CEO da MAN alerta que caminhões elétricos ainda enfrentam custos até três vezes maiores, mercado europeu abaixo de 310 mil unidades, frota com idade média de 14 anos e gargalos de infraestrutura que podem atrasar metas ambientais até 2030
O CEO da MAN Truck & Bus afirmou que atingir uma alta participação de MAN, caminhões elétricos até 2030 será muito difícil, diante de custos elevados, baixa procura e limitações estruturais que afetam o ritmo da transição no transporte pesado europeu.
A declaração foi feita por Alexander Vlaskamp em entrevista ao Handelsblatt, na qual ele expôs as dificuldades enfrentadas pelo setor de transporte de mercadorias na Europa. Segundo o executivo, há um descompasso entre as metas de redução de emissões e a realidade do mercado.
A União Europeia exige uma redução de 45% nas emissões de veículos pesados até 2030, em comparação com 2019. No entanto, o ritmo de renovação da frota e a hesitação dos operadores têm limitado o avanço da eletrificação.
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Custos elevados limitam adoção de caminhões elétricos
Apesar de reconhecer o potencial dos MAN, caminhões elétricos, Vlaskamp afirma que o principal obstáculo não está na tecnologia disponível. Em determinadas condições, os veículos podem se pagar em menos de três anos, especialmente com energia barata e operações bem estruturadas.
Ainda assim, o custo inicial segue como uma barreira relevante para as empresas de transporte. Um caminhão elétrico custa entre duas e três vezes mais do que um modelo a diesel, o que dificulta decisões de investimento.
O executivo sintetizou essa limitação ao afirmar que muitas empresas desejam migrar para os MAN, caminhões elétricos, mas não possuem capacidade financeira para realizar essa mudança. O cenário é agravado por pressões econômicas e margens apertadas no setor.
Mercado retraído e frota envelhecida ampliam desafios
Outro fator que contribui para a lenta adoção é o estado atual do mercado europeu de caminhões. O volume caiu para menos de 310.000 emplacamentos, número considerado abaixo do necessário para o funcionamento saudável da indústria.
Na avaliação de Vlaskamp, o setor deveria operar entre 380.000 e 400.000 unidades anuais para manter um ritmo mais equilibrado. A retração do mercado afeta diretamente a renovação da frota e o avanço dos MAN, caminhões elétricos.
Além disso, a idade média dos caminhões na Europa chegou a cerca de 14 anos. Esse dado indica que muitas empresas estão prolongando a vida útil dos veículos, adiando a substituição por modelos mais modernos e menos poluentes.
Infraestrutura de carregamento é gargalo central
A infraestrutura de carregamento é apontada como um dos principais entraves para a expansão dos MAN, caminhões elétricos. Segundo o CEO, o problema não é a falta de energia, mas a ausência dela nos locais onde as frotas operam.
Bases logísticas, corredores de transporte e centros de distribuição ainda enfrentam limitações de acesso à rede elétrica. Em alguns casos, empresas aguardam entre dois e três anos para obter conexão adequada.
Essa limitação compromete a viabilidade operacional dos caminhões elétricos e reduz a confiança das empresas na transição. Mesmo com eletricidade disponível no sistema, a distribuição inadequada impede avanços mais rápidos.
Incentivos e competição internacional entram no cenário
Diante desse cenário, Vlaskamp defende a criação de incentivos públicos para acelerar a renovação da frota. Entre as propostas estão subsídios ligados às emissões de CO2, com apoio de até 50% no preço de compra ou benefícios fiscais.
O executivo também menciona a necessidade de programas de incentivo à retirada de caminhões antigos de circulação. A medida poderia estimular a adoção de MAN, caminhões elétricos e reduzir emissões de forma mais rápida.
Ao mesmo tempo, fabricantes europeus enfrentam crescente pressão internacional. Empresas chinesas, como a BYD, já avançam na Europa Oriental, ampliando a concorrência no mercado de veículos comerciais.
Resultados da MAN e ajustes na produção
A MAN encerrou 2025 com lucro operacional de € 904 milhões e retorno sobre investimento de 6,4%. O desempenho foi impulsionado principalmente pelo segmento de ônibus e pelo crescimento nas vendas de vans.
Apesar disso, a produção de caminhões registrou leve queda, totalizando 63.296 unidades. O resultado reflete o cenário desafiador enfrentado pelo mercado europeu e a menor demanda por veículos pesados.
A empresa também anunciou ajustes em sua estrutura industrial, incluindo a transferência de parte da produção de carrocerias de Munique para Cracóvia. Além disso, foi acordada uma redução do quadro de funcionários na Alemanha.
Mesmo com essas mudanças, a MAN mantém o plano de investir € 1 bilhão em suas fábricas alemãs até 2030. O investimento ocorre em paralelo às incertezas sobre o avanço dos MAN, caminhões elétricos no mercado europeu.

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