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China remove bilhões de toneladas de areia do deserto e cria floresta com palha, sal derretido a 540 °C e painéis solares que irrigam 200 mil árvores no meio de um dos lugares mais inóspitos da Terra

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 11/01/2026 às 00:20
Atualizado em 23/01/2026 às 14:01
Assista o vídeoChina avança no controle da desertificação ao combinar palha, irrigação e energia solar para criar cinturões verdes no deserto de Taklamakan.
China avança no controle da desertificação ao combinar palha, irrigação e energia solar para criar cinturões verdes no deserto de Taklamakan.
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Projeto chinês combina contenção de dunas, reflorestamento e energia solar em região extrema do deserto de Taklamakan, com impactos ambientais, logísticos e científicos monitorados há décadas por autoridades e pesquisadores.

A China vem promovendo, ao longo de décadas, uma ampla intervenção ambiental em áreas do deserto de Taklamakan, na região de Xinjiang, combinando técnicas de contenção de dunas, plantio de vegetação adaptada a condições extremas e sistemas de irrigação associados à infraestrutura local.

As ações integram um programa nacional lançado em 1978 para conter o avanço da desertificação no norte do país, frequentemente chamado de “Grande Muralha Verde”, com previsão de conclusão em 2050.

No Taklamakan, considerado um dos maiores desertos de areia do mundo, o foco tem sido a criação de faixas de vegetação destinadas a estabilizar o solo e proteger estradas, oleodutos e assentamentos humanos.

Em novembro, veículos da imprensa estatal chinesa e agências internacionais noticiaram a conclusão de um cinturão verde de aproximadamente 3.000 quilômetros ao redor do deserto, resultado de sucessivas etapas de plantio e manejo ambiental realizadas ao longo de várias décadas.

Condições extremas do deserto de Taklamakan e planejamento ambiental

O Taklamakan é conhecido pelas temperaturas elevadas no verão, pelo frio intenso no inverno e pela ocorrência frequente de tempestades de areia.

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Esses fatores dificultam tanto a permanência humana quanto a execução de obras de infraestrutura, além de tornarem o estabelecimento de vegetação dependente de intervenções constantes.

Diante desse cenário, o governo chinês passou a adotar políticas de longo prazo voltadas à revegetação e ao controle de dunas, articuladas com outros programas ambientais.

O chamado Programa de Cinturões Florestais das Três Regiões do Norte tem como objetivo reduzir a erosão do solo e diminuir a propagação de poeira em direção a centros urbanos, especialmente no norte do país.

Técnica do tabuleiro de xadrez com palha para fixação de dunas

Entre as técnicas empregadas está o método conhecido como “tabuleiro de xadrez” de palha.

Nesse sistema, feixes do material são parcialmente enterrados na areia, formando quadrículas que reduzem a velocidade do vento ao nível do solo.

O procedimento ajuda a estabilizar dunas móveis e criar condições iniciais para o plantio de mudas e arbustos resistentes à seca.

Segundo estudos técnicos amplamente citados na literatura chinesa, a palha também contribui para a retenção temporária de umidade.

Ao se decompor, o material aumenta o teor de matéria orgânica do solo superficial.

Esse processo é considerado uma etapa preliminar antes da introdução de espécies vegetais adaptadas a ambientes áridos.

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Rodovia do deserto e cinturão verde de proteção

Um dos projetos mais conhecidos da região é a rodovia que atravessa o deserto de Taklamakan, ligando áreas ao norte e ao sul da bacia do Tarim.

A estrada começou a ser construída em 1993 e foi inaugurada em 1995, reduzindo significativamente as distâncias de transporte na região.

Fontes oficiais descrevem o eixo principal com cerca de 522 quilômetros de extensão, embora números maiores apareçam quando são incluídos trechos complementares.

Com o passar do tempo, ficou evidente que o asfalto, isoladamente, não seria suficiente para resistir ao avanço das dunas.

Por essa razão, foi implantado um cinturão de proteção vegetal ao longo do traçado.

Pesquisas acadêmicas descrevem esse corredor verde como uma faixa contínua de aproximadamente 436 quilômetros, criada para reduzir o soterramento da estrada e diminuir os custos de manutenção.

Irrigação no deserto e desafios hídricos

A presença de vegetação em um ambiente tão seco depende de irrigação regular, o que levou à perfuração de poços e à instalação de sistemas de gotejamento subterrâneo.

Estudos científicos sobre o cinturão do Taklamakan apontam a existência de mais de uma centena de poços utilizados para esse fim, com diferentes fontes de energia ao longo do tempo.

De acordo com esses levantamentos, parte do bombeamento é realizada com painéis solares.

Outros trechos ainda dependem de eletricidade da rede ou de motores a diesel, especialmente em fases anteriores do projeto.

Pesquisadores ressaltam que o sistema não é homogêneo do ponto de vista energético, apesar do avanço gradual de soluções renováveis.

A disponibilidade de água também é apontada como um dos principais pontos sensíveis do projeto.

Artigos científicos analisam o uso de água subterrânea com níveis elevados de salinidade.

Os estudos discutem os efeitos desse recurso sobre o solo e sobre a sustentabilidade da vegetação a longo prazo.

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Os trabalhos indicam que o modelo pode funcionar, desde que haja monitoramento constante para evitar salinização excessiva e esgotamento do lençol freático.

Energia solar no noroeste da China e associação de projetos

Narrativas populares sobre o Taklamakan costumam associar a transformação do deserto a grandes usinas solares com torres centrais, espelhos móveis e armazenamento térmico em sal fundido aquecido a cerca de 540 °C.

Existem projetos desse tipo em operação ou em fase de testes no noroeste da China, com potência em torno de 50 megawatts, conforme bases de dados internacionais do setor energético.

No entanto, a documentação pública disponível não confirma que essas usinas específicas estejam localizadas exatamente no interior do Taklamakan.

Também não há confirmação de que façam parte direta do sistema de irrigação do cinturão vegetal da rodovia do Tarim.

Especialistas em energia observam que conteúdos de divulgação frequentemente combinam informações de projetos distintos, situados em regiões áridas diferentes, sob uma mesma narrativa.

Dados oficiais sobre reflorestamento e cobertura vegetal na China

Apesar das imprecisões presentes em algumas versões mais simplificadas do tema, há números amplamente divulgados por fontes oficiais e por organismos internacionais sobre a expansão florestal na China.

Relatórios recentes indicam que o país plantou árvores em escala de dezenas de milhões de hectares desde o fim da década de 1970.

Segundo balanços citados por agências internacionais, a cobertura florestal chinesa passou de cerca de 10% em 1949 para mais de 25% ao final de 2023.

No caso específico do Taklamakan, autoridades destacam o cinturão verde ao redor do deserto como parte da estratégia de contenção da desertificação e proteção de áreas sensíveis.

Críticas ambientais e riscos da monocultura

Ao mesmo tempo, pesquisadores e ambientalistas têm apontado limitações nesses projetos de reflorestamento em larga escala.

Uma das críticas recorrentes diz respeito ao uso de poucas espécies de rápido crescimento.

Segundo especialistas, essa escolha pode aumentar a vulnerabilidade a pragas, doenças e eventos climáticos extremos.

Outros estudos ressaltam que, em regiões extremamente áridas, o plantio intensivo pode exigir volumes de água difíceis de manter no longo prazo.

No caso do cinturão do Taklamakan, análises acadêmicas discutem o equilíbrio entre a estabilização das dunas e os impactos potenciais sobre recursos hídricos subterrâneos.

Os pesquisadores indicam que os benefícios e os riscos precisam ser avaliados de forma contínua, à medida que o projeto avança.

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Lesiba Lebelo
Lesiba Lebelo
18/01/2026 07:50

Chinese research and development at its best, always ahead of others on technology 👌

Sajjad Ali
Sajjad Ali
17/01/2026 05:49

Wonderful idea if that’s potentially implementable. We are also working for a programme shouldn’t be as challenging as this, in a different area cover alpine and subalpine trees.

Liz
Liz
16/01/2026 13:33

That’s a nice idea,improve your own resources, and refrain from invading others land

Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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