5.500 anos atrás.

Muralha de com mais de 500 metros reforça hipótese de cidade submersa no Mar Arábico

Além das estruturas profundas, pesquisadores identificaram uma muralha de pedra com aproximadamente 550 metros de extensão, visível durante marés baixas próximas a Bet Dwarka.

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Essa estrutura reforça a hipótese de um sistema defensivo costeiro. Estudos indicam que a região foi submersa em diferentes períodos, com partes mais rasas afundando entre 3.500 e 1.500 a.C., enquanto áreas mais profundas podem ser significativamente mais antigas.

Esse padrão sugere um processo gradual de submersão, compatível com elevação do nível do mar após a última era glacial.

Debate arqueológico sobre datação de 9.500 anos divide especialistas

A datação mais antiga é amplamente debatida. Parte da comunidade científica questiona a confiabilidade dos dados por carbono-14, argumentando que os materiais analisados não estavam necessariamente ligados diretamente às estruturas.

Há possibilidade de contaminação ou deslocamento dos artefatos no fundo marinho. Além disso, a ausência de escavações completas e publicações extensivas em periódicos revisados por pares limita a validação definitiva.

Mesmo assim, os achados não foram descartados e continuam sendo considerados relevantes dentro da arqueologia subaquática.

Geologia do Mar Arábico confirma submersão de áreas habitáveis há 10 mil anos

Estudos geológicos indicam que o nível do mar era mais de 100 metros inferior ao atual durante o último máximo glacial, há cerca de 20 mil anos.

Com o derretimento das geleiras, o nível do mar subiu gradualmente, inundando áreas costeiras. A costa oeste da Índia foi fortemente afetada por esse processo.

Isso significa que áreas hoje submersas poderiam ter sido habitáveis no passado. A presença de assentamentos humanos nessa região é considerada plausível do ponto de vista geológico.

Âncoras de pedra em Dwarka comprovam atividade portuária histórica intensa

As mais de 120 âncoras de pedra encontradas em Dwarka são evidências concretas de atividade marítima ao longo de vários períodos históricos.

Documentos como o Periplus Maris Erythraei, do século I d.C., mencionam um porto chamado “Baraca”, associado à região de Dwarka. A UNESCO reconhece o local como parte das rotas comerciais históricas da Ásia. Essas evidências reforçam o papel estratégico de Dwarka como centro portuário ao longo da história.

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Uma das maiores limitações no estudo da cidade submersa é a interrupção das pesquisas iniciadas em 2002 pelo governo indiano. Essas investigações utilizavam tecnologias avançadas de sonar e perfilagem de subfundo, capazes de mapear estruturas enterradas sob sedimentos marinhos.

Apesar de resultados promissores, o projeto foi interrompido sem explicações detalhadas. A paralisação impede avanços na confirmação definitiva da idade e estrutura do sítio.

Dwarka como cidade em camadas segue padrão de grandes centros históricos

Pesquisadores consideram que Dwarka pode ser um sítio arqueológico em múltiplas camadas, semelhante a cidades como Jerusalém e Tróia.

A cidade atual repousa sobre estruturas medievais, que por sua vez estão sobre camadas ainda mais antigas. Parte dessas camadas está submersa, dificultando escavações. Essa sobreposição histórica é comum em grandes centros urbanos antigos e reforça a complexidade do sítio.

Em fevereiro de 2024, o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, realizou um mergulho no local para participar de um ritual religioso subaquático.

O gesto teve impacto simbólico e político, associando a narrativa histórica à identidade cultural indiana. O evento também impulsionou o interesse público por novas pesquisas.

Textos hindus apresentam descrições técnicas compatíveis com estruturas encontradas

Os textos antigos descrevem Dwarka com detalhes que se aproximam de conceitos modernos de engenharia costeira.

Relatos mencionam recuperação de terra do mar, bastiões defensivos, fossos e infraestrutura portuária. Esses elementos coincidem com estruturas encontradas no fundo do Mar Arábico. A convergência entre narrativa textual e evidência física é um dos pontos mais discutidos pelos pesquisadores.

As camadas mais profundas do sítio permanecem inacessíveis devido à cobertura de sedimentos marinhos. Tecnologias como sonar 3D, escavação robótica, datação por luminescência e análise de DNA ambiental podem revelar estruturas ainda mais antigas.

Atualmente, o principal obstáculo não é tecnológico, mas financeiro e político. A confirmação definitiva da cidade submersa pode depender de futuras expedições ainda não autorizadas.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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