A missão Shenzhou 23 levou três taikonautas à Tiangong e abriu caminho para um feito inédito na estação espacial chinesa: um dos tripulantes deve permanecer um ano em órbita, em uma etapa que reforça os planos da China para a Lua.
A China colocou mais uma peça importante na corrida espacial ao levar três taikonautas para a estação Tiangong e, ao mesmo tempo, preparar um deles para uma permanência de um ano em órbita. A missão foi concluída com acoplamento bem-sucedido poucas horas depois do lançamento e já entra para a lista de marcos recentes do programa espacial chinês.
O detalhe que mais chama atenção é justamente o tempo de permanência previsto para um dos tripulantes. Dois astronautas devem seguir a rotina habitual de cerca de seis meses na estação, mas um deles ficará por 12 meses no espaço, algo que a China ainda não havia feito nesse tipo de missão na Tiangong.
A missão Shenzhou 23 foi recebida como mais um passo da estratégia espacial chinesa, com impactos que vão além da própria estação e alimentam a ambição do país de avançar até a Lua.
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Três taikonautas seguiram para Tiangong em 24 de maio

A missão partiu no dia 24 de maio, quando três taikonautas decolaram a bordo de um foguete Long March rumo à estação espacial Tiangong. O acoplamento ocorreu sem problemas cerca de 3,5 horas depois do lançamento, mostrando mais uma operação rápida e controlada do programa chinês.
Os tripulantes são Zhu Yangzhu, Zhang Zhiyuan e Li Jiaying. Esta última virou a quarta mulher taikonauta do país e também a primeira pessoa de Hong Kong a viajar ao espaço. Antes de entrar para a história espacial chinesa, ela atuava como inspetora de polícia.
O ano em órbita vira teste raro para o corpo humano
Dos três ocupantes, um permanecerá por um ano na estação, enquanto os outros dois devem cumprir a rotina padrão de cerca de seis meses. A permanência mais longa não é inédita no histórico espacial mundial, mas segue sendo um feito importante para a China dentro do próprio programa.
No passado, a NASA já teve astronautas em missões prolongadas. Frank Rubio passou 371 dias a bordo da Estação Espacial Internacional, enquanto Mark Vande Hei ficou 355 dias no espaço. O recorde absoluto citado no material continua com o cosmonauta russo Valeri Polyakov, que passou 437 dias na estação Mir.
Agora, a missão chinesa vai usar essa longa estadia para observar como a microgravidade afeta o corpo humano em períodos estendidos, além de estudar os efeitos psicológicos do confinamento. A ideia é reunir dados que ajudem em futuras missões de longa duração, inclusive as que possam envolver viagens mais ambiciosas no futuro.
Experimentos vão de medicina à física de fluidos
Durante a permanência na Tiangong, a equipe vai conduzir experimentos ligados a medicina, ciência dos materiais, física de fluidos e biologia. O calendário de testes reforça o papel da estação como laboratório orbital da China, com pesquisas que servem tanto para a exploração espacial quanto para o desenvolvimento científico em terra.
O astronauta que ficará um ano em órbita terá participação central nesses estudos, justamente por permitir uma observação mais longa dos efeitos da vida no espaço. Esse tipo de dado é considerado valioso para entender os limites do corpo humano longe da gravidade terrestre.
A corrida espacial chinesa também mira a Lua
Embora a missão tenha destaque próprio, ela também se encaixa numa sequência maior de avanços do programa chinês. O país tem acelerado missões, testes e recordes para fortalecer sua posição entre as grandes potências espaciais.
Nas missões Chang’e, a China já mapeou a Lua, pousou no lado oculto do satélite, coletou amostras e até levou uma semente a germinar em uma biosfera simulada em território lunar. A meta oficial segue sendo um pouso tripulado na Lua em 2030.
Do outro lado da disputa, a NASA tem pouso lunar marcado para 2028. Enquanto isso, cada nova missão à Tiangong ajuda a mostrar que Pequim não está apenas acumulando recordes internos, mas construindo passo a passo a base técnica para ir mais longe.
Com a Shenzhou 23, a China amplia a lista de feitos do seu programa espacial e testa, na prática, até onde pode ir no espaço profundo. Se o plano der certo, o astronauta que vai passar um ano em órbita pode se tornar uma das peças mais importantes dessa nova fase. E você, acha que a disputa pela Lua já virou uma corrida sem volta? Compartilhe a matéria e conte o que pensa.

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