1. Início
  2. Indústria Naval
  3. China dispara na construção naval com alta de 163,2% nos novos pedidos, concentra 81,8% das encomendas globais e já responde por 74,1% dos contratos de navios movidos a energia limpa
Faça um comentário 7 min de leitura

China dispara na construção naval com alta de 163,2% nos novos pedidos, concentra 81,8% das encomendas globais e já responde por 74,1% dos contratos de navios movidos a energia limpa

Imagem de perfil do autor Maria Heloisa Barbosa Borges
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 29/10/2026 às 12:30 Atualizado em 29/10/2026 às 13:01
Google News
China registra alta de 163,2% nos pedidos de navios, concentra 81,8% das encomendas globais e alcança 74,1% do mercado de propulsão limpa.
China registra alta de 163,2% nos pedidos de navios, concentra 81,8% das encomendas globais e alcança 74,1% do mercado de propulsão limpa.
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo
Prefira o CPG no Google

A China registrou alta de 163,2% nos novos pedidos de navios entre janeiro e setembro de 2026, alcançando 81,8% das encomendas mundiais. O país também ficou com 74,1% dos contratos globais de embarcações de propulsão limpa, enquanto entregas e carteira de pedidos cresceram, segundo dados oficiais chineses divulgados em outubro.

A indústria naval da China registrou crescimento de 163,2% nos novos pedidos de navios nos primeiros nove meses de 2026, alcançando 175,29 milhões de toneladas de porte bruto em encomendas. O país concentrou 81,8% do volume contratado mundialmente no período e também ampliou sua presença no mercado de embarcações movidas a energia limpa, respondendo por 74,1% dos novos pedidos globais desse segmento.

Os números foram divulgados pelo Ministério da Indústria e Informatização da China (MIIT) em 23 de outubro e apresentados pela agência estatal Xinhua. Os dados mostram que o crescimento ocorreu nos três principais indicadores da construção naval chinesa: navios entregues, novas encomendas e volume de contratos ainda em carteira.

Novos pedidos de navios na China cresceram 163,2% em nove meses

Foto aérea por drone mostra operários construindo uma embarcação em uma fábrica de construção naval em Nanjing, Província de Jiangsu, leste da China, em 27 de janeiro de 2026. (Foto por Shi Jun/Xinhua)
Foto aérea por drone mostra operários construindo uma embarcação em uma fábrica de construção naval em Nanjing, Província de Jiangsu, leste da China, em 27 de janeiro de 2026. (Foto por Shi Jun/Xinhua)

O indicador que apresentou a maior expansão foi o de novas encomendas recebidas pelos estaleiros chineses.

Entre janeiro e setembro de 2026, os pedidos somaram 175,29 milhões de toneladas de porte bruto, volume 163,2% superior ao registrado no mesmo período de 2025.

O crescimento mostra uma forte expansão da demanda por embarcações produzidas no país. O indicador considera a capacidade de transporte dos navios contratados, não a quantidade individual de unidades encomendadas.

Estaleiros chineses receberam 81,8% das encomendas mundiais

A participação da China no mercado internacional também aumentou.

Segundo os dados oficiais, 81,8% do volume global de novos pedidos de navios nos primeiros três trimestres de 2026 ficou com a indústria chinesa.

Isso significa que, considerando a capacidade em toneladas de porte bruto contratada mundialmente, os estaleiros do país receberam mais de quatro quintos das encomendas.

O resultado reforça a posição chinesa no fornecimento internacional de embarcações comerciais, mercado em que a capacidade de produção e os prazos de entrega são fatores importantes para os compradores.

China entregou 58,05 milhões de toneladas em embarcações até setembro

O crescimento não ficou restrito aos contratos para construção futura.

De janeiro a setembro de 2026, os estaleiros chineses entregaram navios que somaram 58,05 milhões de toneladas de porte bruto, um avanço de 50,7% em comparação com igual período do ano anterior.

As entregas representam embarcações cuja construção foi concluída, diferentemente dos novos pedidos, que correspondem a contratos recebidos pela indústria.

A China respondeu por 63,6% do volume mundial de entregas nos nove primeiros meses do ano, conforme o levantamento do MIIT.

Carteira de pedidos alcançou 399,13 milhões de toneladas

Outro indicador que apresentou crescimento foi a carteira de encomendas ainda mantida pelos estaleiros chineses.

Até o final de setembro de 2026, o setor acumulava 399,13 milhões de toneladas de porte bruto em pedidos, alta anual de 64,8%.

Esse volume representa os contratos registrados na carteira da indústria, incluindo embarcações cuja entrega ainda não havia sido concluída.

A participação chinesa nesse indicador chegou a 72,4% do mercado mundial, segundo o ministério.

Navios de energia limpa já representam uma fatia dominada pela China

A expansão chinesa também aparece no segmento de embarcações projetadas para utilizar sistemas de propulsão mais limpos.

Entre janeiro e setembro de 2026, 74,1% dos novos pedidos globais de navios de propulsão limpa foram destinados à indústria naval chinesa.

A participação aumentou 5,7 pontos percentuais em relação ao primeiro semestre do mesmo ano.

Os números indicam que os estaleiros chineses ampliaram sua presença nesse mercado ao mesmo tempo que o transporte marítimo enfrenta exigências crescentes de redução de emissões.

Renovação da frota mundial ajuda a explicar o aumento dos contratos

O pesquisador especial do Banco Su Shang, Su Zewei, atribuiu a expansão das encomendas a fatores que afetam a indústria marítima internacional.

Entre eles estão a necessidade de substituir embarcações antigas e as regras de descarbonização estabelecidas pela Organização Marítima Internacional (IMO).

Segundo sua avaliação, a renovação da frota global se tornou uma das principais fontes de demanda por novos navios.

O pesquisador também relacionou o crescimento à procura por embarcações de grande porte, impulsionada pela insuficiência de capacidade de transporte marítimo.

Exigências ambientais aumentam a procura por navios menos poluentes

As regras internacionais voltadas à redução de emissões estão influenciando as decisões de investimento no setor marítimo.

Su Zewei observou que o endurecimento gradual das exigências de baixo carbono ampliou a demanda por embarcações que utilizam tecnologias de propulsão mais limpas.

Os fabricantes chineses, segundo o pesquisador, anteciparam investimentos em pesquisa e desenvolvimento tecnológico, o que contribuiu para a obtenção de contratos nesse segmento.

A expansão dos pedidos mostra o crescimento comercial dessas soluções, mas não significa que todas as embarcações encomendadas já estejam construídas ou em operação.

Cadeia industrial completa fortalece a competitividade dos estaleiros chineses

A liderança da China na construção naval não depende apenas de preços competitivos.

Zhong Zhechao, fundador e CEO da Yi Shipping, afirmou, em entrevista ao China Business Journal, que o país lidera o setor mundial há mais de dez anos.

O executivo atribuiu essa posição à formação de uma cadeia de suprimentos completa, desenvolvida ao longo de anos de expansão industrial.

A China conta com capacidade de fornecimento de diferentes categorias de navios comerciais, além de vantagens na disponibilidade de matérias-primas e equipamentos essenciais.

Produção em escala e prazos estáveis atraem armadores

Zhong Zhechao também destacou que os estaleiros chineses oferecem um conjunto de condições que vai além do custo de construção.

Segundo o executivo, a indústria combina produção em grande escala, estabilidade nos prazos, soluções ambientais desenvolvidas e apoio financeiro.

Essa estrutura permite oferecer aos armadores condições integradas para contratar novas embarcações.

Na avaliação de Zhong, a combinação contribui para reduzir riscos associados à tecnologia, ao financiamento e à entrega dos navios.

Governo chinês estabeleceu plano de seis anos para a construção naval verde

A expansão dos pedidos de embarcações menos poluentes ocorre dentro de uma estratégia industrial anunciada anteriormente pelo governo chinês.

No final de 2023, o país apresentou um plano de seis anos voltado ao desenvolvimento ecológico da construção naval.

O documento estabelece como objetivo criar, até 2030, um sistema de desenvolvimento verde para o setor.

A estratégia prevê ampliar a presença de navios com tecnologias ambientais em todas as categorias disponíveis e levar as soluções chinesas de navegação ecológica a um nível internacional avançado.

O plano também pretende manter a liderança do país no mercado mundial de embarcações verdes.

China já concentrava mais de 68% dos pedidos de navios verdes desde 2023

A participação chinesa no segmento de embarcações de menor impacto ambiental já vinha sendo elevada antes dos resultados de 2026.

Segundo os dados oficiais apresentados, a China manteve participação superior a 68% nos novos pedidos globais de navios verdes entre 2023 e 2025.

Nos nove primeiros meses de 2026, a fatia atingiu 74,1%, conforme os números divulgados pelo MIIT.

O crescimento evidencia a continuidade da concentração de encomendas desse segmento nos estaleiros chineses.

Vale contratou navios chineses capazes de utilizar etanol, metanol e óleo combustível

A presença chinesa no mercado de navios com novas tecnologias de propulsão também envolve uma empresa brasileira.

Em abril de 2026, a mineradora Vale anunciou a assinatura de um contrato de afretamento com a Shandong Shipping, envolvendo embarcações do tipo Guaibamax.

Os navios serão equipados com sistemas de propulsão tri-fuel, preparados para utilizar etanol, metanol e óleo combustível.

O desenvolvimento e a fabricação dessas embarcações ficarão sob responsabilidade de empresas chinesas.

As entregas estão programadas para começar gradualmente a partir de 2029, conforme o anúncio citado.

Uso de etanol pode reduzir emissões em cerca de 90%, segundo estimativa

O contrato envolvendo a Vale também se destaca pela utilização prevista do etanol como combustível principal em embarcações de longo curso.

Segundo informações citadas pela imprensa, o uso de etanol apresenta potencial para reduzir em cerca de 90% as emissões de gases de efeito estufa, quando comparado ao óleo combustível naval convencional.

O percentual representa uma estimativa de redução, não um resultado já verificado na operação dos futuros navios.

A iniciativa é apresentada como a primeira utilização do etanol como combustível principal em embarcações de navegação de longo curso.

Os navios contratados ainda serão desenvolvidos e fabricados, com entregas previstas para começar em 2029.

Indústria naval chinesa encerra setembro com liderança em três indicadores globais

Os resultados consolidados até setembro de 2026 colocam a China na liderança mundial em volume de navios entregues, novos contratos recebidos e encomendas mantidas em carteira.

A indústria respondeu por 63,6% das entregas globais, 81,8% dos novos pedidos e 72,4% da carteira mundial de encomendas, considerando os indicadores em toneladas de porte bruto.

No segmento de propulsão limpa, a participação chegou a 74,1% dos novos pedidos internacionais, acompanhando a expansão da demanda por embarcações com tecnologias de menor emissão.

O próximo marco definido na estratégia chinesa é 2030, prazo estabelecido pelo governo para consolidar o sistema de desenvolvimento verde da indústria naval. Entre os contratos já anunciados, os navios Guaibamax ligados à Vale têm entregas previstas para começar a partir de 2029.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x