Com 11 eixos e motor de 566 quilowatts, a máquina da XCMG levanta o equivalente a 40 ônibus de uma só vez e já instalou a primeira turbina eólica a 162 metros de altura
A fabricante chinesa XCMG apresentou ao mundo o XCA4000 — o maior guindaste sobre rodas já construído pela humanidade.
Segundo comunicado oficial da XCMG Global, a máquina tem capacidade de içamento de 4.000 toneladas e consegue erguer 230 toneladas a 170 metros de altura.
Para ter uma dimensão, 4.000 toneladas é o peso de aproximadamente 40 ônibus urbanos empilhados.
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Além disso, o guindaste se move sobre 11 eixos com pneus industriais pesados, permitindo que se desloque por estradas comuns até o local da obra.
Motor V8 de 566 kW, lança telescópica de 86 metros e mais de uma dúzia de sensores de segurança
O XCA4000 não é apenas grande — é tecnologicamente sofisticado. Conforme detalhou o Cranepedia, ele usa um motor diesel Weichai V8 turbo de 566 kW com torque máximo de 3.000 Nm.
A lança telescópica principal tem seis seções e alcança de 22,5 a 86 metros. Com extensões especiais para energia eólica, chega a 110 metros.
Portanto, em sua configuração máxima, a ponta da lança fica mais alta que um prédio de 35 andares.
O sistema de contrapeso modular inclui uma estrutura de 20 toneladas, cestas de 10 toneladas e blocos adicionais que se combinam conforme a necessidade do içamento.
Sobretudo, a máquina conta com mais de uma dúzia de sensores distribuídos pela lança que detectam e eliminam riscos de segurança em tempo real.
- Capacidade de içamento: 4.000 toneladas
- Altura máxima de içamento: 170 metros (com 230 t)
- Eixos: 11
- Motor: Weichai V8, 566 kW, 3.000 Nm
- Lança telescópica: até 86 m (110 m com extensão eólica)
- Fabricante: XCMG (Xuzhou, China)
- Primeiro içamento: março 2024, Hengshui (China)

O primeiro teste: turbina eólica de 130 toneladas erguida a 162 metros
Em março de 2024, o XCA4000 completou seu primeiro içamento real em um parque eólico de 200 MW em Jing County, Hengshui.
Segundo a PR Newswire, ele ergueu em sequência uma nacele de 130 toneladas, um cubo de roda de 40 toneladas e três pás de 95 metros pesando 28 toneladas cada — tudo a 162 metros de altura.
Nesse sentido, o guindaste montou uma turbina eólica completa em uma única operação contínua.
Da mesma forma, a operação validou que a máquina pode trabalhar em condições reais de campo — não apenas em testes controlados de fábrica.

Por que o mundo precisa de guindastes de 4.000 toneladas: as turbinas estão ficando gigantes
Contudo, a existência do XCA4000 não é um capricho de engenharia. Há uma razão prática e urgente.
As turbinas eólicas estão crescendo rapidamente. Modelos recentes ultrapassam 260 metros de altura — mais altos que a maioria dos arranha-céus.
Consequentemente, os guindastes que existiam até então não conseguiam mais alcançar as alturas necessárias para a instalação.
Igualmente, o peso dos componentes também cresceu. Naceles modernas pesam mais de 100 toneladas, e as pás ultrapassam 90 metros de comprimento.
Dessa forma, o XCA4000 foi projetado especificamente para a próxima geração de energia renovável — onde cada turbina gera mais eletricidade, mas exige máquinas cada vez maiores para ser montada.

A China agora domina não apenas a fabricação de painéis solares, mas também as máquinas que constroem o futuro energético
O XCA4000 reforça uma tendência mais ampla. A China já é a maior fabricante de painéis solares, turbinas eólicas e baterias do mundo.
Agora, com o maior guindaste sobre rodas do planeta, ela também fabrica as máquinas que montam toda essa infraestrutura.
Por outro lado, os concorrentes europeus — como a alemã Liebherr e a holandesa Mammoet — ainda lideram em guindastes sobre esteiras e sistemas de içamento pesado.
Ainda assim, o XCA4000 coloca a XCMG em posição de destaque num mercado que movimenta bilhões por ano.
Será que a próxima geração de parques eólicos no Brasil — onde o governo planeja leilões de eólica offshore em 2026 — será montada por máquinas chinesas?
Além disso, essa tecnologia pode ter implicações diretas para o setor de energia e infraestrutura global. Especialistas do setor apontam que avanços como esse redefinem o que é possível em termos de escala e eficiência.
Nesse sentido, o impacto vai além do projeto em si. Países que investem em inovação de ponta colhem benefícios que se multiplicam em diversas áreas da economia.
Da mesma forma, projetos semelhantes ao redor do mundo demonstram que a corrida por grandes obras de engenharia no mundo está se acelerando em 2026.
Portanto, o que vemos aqui não é um caso isolado — é parte de uma transformação global na forma como a humanidade constrói, gera energia e projeta o futuro.
Sobretudo, é importante considerar o contexto brasileiro. Enquanto outros países avançam com projetos ambiciosos, o Brasil enfrenta seus próprios desafios de infraestrutura e investimento.
Por outro lado, iniciativas como as relacionadas a reajustes de energia no Brasil mostram que há movimento em diversas frentes ao redor do mundo.
Consequentemente, a competição por soluções inovadoras deve se intensificar nos próximos anos, com investimentos bilionários fluindo para pesquisa e desenvolvimento em múltiplos países.
De fato, analistas projetam que o mercado global relacionado a essa tecnologia pode atingir dezenas de bilhões de dólares até o final da década.
Apesar do impressionante primeiro teste, o XCA4000 ainda precisa provar sua confiabilidade em operações repetidas e condições climáticas adversas. Nenhuma máquina desse porte é imune a falhas mecânicas, e o histórico operacional ainda é curto demais para conclusões definitivas.

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