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China tem plano ambicioso de investir US$ 295 bilhões em inteligência artificial, mas um detalhe da estratégia para dominar o setor pode mudar o equilíbrio da disputa tecnológica global

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 12/06/2026 às 16:15
Atualizado em 12/06/2026 às 16:18
China prepara plano de US$ 295 bilhões para IA, com data centers, chips locais e impacto na disputa tecnológica com os EUA.
China prepara plano de US$ 295 bilhões para IA, com data centers, chips locais e impacto na disputa tecnológica com os EUA.
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Plano bilionário de Pequim para ampliar data centers e priorizar tecnologia local reforça a disputa com os Estados Unidos pela liderança em inteligência artificial, em um cenário marcado por restrições a chips avançados, investimentos recordes e busca por autonomia tecnológica.

A China prepara um plano de cerca de 2 trilhões de iuanes, equivalentes a US$ 295 bilhões, para ampliar sua infraestrutura de inteligência artificial nos próximos cinco anos, segundo reportagem da Bloomberg News citada pela Reuters na terça-feira (09).

A proposta prevê a construção de uma rede nacional de data centers interligados, iniciativa apresentada como parte dos esforços de Pequim para reduzir a distância em relação aos Estados Unidos na corrida global pela IA.

Um dos pontos de maior impacto comercial está na definição dos fornecedores que poderão participar do projeto.

De acordo com a reportagem, a iniciativa deve priorizar empresas chinesas em pelo menos 80% da tecnologia usada nos centros de dados, incluindo chips de inteligência artificial, o que reduziria o espaço de companhias estrangeiras como Nvidia e AMD.

China quer criar rede nacional de data centers

Entre os órgãos envolvidos na elaboração da proposta está a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, uma das principais agências de planejamento econômico da China.

O objetivo em discussão é criar uma estrutura nacional de computação capaz de conectar diferentes regiões do país e sustentar a expansão de aplicações de IA em larga escala.

Pelo desenho relatado pela Bloomberg News, empresas estatais como China Mobile e China Telecom ficariam responsáveis por operar a maior parte dos data centers e garantir a integração da rede.

Esse modelo colocaria a infraestrutura de processamento sob forte participação de companhias controladas pelo Estado chinês, em uma área tratada pelo governo como relevante para a economia digital.

Ainda segundo a reportagem, o projeto permanece em fase inicial de debate.

Dessa forma, valores, fornecedores, desenho técnico e prazos podem sofrer alterações antes de uma decisão final do governo chinês.

A proposta indica que Pequim pretende ampliar a capacidade própria de processamento e reduzir a dependência de tecnologias estrangeiras em uma área cada vez mais associada a serviços digitais, indústria, pesquisa e segurança.

Tecnologia local ganha espaço na estratégia chinesa

A prioridade dada a fornecedores domésticos coloca a Huawei Technologies entre as empresas que podem ter papel relevante no plano chinês.

A companhia é citada como uma das principais candidatas a fornecer parte da tecnologia dos centros de dados, em um contexto de restrições impostas pelos Estados Unidos ao acesso da China a chips avançados.

A escolha de fornecedores locais envolve mais do que a compra de equipamentos para novas instalações.

Data centers de IA dependem de chips, servidores, redes, energia, softwares e sistemas capazes de processar grandes volumes de dados com eficiência e estabilidade operacional.

Ao buscar maior participação de empresas nacionais nessa cadeia, Pequim tenta reduzir vulnerabilidades externas e fortalecer fornecedores locais, segundo a lógica apresentada nas medidas chinesas voltadas à autossuficiência tecnológica.

Esse movimento, no entanto, ocorre em um mercado no qual companhias estrangeiras ainda ocupam posições relevantes em áreas como semicondutores avançados, ecossistemas de software e equipamentos de alta performance.

A Reuters informou em novembro de 2025 que a China passou a orientar projetos de data centers com financiamento estatal a usar chips de IA fabricados no país.

A medida atingiria principalmente projetos novos ou ainda em estágio inicial, enquanto iniciativas mais avançadas seriam avaliadas caso a caso.

Estados Unidos ampliam investimentos em inteligência artificial

A iniciativa chinesa aparece em um momento em que grandes empresas de tecnologia dos Estados Unidos ampliam investimentos em infraestrutura voltada à IA.

Segundo a reportagem citada pela Reuters, companhias americanas devem gastar mais de US$ 700 bilhões neste ano para financiar planos de expansão ligados à inteligência artificial.

Esse volume ajuda a explicar por que a disputa envolve não apenas modelos de linguagem, aplicativos ou sistemas conversacionais.

Na prática, a competição também depende da capacidade de construir data centers, obter energia, acessar chips avançados e operar sistemas de grande escala.

Nos Estados Unidos, empresas como Nvidia, AMD, Microsoft, Google, Amazon e Meta aparecem entre os principais atores do ecossistema de IA.

No caso chinês, o governo busca coordenar empresas estatais, fabricantes locais de chips e grupos privados para desenvolver uma estrutura menos dependente de tecnologia estrangeira.

Mesmo diante das restrições impostas por Washington, a Nvidia ainda tenta preservar espaço entre clientes chineses.

Em junho de 2026, a Reuters informou que a companhia começou a apresentar a clientes da China o processador Vera, em uma tentativa de manter presença no país após a queda de participação causada por controles de exportação e pela pressão chinesa por autossuficiência.

Data centers ganham peso na disputa tecnológica global

A construção de centros de dados passou a ocupar posição relevante na economia digital porque sistemas de IA exigem grande capacidade de processamento.

Modelos generativos, robôs humanoides, computação quântica e aplicações industriais dependem de infraestrutura robusta para treinamento, armazenamento e operação contínua.

O novo plano quinquenal da China já havia indicado a intenção de acelerar a adoção de IA na segunda maior economia do mundo.

A estratégia também inclui o desenvolvimento de tecnologias emergentes, como computação quântica e robôs humanoides, áreas que Pequim relaciona a produtividade, segurança tecnológica e competitividade global.

Com data centers interligados em diferentes regiões, o governo chinês poderia distribuir cargas de processamento conforme a disponibilidade de energia e capacidade computacional.

Esse tipo de rede, porém, exige integração técnica complexa, fornecimento estável de equipamentos e coordenação entre operadores, fabricantes e órgãos responsáveis pela política industrial.

Especialistas do setor de semicondutores apontam que chips chineses avançaram nos últimos anos, mas ainda enfrentam desafios em desempenho, escala de produção e ecossistema de software.

Essas limitações são relevantes porque parte das soluções líderes usadas por empresas americanas combina hardware avançado, ferramentas de programação e suporte técnico já consolidados.

Plano ainda depende de decisão oficial

China Mobile, China Telecom e a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma não responderam imediatamente aos pedidos de comentário da Reuters.

A falta de manifestação oficial mantém parte do plano condicionada às informações atribuídas pela Bloomberg News a fontes familiarizadas com o assunto.

A disputa tecnológica entre China e Estados Unidos continua influenciando decisões de investimento, regras de exportação e escolhas de fornecedores no setor de inteligência artificial.

À medida que governos tratam a IA como infraestrutura de interesse econômico e estratégico, empresas passam a operar em cadeias de fornecimento mais afetadas por regras nacionais, controles comerciais e prioridades industriais.

Caso seja confirmado nos termos relatados, o plano de US$ 295 bilhões representaria uma expansão significativa da infraestrutura chinesa de data centers.

A iniciativa também ampliaria a tentativa de Pequim de construir uma base própria para inteligência artificial, com menor participação de fornecedores estrangeiros em uma das áreas mais disputadas da tecnologia global.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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