Cooperação espacial entre China e Brasil ganha destaque com satélites usados no monitoramento ambiental, integração internacional e projetos ligados à estação Tiangong, em meio à ampliação de parcerias tecnológicas e à busca por dados mais precisos sobre florestas, cidades e recursos naturais.
A China voltou a destacar a parceria espacial com o Brasil ao citar o Programa CBERS, iniciativa sino-brasileira de sensoriamento remoto usada no monitoramento ambiental e em levantamentos sobre mudanças na cobertura terrestre, inclusive na Amazônia Legal.
A declaração foi feita pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Guo Jiakun, durante coletiva realizada na sexta-feira, 24 de abril de 2026, em meio às ações oficiais relacionadas ao Dia Espacial da China.
Segundo Guo, o Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres representa um exemplo de cooperação internacional com aplicação direta em temas ambientais, já que suas imagens ajudam no acompanhamento de florestas tropicais e de outras áreas sensíveis na América do Sul.
-
Starlink deixa de vender antenas para consumidores dos Estados Unidos, Canadá e México, e passa a cobrar aluguel mensal do equipamento em nova estratégia para internet via satélite
-
Com painéis solares em uma a cada três casas, Austrália acelera corrida das baterias domésticas, conecta mais de 1.000 unidades por dia e mostra como famílias podem armazenar energia do telhado para fugir dos picos caros de eletricidade à noite
-
Até 1,35 milhão de litros de água, 33 motores e uma placa de aço que poderia derreter: SpaceX criou em Boca Chica um dilúvio artificial para impedir que o Starship destrua a própria base no lançamento
-
Uma bactéria comum em laboratórios foi usada por cientistas para transformar parte da garrafa PET em vanilina, o composto associado ao aroma e ao sabor de baunilha.
“A China assinou acordos de cooperação espacial com muitos países africanos, e há 10 pinturas de jovens africanos na estação espacial Tiangong; o Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres ajuda a proteger as florestas tropicais da América do Sul; astronautas paquistaneses estão prontos para seguir rumo à estação espacial chinesa ao lado de astronautas chineses”, afirmou Guo.
Parceria espacial entre Brasil e China

A menção ao Brasil ocorreu em uma fala mais ampla sobre a política espacial chinesa e sobre a intenção de Pequim de apresentar seus programas orbitais como instrumentos de cooperação científica, tecnológica e diplomática com diferentes regiões do mundo.
No caso brasileiro, o ponto central da parceria é o Programa CBERS, criado a partir de uma cooperação técnico-científica entre os dois países para desenvolver satélites de observação da Terra e ampliar a autonomia nacional em sensoriamento remoto.
O programa permitiu ao Brasil ingressar no grupo de países capazes de gerar dados primários de sensoriamento remoto, condição considerada estratégica para monitorar um território extenso, com biomas diversos e desafios ambientais de grande escala.
Essas informações são importantes porque reduzem a dependência de imagens obtidas exclusivamente por sistemas estrangeiros e fortalecem a capacidade técnica de instituições brasileiras envolvidas em pesquisa, gestão territorial, monitoramento ambiental e planejamento público.
CBERS no monitoramento da Amazônia Legal
As imagens produzidas pela série CBERS são aplicadas em áreas como controle do desmatamento, identificação de queimadas, monitoramento de recursos hídricos, atividades agrícolas, expansão urbana e análise do uso do solo.
Na Amazônia Legal, os dados de satélite ajudam a acompanhar alterações na vegetação e servem como apoio para estudos, alertas e políticas públicas voltadas à proteção ambiental, especialmente quando combinados com outros sistemas operados no Brasil.
O monitoramento da região envolve bases diferentes, como Prodes e Deter, mantidas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, que produzem estimativas anuais de desmatamento e alertas para orientar ações de fiscalização ambiental.
Nesse conjunto, o CBERS amplia a oferta de imagens disponíveis e contribui para que órgãos públicos, pesquisadores e instituições parceiras analisem mudanças no território com dados obtidos de forma regular por sensores embarcados em satélites.
Além do uso ambiental, as informações geradas pelo programa também apoiam estudos sobre agricultura, recursos naturais, crescimento de cidades, mapeamento de áreas degradadas, infraestrutura, educação científica e acompanhamento de transformações no espaço urbano.
Dados avançados e novas missões do CBERS
A cooperação entre Brasil e China também avançou para novas etapas da série CBERS, incluindo projetos voltados ao uso de tecnologias mais robustas para observação da Terra em condições que limitam o desempenho de sensores ópticos tradicionais.
Em 2025, o governo brasileiro promulgou o protocolo complementar para o desenvolvimento conjunto do CBERS-6, missão prevista para fornecer dados estratégicos sobre desmatamento, queimadas, fronteiras, recursos hídricos, vegetação, áreas costeiras e agricultura.

A nova missão é apresentada por órgãos brasileiros como complementar às missões ópticas anteriores, com a vantagem de operar durante o dia e à noite e de observar áreas mesmo sob nuvens, brumas, fumaça ou chuva.
Essa capacidade é relevante para o monitoramento ambiental porque parte expressiva do território brasileiro enfrenta períodos de grande cobertura de nuvens, especialmente em regiões tropicais, o que pode dificultar imagens obtidas por sensores convencionais.
Ao incorporar tecnologias capazes de superar parte dessas limitações, o programa amplia o alcance das análises sobre o território e reforça o papel dos satélites como ferramenta de apoio à gestão pública e à pesquisa aplicada.
Tiangong e cooperação com outros países
Guo Jiakun também citou a estação espacial Tiangong ao defender que a exploração do espaço não deve ser tratada como uma disputa restrita às grandes potências, mas como uma área de colaboração entre diferentes países.
“O espaço não é uma arena para a disputa entre grandes potências. A China continuará a trabalhar com diversos países para promover a cooperação espacial aberta e avançar no esforço comum da humanidade de explorar o espaço sideral”, declarou o porta-voz.
A fala incluiu referências a acordos de cooperação espacial com países africanos, à presença de pinturas feitas por jovens africanos na estação Tiangong e à preparação de astronautas paquistaneses para futuras atividades junto ao programa espacial chinês.
Ao citar esses exemplos, o governo chinês buscou associar sua política espacial a projetos de intercâmbio científico, formação técnica e participação internacional, em um momento de maior visibilidade para sua estação orbital e suas missões tripuladas.
No mesmo contexto, a parceria com o Brasil foi apresentada como uma cooperação com resultados práticos na Terra, especialmente pelo uso de satélites para observar florestas, acompanhar alterações ambientais e gerar dados úteis para políticas públicas.
Satélites e aplicações no território brasileiro
O uso de satélites de observação da Terra se tornou uma ferramenta central para países com grandes extensões territoriais, já que permite acompanhar áreas remotas, identificar padrões de ocupação e produzir séries históricas sobre mudanças ambientais.
No Brasil, esse tipo de tecnologia é especialmente relevante pela combinação de biomas extensos, pressão sobre áreas de floresta, crescimento urbano acelerado, expansão agropecuária e necessidade de monitorar recursos hídricos em diferentes regiões.
As imagens do CBERS integram esse esforço ao oferecer dados que podem subsidiar diagnósticos técnicos, mapas temáticos e análises voltadas a governos, universidades, centros de pesquisa, instituições ambientais e projetos educacionais.
A disponibilidade dessas informações também contribui para formar especialistas em sensoriamento remoto e fortalecer a capacidade nacional de interpretar imagens orbitais, desenvolver metodologias próprias e aplicar dados espaciais em problemas concretos.
Com a continuidade do programa, Brasil e China mantêm uma cooperação que combina desenvolvimento tecnológico, produção de dados ambientais e uso compartilhado de conhecimento científico para observar o território e apoiar decisões públicas.

Seria interessante pesquisar, se possível, a interação entre áreas de mineração e influência sobre recursos hídricos, por exemplo ( as mudanças no regime hidrológico na RPPN da Serra do Caraça e a interação com a Mineração no entorno da Serra do Caraça).