Casas modulares ganham espaço na Argentina diante do alto custo da construção tradicional, que varia de R$ 5,1 mil a R$ 9,3 mil por metro quadrado. Modelos básicos de 18 m² chegam por R$ 10,3 mil, enquanto soluções industrializadas podem reduzir custos em até 60% e somam 13 mil obras.
As casas modulares começaram a ocupar espaço maior no mercado habitacional argentino em um momento em que construir pelo sistema tradicional custa entre US$ 1 mil e US$ 1,8 mil por metro quadrado, equivalentes a aproximadamente R$ 5,1 mil e R$ 9,3 mil. Entre as opções disponíveis estão módulos básicos importados, casas-cápsula premium e unidades industrializadas produzidas localmente.
As informações foram publicadas pela Forbes Brasil. O mercado reúne exemplos que vão de uma casa chinesa de 72 m² importada por cerca de US$ 700 por metro quadrado a módulos básicos de 18 m² entregues em Buenos Aires por aproximadamente US$ 2 mil, ou R$ 10,3 mil, enquanto dados da Câmara Argentina de Construção Modular e Industrializada apontam cerca de 13 mil construções industrializadas atualmente em execução no país.
Construção tradicional custa até US$ 1,8 mil por metro quadrado

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O custo da construção convencional varia entre US$ 1 mil e US$ 1,8 mil por m², faixa equivalente a aproximadamente R$ 5,1 mil a R$ 9,3 mil, enquanto os preços denominados em dólares permanecem elevados.
Leticia importou uma casa de 72 m² diretamente da China
Leticia Leites esteve entre as primeiras argentinas a importar uma residência modular chinesa para um condomínio fechado na cidade de Santa Fe.
A casa possui 72 metros quadrados, e o custo final chegou a cerca de US$ 700, ou R$ 3,63 mil, por metro quadrado.
Custo ficou entre 40% e 60% abaixo da construção tradicional

As moradias modulares importadas podem reduzir em até 60% o custo do metro quadrado na comparação com a alvenaria tradicional
O valor pago por Leticia já incluía impostos, certificações alfandegárias, honorários de despachante, seguros, transporte e utilização de guindaste.
Na comparação feita com a construção tradicional na mesma região, o custo ficou entre 40% e 60% menor.
Processo de importação levou sete meses até Santa Fe

O Banco Hipotecario já oferece crédito com taxas específicas para financiar até 100% do valor de moradias industrializadas
A compra não foi imediata.
Entre as primeiras conversas com o representante comercial chinês e a chegada da residência ao porto de Santa Fe, passaram-se sete meses.
Leticia afirmou que a maior dificuldade esteve nos procedimentos de importação, especialmente por conflitos entre normas aplicáveis nos dois países.
Fabricante estima vida útil de 30 anos para o módulo
Leticia classificou a experiência como positiva, mas considera a residência uma solução temporária.
A vida útil estimada pelo fabricante é de 30 anos, e ela pretende futuramente construir uma casa utilizando o sistema tradicional.
Compra coletiva reduz módulo de 18 m² para cerca de R$ 10,3 mil
O empresário de comércio exterior Diego Jerez passou a organizar compras coletivas para reduzir os custos de importação.
Segundo ele, importar individualmente altera significativamente os números, enquanto reunir compradores melhora as condições financeiras da operação.
Jerez tinha cinco contêineres em trânsito, com capacidade aproximada para 16 casas em cada um.
Casa básica de 18 m² custa cerca de US$ 2 mil entregue em Buenos Aires
Dentro desse modelo coletivo, uma unidade básica de 18 metros quadrados entregue em Buenos Aires custa aproximadamente US$ 2 mil, equivalentes a cerca de R$ 10,3 mil, com os custos incluídos.
O próprio empresário, porém, trata a solução como transitória e ressalta limitações técnicas importantes para determinadas regiões.
Módulos básicos não foram calculados para terremotos ou ventos extremos
Jerez afirma que esses módulos não são adequados a qualquer localização.
As unidades não contam com cálculos estruturais específicos para zonas sísmicas nem para regiões sujeitas a ventos extremos, o que exige avaliação antes da instalação.
Casas-cápsula premium partem de R$ 212 mil
A Höli Haus ocupa uma faixa diferente do mercado, com casas-cápsula que chegam completamente montadas da China.
As estruturas possuem aço galvanizado de alta espessura, vidros duplos herméticos, piso radiante elétrico, vaso sanitário inteligente com função de bidê e ar-condicionado integrado.
O modelo de 18,5 m² parte de US$ 41 mil, aproximadamente R$ 212 mil, mais IVA. A versão de 38 m² chega a US$ 69 mil, cerca de R$ 357 mil.
Modelos premium são certificados para regiões sísmicas de Zona 4
As unidades da Höli Haus possuem certificação para regiões sísmicas de até a Zona 4, categoria mais exigente e que inclui a província argentina de San Juan.
Esse nível de especificação técnica aparece como uma das diferenças em relação às opções importadas mais baratas.
Pagamento é dividido em três parcelas e entrega pode levar 120 dias
A Höli Haus trabalha com pagamento dividido em três etapas.
O comprador paga 30% na contratação, 30% depois de 60 dias e os 40% restantes quando a residência chega ao porto argentino.
O prazo máximo previsto para entrega é de 120 dias.
Instalação dispensa laje tradicional de fundação
A casa chega transportada sobre um caminhão de perfil baixo e é retirada por um guindaste.
Depois, fica apoiada sobre blocos de concreto pré-moldado fornecidos pela empresa, sem necessidade de construir uma laje convencional de fundação.
A instalação exige uma tomada de 220 volts, entrada de água e saída de esgoto.
Fabricante argentina monta casas em 60 a 120 dias
A produção nacional também disputa espaço com os módulos importados.
Emilio Munarín, CEO da Attila e representante da Câmara Argentina de Construção Modular e Industrializada na Patagônia, trabalha com casas fabricadas com materiais 100% argentinos.
A montagem leva entre 60 e 120 dias, dependendo do tamanho da residência.
Importados podem custar até 100% menos, mas setor aponta limitações
Munarín reconhece que produtos importados podem apresentar valores entre 50% e 100% menores.
Ele alerta, porém, que determinadas unidades vindas do exterior não contam com cálculos estruturais adequados às diferentes regiões argentinas nem com certificados de aptidão técnica.
O empresário também aponta o atendimento de pós-venda local como uma vantagem das fabricantes instaladas no país.
Prefeituras ainda analisam projetos importados caso a caso
A arquiteta Carla Corea, especialista em regulamentação e gestão, afirma que a viabilidade não depende apenas da origem do material.
Os municípios precisam verificar elementos como ventilação, iluminação, instalações elétricas e demais condições de habitabilidade.
Atualmente, não existe município argentino com uma regulamentação específica voltada às construções modulares importadas, e cada distrito analisa os projetos de acordo com suas próprias exigências.
Córdoba e Mendoza já chegaram a rejeitar essas estruturas
Diego Jerez recorda que alguns municípios de Córdoba e Mendoza inicialmente rejeitavam unidades desse tipo.
Segundo ele, a situação mudou rapidamente. A Höli Haus, por exemplo, já atuou em Bariloche, Comodoro Rivadavia, San Luis, El Calafate, Pinamar e Tigre, enfrentando condições diferentes em cada local.
Casas transportáveis podem ser registradas como bens móveis
A situação registral também difere de uma residência tradicional.
Essas estruturas costumam ser classificadas legalmente como bens móveis, justamente porque podem ser transportadas.
O terreno permanece registrado por escritura, enquanto a residência pode ser tratada como uma benfeitoria, declarada ou não conforme o caso.
Banco Hipotecario financia até 100% das moradias industrializadas
O Banco Hipotecario já oferece uma linha específica de crédito destinada às construções industrializadas.
O financiamento pode cobrir até 100% do valor da residência, sendo contratado em nome da pessoa física.
Os recursos são liberados diretamente para a empresa vendedora, que precisa estar previamente credenciada no programa.
Crédito tem taxa UVA mais 15% e prazo de até 72 meses
A linha funciona com taxa de UVA + 15%.
O prazo máximo para pagamento chega a 72 meses, introduzindo uma alternativa de financiamento para compradores que optem pelo sistema industrializado.
Argentina já possui cerca de 13 mil construções industrializadas em execução
Dados da Câmara Argentina de Construção Modular e Industrializada (CACMI) apontam aproximadamente 13 mil construções industrializadas em execução atualmente no país.
O número mostra um mercado que já avançou além dos projetos isolados, embora ainda não existam dados oficiais consolidados sobre todo o segmento de moradias modulares.
Neuquén cresce com demanda associada a Vaca Muerta
Neuquén aparece entre os mercados mais consolidados para esse modelo construtivo.
A chegada constante de trabalhadores ligados a Vaca Muerta aumentou a necessidade de soluções rápidas, tornando a construção modular uma alternativa utilizada para acompanhar o crescimento local.
A Höli Haus avalia implantar na região um projeto com 50 unidades voltadas ao segmento gerencial.
Sistemas modulares já chegaram a hospitais e instalações na Antártida
A utilização das estruturas industrializadas ultrapassa o setor residencial.
Na Patagônia, onde clima extremo e grandes distâncias encarecem obras convencionais, e também em Córdoba e Mendoza, os sistemas já foram empregados em diferentes tipos de construção.
As soluções chegaram inclusive a hospitais de emergência e instalações científicas na Antártida.
Produção em série acelera moradias, escritórios e infraestrutura
Marcos Galián, produtor-geral da Edifica Neuquén 2026, relaciona o avanço do sistema à necessidade de acompanhar o crescimento das cidades com infraestrutura.
A produção industrializada permite desenvolver, além de residências, escritórios e estabelecimentos comerciais, utilizando processos repetíveis e prazos mais curtos.
Mercado parte de R$ 10,3 mil enquanto construção tradicional chega a R$ 9,3 mil por m²
O mercado argentino de casas modulares ainda é considerado incipiente e não possui estatísticas oficiais consolidadas, mas a demanda já sustenta aproximadamente 13 mil construções industrializadas em execução, segundo a CACMI.
As opções disponíveis partem de módulos básicos de 18 m² por cerca de R$ 10,3 mil, enquanto exemplos importados apresentam redução de até 60% frente à alvenaria tradicional. Ao mesmo tempo, diferenças de certificação, vida útil, regulamentação, clima e resistência estrutural fazem com que preço não seja o único fator envolvido na escolha.
Na sua opinião, casas modulares mais baratas podem se tornar uma alternativa relevante para ampliar o acesso à moradia ou as questões de durabilidade, regulamentação e resistência estrutural ainda pesam mais na decisão? Deixe sua opinião nos comentários.

