1. Início
  2. Energia Renovável
  3. China volta a usar carvão para gerar energia com 21 GW em novas usinas, maior avanço desde 2016, ameaçando metas climáticas globais
Faça um comentário 3 min de leitura

China volta a usar carvão para gerar energia com 21 GW em novas usinas, maior avanço desde 2016, ameaçando metas climáticas globais

Imagem de perfil do autor Maria Heloisa Barbosa Borges
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 25/08/2025 às 16:01
Apesar de recordes em renováveis, China volta a usar carvão para gerar energia e compromete promessa de Xi Jinping de cortar consumo até 2030.
Apesar de recordes em renováveis, China volta a usar carvão para gerar energia e compromete promessa de Xi Jinping de cortar consumo até 2030.
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo
Prefira o CPG no Google

China volta a usar carvão para gerar energia mesmo com avanço das renováveis. Relatório mostra que a China volta a usar carvão para gerar energia em ritmo acelerado, colocando em risco metas climáticas e compromissos internacionais.

A China volta a usar carvão para gerar energia em volumes que surpreendem especialistas, mesmo após atingir recordes na instalação de fontes renováveis. Segundo relatório do Centro de Pesquisa em Energia e Ar Limpo (CREA) e do Global Energy Monitor (GEM), divulgado pelo jornal O Povo, o país colocou em operação 21 gigawatts (GW) de novas usinas a carvão apenas no primeiro semestre de 2025, maior número desde 2016.

Embora as energias solar e eólica estejam crescendo em ritmo histórico, o carvão ainda responde por quase metade da matriz elétrica chinesa, colocando em dúvida a meta de atingir o pico de emissões até 2030.

Por que a China volta a usar carvão para gerar energia?

O relatório aponta que a China volta a usar carvão para gerar energia por razões ligadas à segurança energética e à pressão de grupos econômicos poderosos do setor. Houve também um aumento expressivo de novos licenciamentos em 2022 e 2023, quando o sistema elétrico enfrentava dificuldades para absorver a rápida expansão das fontes renováveis.

Além disso, a China retomou ou iniciou a construção de 46 GW de novos projetos a carvão, o equivalente a toda a capacidade instalada desse tipo de energia na Coreia do Sul, e apresentou outros planos que somam mais 75 GW. Esse ritmo preocupa especialistas que veem risco de dependência prolongada do combustível fóssil.

Avanço das energias renováveis não freia o carvão

Apesar da escalada do carvão, a China segue líder mundial em renováveis. Apenas no primeiro semestre de 2025, o país instalou 212 GW de energia solar, número que supera sozinho a capacidade total dos Estados Unidos até o final de 2024.

Mesmo assim, a velocidade das térmicas a carvão ameaça comprometer a transição energética. Isso porque novas usinas, uma vez construídas, tendem a operar por décadas, travando espaço para fontes limpas. Analistas destacam que o carvão pode limitar investimentos em energia solar, eólica, hídrica e nuclear.

Metas climáticas em risco

A promessa do presidente Xi Jinping, feita em 2021, era de reduzir progressivamente o consumo de carvão entre 2026 e 2030. No entanto, em 2025, apenas 1 GW de capacidade de carvão foi retirado, quando a meta previa a supressão de 30 GW até o fim do ano.

O relatório alerta que a China volta a usar carvão para gerar energia em escala incompatível com suas metas climáticas. Essa postura pode impactar diretamente a COP30, marcada para novembro em Belém (PA), quando o país deve detalhar compromissos até 2035.

O que esperar para os próximos anos

A China deverá incluir novos objetivos de energia e clima em seu 15º Plano Quinquenal (2026-2030). A expectativa é que o país apresente metas mais claras para equilibrar renováveis e carvão, mas os analistas destacam que a influência do setor carbonífero segue forte.

Se por um lado a transição energética chinesa inspira com a expansão recorde de fontes limpas, por outro, o retorno do carvão sinaliza que os compromissos ambientais podem ser sacrificados em nome da segurança energética e da pressão econômica interna.

O fato de que a China volta a usar carvão para gerar energia mostra o dilema global entre crescimento econômico e responsabilidade climática. O movimento do gigante asiático terá repercussões em todo o mundo, especialmente para países que dependem da cooperação internacional no combate às mudanças climáticas.

Na sua opinião, a China está certa em priorizar o carvão como forma de garantir energia ou deveria acelerar ainda mais o abandono dos combustíveis fósseis? Deixe sua opinião nos comentários.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x