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CEO da MAN joga a real: caminhões elétricos ainda custam até 3 vezes mais e meta de 2030 pode não sair do papel

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 18/03/2026 às 12:13
CEO da MAN diz que caminhões elétricos enfrentam custos altos, baixa demanda e infraestrutura limitada, dificultando meta europeia até 2030
CEO da MAN diz que caminhões elétricos enfrentam custos altos, baixa demanda e infraestrutura limitada, dificultando meta europeia até 2030
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CEO da MAN alerta que caminhões elétricos ainda enfrentam custos até três vezes maiores, mercado europeu abaixo de 310 mil unidades, frota com idade média de 14 anos e gargalos de infraestrutura que podem atrasar metas ambientais até 2030

O CEO da MAN Truck & Bus afirmou que atingir uma alta participação de MAN, caminhões elétricos até 2030 será muito difícil, diante de custos elevados, baixa procura e limitações estruturais que afetam o ritmo da transição no transporte pesado europeu.

A declaração foi feita por Alexander Vlaskamp em entrevista ao Handelsblatt, na qual ele expôs as dificuldades enfrentadas pelo setor de transporte de mercadorias na Europa. Segundo o executivo, há um descompasso entre as metas de redução de emissões e a realidade do mercado.

A União Europeia exige uma redução de 45% nas emissões de veículos pesados até 2030, em comparação com 2019. No entanto, o ritmo de renovação da frota e a hesitação dos operadores têm limitado o avanço da eletrificação.

Custos elevados limitam adoção de caminhões elétricos

Apesar de reconhecer o potencial dos MAN, caminhões elétricos, Vlaskamp afirma que o principal obstáculo não está na tecnologia disponível. Em determinadas condições, os veículos podem se pagar em menos de três anos, especialmente com energia barata e operações bem estruturadas.

Ainda assim, o custo inicial segue como uma barreira relevante para as empresas de transporte. Um caminhão elétrico custa entre duas e três vezes mais do que um modelo a diesel, o que dificulta decisões de investimento.

O executivo sintetizou essa limitação ao afirmar que muitas empresas desejam migrar para os MAN, caminhões elétricos, mas não possuem capacidade financeira para realizar essa mudança. O cenário é agravado por pressões econômicas e margens apertadas no setor.

Mercado retraído e frota envelhecida ampliam desafios

Outro fator que contribui para a lenta adoção é o estado atual do mercado europeu de caminhões. O volume caiu para menos de 310.000 emplacamentos, número considerado abaixo do necessário para o funcionamento saudável da indústria.

Na avaliação de Vlaskamp, o setor deveria operar entre 380.000 e 400.000 unidades anuais para manter um ritmo mais equilibrado. A retração do mercado afeta diretamente a renovação da frota e o avanço dos MAN, caminhões elétricos.

Além disso, a idade média dos caminhões na Europa chegou a cerca de 14 anos. Esse dado indica que muitas empresas estão prolongando a vida útil dos veículos, adiando a substituição por modelos mais modernos e menos poluentes.

Infraestrutura de carregamento é gargalo central

A infraestrutura de carregamento é apontada como um dos principais entraves para a expansão dos MAN, caminhões elétricos. Segundo o CEO, o problema não é a falta de energia, mas a ausência dela nos locais onde as frotas operam.

Bases logísticas, corredores de transporte e centros de distribuição ainda enfrentam limitações de acesso à rede elétrica. Em alguns casos, empresas aguardam entre dois e três anos para obter conexão adequada.

Essa limitação compromete a viabilidade operacional dos caminhões elétricos e reduz a confiança das empresas na transição. Mesmo com eletricidade disponível no sistema, a distribuição inadequada impede avanços mais rápidos.

Incentivos e competição internacional entram no cenário

Diante desse cenário, Vlaskamp defende a criação de incentivos públicos para acelerar a renovação da frota. Entre as propostas estão subsídios ligados às emissões de CO2, com apoio de até 50% no preço de compra ou benefícios fiscais.

O executivo também menciona a necessidade de programas de incentivo à retirada de caminhões antigos de circulação. A medida poderia estimular a adoção de MAN, caminhões elétricos e reduzir emissões de forma mais rápida.

Ao mesmo tempo, fabricantes europeus enfrentam crescente pressão internacional. Empresas chinesas, como a BYD, já avançam na Europa Oriental, ampliando a concorrência no mercado de veículos comerciais.

Resultados da MAN e ajustes na produção

A MAN encerrou 2025 com lucro operacional de € 904 milhões e retorno sobre investimento de 6,4%. O desempenho foi impulsionado principalmente pelo segmento de ônibus e pelo crescimento nas vendas de vans.

Apesar disso, a produção de caminhões registrou leve queda, totalizando 63.296 unidades. O resultado reflete o cenário desafiador enfrentado pelo mercado europeu e a menor demanda por veículos pesados.

A empresa também anunciou ajustes em sua estrutura industrial, incluindo a transferência de parte da produção de carrocerias de Munique para Cracóvia. Além disso, foi acordada uma redução do quadro de funcionários na Alemanha.

Mesmo com essas mudanças, a MAN mantém o plano de investir € 1 bilhão em suas fábricas alemãs até 2030. O investimento ocorre em paralelo às incertezas sobre o avanço dos MAN, caminhões elétricos no mercado europeu.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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