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China, o gigante asiático fabricante de painéis solares, carros elétricos e baterias, quer o mundo refém da sua supremacia em minerais críticos e mira fundo do oceano para extrair trilhões de nódulos de níquel, cobre, cobalto e manganês

Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 15/02/2026 às 16:30
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A mineração submarina de minerais avança no centro da estratégia da China: o gigante asiático mira fundo do oceano para extrair trilhões de toneladas de cobre, níquel, cobalto e manganês para dominar cadeias globais e tornar o mundo refém em minerais críticos e operações militares. Entenda os impactos econômicos dessa disputa.
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A mineração submarina de minerais avança no centro da estratégia da China: o gigante asiático mira fundo do oceano para extrair trilhões de toneladas de cobre, níquel, cobalto e manganês para dominar cadeias globais e tornar o mundo refém em minerais críticos e operações militares. Entenda os impactos econômicos dessa disputa.

A nova corrida por minerais já começou — e ela acontece a 4 mil metros de profundidade. A disputa por mineração de minerais estratégicos entrou em uma fase silenciosa, porém decisiva. No centro desse movimento está a China, que mira o fundo do oceano como fonte alternativa de cobreníquel, cobalto e manganês — matérias-primas essenciais para baterias, carros elétricos, painéis solares e tecnologias militares.

O que está em jogo não é apenas economia verde. É poder geopolítico.

Trilhões de nódulos polimetálicos estão espalhados no leito oceânico, principalmente na Zona Clarion-Clipperton, no Pacífico. Esses depósitos concentram volumes comparáveis às maiores reservas terrestres já conhecidas. Controlar essa riqueza pode redefinir o equilíbrio global nas próximas décadas.

Por que cobre, níquel e outros minerais são tão estratégicos?

A demanda por minerais críticos deve mais que dobrar até 2040, segundo projeções da Agência Internacional de Energia (IEA). O crescimento é puxado principalmente pela transição energética.

Baterias de veículos elétricos dependem fortemente de níquel e cobalto. Sistemas elétricos e infraestrutura renovável exigem grandes volumes de cobre. Turbinas eólicas, redes inteligentes e armazenamento energético são altamente dependentes desses insumos.

A própria IEA alerta:

“A transição para energia limpa significa uma mudança de um sistema intensivo em combustíveis para um sistema intensivo em minerais.”

No caso da China, essa dependência é ainda mais sensível. O país lidera a fabricação global de painéis solares, veículos elétricos e baterias. Segundo o Centro de Pesquisa em Energia e Ar Limpo (CREA), as indústrias de energia limpa responderam por 40% do crescimento do PIB chinês no último ano.

Ou seja: manter acesso estável a minerais é questão estratégica.

A dependência externa preocupa Pequim

Apesar da força industrial, a China ainda depende da importação de matérias-primas vindas da África do Sul, Gabão, Austrália e República Democrática do Congo.

Instabilidade política, sanções ou tensões com rivais, especialmente os Estados Unidos, podem comprometer o fornecimento.

É nesse cenário que a mineração em águas profundas surge como alternativa. Ao explorar áreas internacionais, longe da soberania de outros países, Pequim busca reduzir vulnerabilidades.

Em 2016, Xi Jinping defendeu a exploração dos “tesouros escondidos” do oceano, sinalizando que o fundo do mar passaria a integrar a estratégia nacional de longo prazo.

O papel da Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos (ISA)

A exploração mineral em águas internacionais é regulada pela Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos (ISA), órgão vinculado à ONU.

Atualmente, a entidade ainda debate as regras para permitir ou restringir a mineração comercial em larga escala. Em reuniões recentes realizadas na Jamaica, entre 29 de julho e 2 de agosto, o tema dividiu países.

De um lado, ambientalistas defendem moratória total. De outro, governos e empresas pressionam por regulamentação que permita exploração controlada.

A China é hoje o maior doador da ISA e ampliou sua influência ao oferecer, em 2020, uma instalação de treinamento em Qingdao. Até o momento, a autoridade concedeu 31 licenças de exploração — cinco delas estão sob controle chinês, mais do que qualquer outro país.

Entre as empresas envolvidas estão:

  • China Ocean Mineral R&D Association
  • China Minmetals
  • Beijing Pioneer Hi-Tech Development

Três licenças cobrem áreas na Zona Clarion-Clipperton, no Pacífico leste. As outras duas ficam no Pacífico ocidental e no Oceano Índico.

Tecnologia submarina: robôs, navios e avanço acelerado

mineração submarina exige robôs capazes de operar a mais de 4.000 metros de profundidade. Em julho, uma equipe da Universidade Jiao Tong de Xangai testou um equipamento que coletou 200 kg de material nessa profundidade.

A mídia estatal destacou o uso de componentes nacionais, sinalizando independência tecnológica.

Embora países como Japão e algumas empresas ocidentais tenham tecnologia avançada, a vantagem chinesa está na capacidade de produção em escala. O país constrói navios, robôs e infraestrutura industrial com rapidez e forte apoio estatal.

Se a exploração comercial for autorizada, a tendência é que a China lidere a produção, impulsionada por sua enorme demanda interna por cobreníquel e outros minerais.

Impactos ambientais: um risco ainda pouco conhecido

O fundo do oceano abriga ecossistemas únicos. Espécies que vivem próximas aos nódulos polimetálicos podem ser severamente afetadas pela atividade extrativa.

Plumas de sedimentos geradas pelos robôs podem se espalhar por quilômetros, alterando habitats e afetando organismos que ainda nem foram totalmente catalogados.

A própria União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) alerta para riscos ambientais significativos e defende abordagem preventiva.

Mesmo sob regulamentação rigorosa, há incertezas científicas relevantes. E o histórico ambiental de mineradoras chinesas em terra firme gera desconfiança adicional.

Preocupação militar e tensão geopolítica

O debate não é apenas ambiental.

Existe receio de que operações de mineração possam servir como fachada para mapeamento submarino com uso estratégico. Informações detalhadas sobre o relevo marinho beneficiam operações de submarinos.

Em 2021, um navio de pesquisa ligado à China Minmetals fez um desvio próximo ao Havaí, onde os Estados Unidos mantêm bases militares importantes.

Enquanto isso, os EUA enfrentam outro desafio: o país não ratificou a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (UNCLOS), o que o exclui das decisões formais dentro da ISA.

Em março, um grupo de ex-funcionários americanos instou o Senado a ratificar o tratado, afirmando que a ausência dos EUA beneficia diretamente a China na definição das regras globais.

O receio de perder espaço estratégico tem mobilizado apoio político em Washington.

A disputa não é exclusividade chinesa.

A canadense The Metals Company planeja solicitar licença comercial à ISA. Seu fundador, Gerard Barron, já declarou:

“A possibilidade da China controlar essa indústria é um motivador muito forte.”

O receio de perder espaço estratégico tem mobilizado apoio político em Washington.

Mineração submarina pode redefinir cadeias globais

A maior preocupação ocidental é clara: quem controlar os minerais críticos, controla a base da indústria de energia limpa.

Hoje, a China já domina etapas essenciais do refino e processamento global de minerais estratégicos, segundo dados do US Geological Survey (USGS). Se consolidar presença no fundo do mar, ampliará ainda mais essa vantagem.

A importância desses minerais para o futuro chinês é frequentemente comparada ao petróleo e gás no século XX.

Estamos diante de uma nova corrida global por minerais críticos

A mineração em águas profundas ainda depende de regulamentação definitiva. Mas a movimentação política, tecnológica e industrial mostra que a disputa já começou.

O fundo do mar virou fronteira estratégica. E a China quer estar na liderança.

A pergunta que fica é: o mundo está preparado para as consequências ambientais, econômicas e militares dessa nova corrida por cobre, níquel e outros minerais?

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Romel Ocampo
Romel Ocampo
17/02/2026 14:35

El desarrollo tecnológico de China le permite liderar áreas mineras estratégicas, la explotación del fondo del mar permitira el desarrollo de su economía social y militar, asunto que pocos países pueden lograrlo.

Gonzalo
Gonzalo
17/02/2026 09:57

Cómo mucho otros artículos, dejan a China como el malo de la película. Sabemos que EEUU., ya no respeta ni las mismas normas de la EPA. Se adueña criminalmente de recursos ajenos. Los artículos que se publican, deben ser equilibrados

Juan
Juan
17/02/2026 08:32

Evidentemente el artículo enfoca el asunto de manera sesgada e intencionalmente dice que China busca explotar los minerales “con el fin de dominar las cadenas de suministro globales y mantener al mundo a merced de minerales críticos y operaciones militares.”
¿ Acaso EU, India, La Unión Europea no desarrollan tecnologías para explotar minerales y recursos que poseen para su propio desarrollo? Ah , Pero si los no lo hacen para ” dominar en el mundo” . China es el unico, verdad?

Flavia Marinho

Flavia Marinho é Engenheira pós-graduada, com vasta experiência na indústria de construção naval onshore e offshore. Nos últimos anos, tem se dedicado a escrever artigos para sites de notícias nas áreas militar, segurança, indústria, petróleo e gás, energia, construção naval, geopolítica, empregos e cursos. Entre em contato com flaviacamil@gmail.com ou WhatsApp +55 21 973996379 para correções, sugestão de pauta, divulgação de vagas de emprego ou proposta de publicidade em nosso portal.

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