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China vai colocar astronauta para viver um ano em órbita na estação espacial Tiangong e transformar a missão em um teste decisivo para chegar à Lua

Escrito por Noel Budeguer
Publicado em 28/05/2026 às 13:09
Atualizado em 28/05/2026 às 13:14
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A missão Shenzhou 23 levou três taikonautas à Tiangong e abriu caminho para um feito inédito na estação espacial chinesa: um dos tripulantes deve permanecer um ano em órbita, em uma etapa que reforça os planos da China para a Lua.

A China colocou mais uma peça importante na corrida espacial ao levar três taikonautas para a estação Tiangong e, ao mesmo tempo, preparar um deles para uma permanência de um ano em órbita. A missão foi concluída com acoplamento bem-sucedido poucas horas depois do lançamento e já entra para a lista de marcos recentes do programa espacial chinês.

O detalhe que mais chama atenção é justamente o tempo de permanência previsto para um dos tripulantes. Dois astronautas devem seguir a rotina habitual de cerca de seis meses na estação, mas um deles ficará por 12 meses no espaço, algo que a China ainda não havia feito nesse tipo de missão na Tiangong.

A missão Shenzhou 23 foi recebida como mais um passo da estratégia espacial chinesa, com impactos que vão além da própria estação e alimentam a ambição do país de avançar até a Lua.

Três taikonautas seguiram para Tiangong em 24 de maio

Foguete Longa Marcha 2F decola do Centro de Lançamento de Jiuquan, no deserto de Gobi, levando uma nave Shenzhou em missão tripulada rumo à estação espacial chinesa Tiangong.
Foguete Longa Marcha 2F decola do Centro de Lançamento de Jiuquan, no deserto de Gobi, levando uma nave Shenzhou em missão tripulada rumo à estação espacial chinesa Tiangong.

A missão partiu no dia 24 de maio, quando três taikonautas decolaram a bordo de um foguete Long March rumo à estação espacial Tiangong. O acoplamento ocorreu sem problemas cerca de 3,5 horas depois do lançamento, mostrando mais uma operação rápida e controlada do programa chinês.

Os tripulantes são Zhu Yangzhu, Zhang Zhiyuan e Li Jiaying. Esta última virou a quarta mulher taikonauta do país e também a primeira pessoa de Hong Kong a viajar ao espaço. Antes de entrar para a história espacial chinesa, ela atuava como inspetora de polícia.

O ano em órbita vira teste raro para o corpo humano

Dos três ocupantes, um permanecerá por um ano na estação, enquanto os outros dois devem cumprir a rotina padrão de cerca de seis meses. A permanência mais longa não é inédita no histórico espacial mundial, mas segue sendo um feito importante para a China dentro do próprio programa.

No passado, a NASA já teve astronautas em missões prolongadas. Frank Rubio passou 371 dias a bordo da Estação Espacial Internacional, enquanto Mark Vande Hei ficou 355 dias no espaço. O recorde absoluto citado no material continua com o cosmonauta russo Valeri Polyakov, que passou 437 dias na estação Mir.

Agora, a missão chinesa vai usar essa longa estadia para observar como a microgravidade afeta o corpo humano em períodos estendidos, além de estudar os efeitos psicológicos do confinamento. A ideia é reunir dados que ajudem em futuras missões de longa duração, inclusive as que possam envolver viagens mais ambiciosas no futuro.

Experimentos vão de medicina à física de fluidos

Durante a permanência na Tiangong, a equipe vai conduzir experimentos ligados a medicina, ciência dos materiais, física de fluidos e biologia. O calendário de testes reforça o papel da estação como laboratório orbital da China, com pesquisas que servem tanto para a exploração espacial quanto para o desenvolvimento científico em terra.

O astronauta que ficará um ano em órbita terá participação central nesses estudos, justamente por permitir uma observação mais longa dos efeitos da vida no espaço. Esse tipo de dado é considerado valioso para entender os limites do corpo humano longe da gravidade terrestre.

A corrida espacial chinesa também mira a Lua

Embora a missão tenha destaque próprio, ela também se encaixa numa sequência maior de avanços do programa chinês. O país tem acelerado missões, testes e recordes para fortalecer sua posição entre as grandes potências espaciais.

Nas missões Chang’e, a China já mapeou a Lua, pousou no lado oculto do satélite, coletou amostras e até levou uma semente a germinar em uma biosfera simulada em território lunar. A meta oficial segue sendo um pouso tripulado na Lua em 2030.

Do outro lado da disputa, a NASA tem pouso lunar marcado para 2028. Enquanto isso, cada nova missão à Tiangong ajuda a mostrar que Pequim não está apenas acumulando recordes internos, mas construindo passo a passo a base técnica para ir mais longe.

Com a Shenzhou 23, a China amplia a lista de feitos do seu programa espacial e testa, na prática, até onde pode ir no espaço profundo. Se o plano der certo, o astronauta que vai passar um ano em órbita pode se tornar uma das peças mais importantes dessa nova fase. E você, acha que a disputa pela Lua já virou uma corrida sem volta? Compartilhe a matéria e conte o que pensa.

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Noel Budeguer

Sou jornalista argentino baseado no Rio de Janeiro, com foco em energia e geopolítica, além de tecnologia e assuntos militares. Produzo análises e reportagens com linguagem acessível, dados, contexto e visão estratégica sobre os movimentos que impactam o Brasil e o mundo. 📩 Contato: noelbudeguer@gmail.com

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