As obras do túnel subterrâneo contra enchentes em Xanxerê (SC) começaram nesta semana com explosivos controlados e R$ 20 milhões em investimento, estrutura de 943 metros perfurada no maciço rochoso que vai captar águas pluviais no centro e conduzi-las ao Rio Xanxerê, com prazo de 14 meses para a escavação.
Xanxerê, no Oeste de Santa Catarina, começou nesta semana a escavar o túnel subterrâneo que promete acabar com as enchentes que castigam a área central da cidade há anos. A obra, descrita pela prefeitura como o empreendimento de infraestrutura mais ambicioso da história do município, demandará mais de R$ 20 milhões e terá 943 metros perfurados no maciço rochoso com explosivos e detonações programadas. O túnel subterrâneo vai conectar o Matinho ao centro da cidade, onde será erguido um poço vertical para captação da água da chuva que hoje alaga ruas e residências, e um canal aberto de aproximadamente 125 metros conduzirá essa água ao leito do Rio Xanxerê no ponto de saída.
Os trabalhos iniciais estão concentrados na preparação do terreno no desemboque do túnel subterrâneo, localizado no bairro Matinho, aproximadamente 200 metros abaixo da cota da BR-282, nas imediações da pedreira desativada Westerich. A equipe iniciou a limpeza da área, a retirada da camada orgânica do solo e a perfuração inicial da rocha em superfície, fase que antecede a perfuração propriamente dita do maciço. Segundo o secretário de Planejamento Urbano e Meio Ambiente, Leandro Marzari Silva, os primeiros 50 metros concentrarão o ritmo mais intenso de detonações, realizadas em superfície antes de avançar para o interior da rocha. O acesso ao local permanece restrito por questões de segurança durante essa etapa.
Por que Xanxerê precisa de um túnel subterrâneo para resolver as enchentes

A área central de Xanxerê sofre com alagamentos recorrentes que a infraestrutura de drenagem convencional nunca conseguiu resolver. A topografia da cidade, com desnível acentuado entre os bairros mais altos e o centro, faz com que grandes volumes de água desçam em direção às ruas comerciais e residenciais a cada chuva intensa, sobrecarregando galerias e bueiros que não foram dimensionados para o crescimento urbano das últimas décadas. O resultado são prejuízos materiais frequentes, interrupção do trânsito e risco à segurança dos moradores que convivem com a água invadindo casas e estabelecimentos.
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A solução encontrada pela administração municipal foi criar uma rota alternativa para essa água, e o túnel subterrâneo cumpre exatamente essa função. Em vez de tentar ampliar a drenagem superficial, que exigiria obras invasivas no centro já consolidado, o projeto perfura quase 1 km de rocha abaixo da cidade, obra de R$ 20 milhões que conduz a enxurrada diretamente ao Rio Xanxerê, desviando o fluxo antes que ele atinja as áreas mais vulneráveis. A estratégia é semelhante à adotada por capitais que utilizam piscinões e galerias profundas, mas adaptada à realidade geológica de Xanxerê, onde a presença de maciço rochoso viabiliza a escavação com explosivos programados.
Como será a construção do túnel subterrâneo com explosivos em Xanxerê

A perfuração do túnel subterrâneo exige técnicas de engenharia que combinam detonações programadas e escavação mecânica. Os primeiros 50 metros serão abertos a céu aberto com explosões controladas que fragmentam a rocha em blocos removíveis, fase na qual o ritmo de trabalho é mais intenso e o barulho das detonações será perceptível para os moradores das proximidades. Após atingir a profundidade necessária para ingressar no maciço, as explosões passam a ocorrer no interior da rocha, com impacto sonoro e vibratório significativamente menor na superfície.
O material rochoso extraído durante a construção do túnel subterrâneo não será descartado. A prefeitura de Xanxerê informou que todas as pedras retiradas passarão por processo de britagem e serão reaproveitadas na manutenção de estradas rurais e como material de base para asfalto em vias do perímetro urbano. Essa reutilização reduz o custo ambiental da obra e gera economia para a administração municipal, que aproveita um subproduto da escavação para resolver outra demanda de infraestrutura sem gastar recursos adicionais com aquisição de material.
Quanto custa o túnel subterrâneo e de onde vem o dinheiro
O montante de R$ 20 milhões será dividido entre recursos do governo do estado de Santa Catarina e da prefeitura de Xanxerê. Para um município do interior catarinense, o montante representa comprometimento orçamentário expressivo, mas a administração considera que o custo se justifica diante dos prejuízos acumulados ao longo de anos de enchentes que afetam comércio, patrimônio residencial e serviços públicos na região central. Cada evento de alagamento gera perdas materiais e custos de limpeza que, somados, superam o valor dos explosivos e da engenharia necessários para perfurar os 943 metros de rocha.
A previsão da prefeitura é concluir a etapa de escavação do túnel subterrâneo em aproximadamente 14 meses, cronograma que depende do ritmo dos explosivos e das condições geológicas encontradas à medida que a perfuração avançar pelo maciço. Após a escavação, ainda será necessário executar o poço vertical de captação no centro da cidade e o canal aberto de 125 metros que conectará o desemboque ao Rio Xanxerê, etapas complementares cujo prazo não foi detalhado pela administração. A conclusão completa do sistema de macrodrenagem deve levar mais tempo do que os 14 meses previstos apenas para a perfuração.
O que muda para Xanxerê quando o túnel subterrâneo estiver pronto
Se funcionar conforme o projetado, o túnel subterrâneo eliminará o principal fator que torna a área central de Xanxerê vulnerável a alagamentos. A água que hoje desce dos bairros mais altos e se acumula nas ruas do centro será captada pelo poço vertical e conduzida por quase 1 km de rocha até o Rio Xanxerê, percurso subterrâneo que a afasta das vias urbanas antes que ela cause dano. O impacto vai além da prevenção de enchentes: redução de riscos à saúde pública por contaminação de água parada, preservação do asfalto que hoje é danificado pela força da correnteza e valorização imobiliária de uma região que perdeu atratividade justamente pela recorrência dos alagamentos.
A obra é descrita pela administração como aguardada pela comunidade há anos, e sua execução representa mudança concreta na qualidade de vida dos moradores da área central. O túnel subterrâneo de R$ 20 milhões de Xanxerê prova que soluções de engenharia de grande porte não são exclusividade de capitais: cidades do interior com problemas crônicos de enchentes podem recorrer a infraestrutura pesada quando as alternativas convencionais se esgotam. O desafio agora é cumprir o cronograma e entregar o sistema funcionando antes que a próxima temporada de chuvas intensas chegue ao Oeste catarinense.
E você, mora em Xanxerê ou em cidade com problema parecido de enchentes? Acha que o túnel subterrâneo vai resolver de verdade ou é mais uma obra que vai demorar? Deixe sua opinião nos comentários.


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