Aposentados de Maringá, no Paraná, transformaram a vida ao trocar a rotina por viagens em motorhome: primeiro em Kombi adaptada vendida no fim de 2024, depois em van com placas solares que virou casa minimalista sobre rodas, rumo a Ushuaia em projeto iniciado em 2020 pelo casal viajante a dois.
Em 2020, depois que um dos dez netos descobriu vídeos de viagens em motorhome na internet, o veterinário aposentado Renato Cardoso Machado, de 72 anos, e a administradora Lúcia Moreira Machado, de 68, decidiram desacelerar. O plano era claro desde o começo: transformar a aposentadoria em estrada, com uma casa móvel capaz de cruzar o Brasil sem pressa.
No fim de 2024, após anos rodando o país em uma Kombi de teto alto batizada de Kathita, o casal vendeu o primeiro veículo e concluiu a adaptação de uma van que antes servia à loja de móveis rústicos da família. Agora, a Kathita II virou o novo motorhome da dupla, equipado com energia solar e pronto para a próxima grande meta do roteiro: chegar a Ushuaia, na Argentina, em breve.
Do trabalho fixo à vida sobre rodas

Antes de cair na estrada, Renato construiu carreira como veterinário e servidor público, enquanto Lúcia atuava na área de administração.
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A vida sempre foi marcada por muito trabalho e horários definidos. Hoje, a correria dos dois se resume a arrumar as malas e decidir qual será o próximo destino.
A ideia de viajar em motorhome começou dentro da própria família, quando o neto mostrou vídeos com pessoas vivendo na estrada.
Renato foi pesquisar modelos e decidiu que precisava de conforto básico dentro do veículo, com teto alto e banheiro.
Encontrou a Kombi ideal em Santa Catarina e desenhou, peça por peça, o que seria a primeira casa sobre rodas do casal.
A estreia da Kathita foi na Serra Catarinense, ponto de partida para uma rotina que logo se espalhou por outros estados.
De lá para cá, o motorhome já levou Renato e Lúcia por cidades de Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e pelo próprio Paraná, sempre com o mesmo espírito: viajar devagar, aproveitar a paisagem e colecionar histórias.
No começo, os quatro filhos acharam que tudo não passava de uma ideia maluca. A família nunca teve costume de acampar, e a mudança parecia radical.
Com o tempo, porém, as viagens de motorhome viraram motivo de orgulho. Hoje, filhos e netos se animam com cada nova aventura e querem acompanhar os avós nas próximas rotas.
Como é o motorhome Kathita II por dentro
Com a venda da primeira Kombi no fim de 2024, para um comprador de Campinas, em São Paulo, veio o passo seguinte: adaptar a van que ficava na antiga loja de móveis rústicos.
O resultado foi a Kathita II, um motorhome compacto, solar e pensado para o dia a dia da estrada.
No teto, o casal instalou placas solares que geram energia para os equipamentos domésticos.
Dentro da van, há uma cama de casal improvisada, TV, frigobar, fogão, pia e armários com travas para suportar o balanço das viagens. Tudo foi planejado para caber em pouco espaço, sem abrir mão do essencial.
O banheiro também foi adaptado: conta com chuveiro e pia, além de um vaso sanitário com compartimento para produtos químicos.
Esse sistema ajuda a evitar mau cheiro e permite descartar dejetos em banheiros públicos, sem comprometer o conforto da rotina. Um aquecedor a gás garante água quente no banho, alimentado por um botijão de 13 quilos.
Por trás de cada detalhe está o mesmo princípio: o motorhome precisa ser autossuficiente o bastante para aguentar longos trechos de estrada, com o mínimo possível de dependência de estruturas externas, sem perder a praticidade de uma casa pequena.
Minimalismo, economia de água e rotina na estrada
As malas de Renato e Lúcia carregam apenas o básico. Poucas roupas, poucos acessórios, itens de higiene pessoal e nada de excesso.
Os alimentos são comprados em supermercado e preparados ali mesmo, na cozinha do motorhome. Com o tempo, o casal aprendeu que viver com menos significa aproveitar mais cada parada.
A limitação do reservatório de água também redefiniu os hábitos. A dupla passou a controlar melhor banhos, louça e limpeza, sempre lembrando que a capacidade do motorhome é finita.
Segundo Lúcia, o aprendizado foi natural: a vida na estrada ensina na prática a economizar água e energia.
No planejamento das viagens, existe um roteiro inicial, mas nada é rígido.
Se o clima muda, o trajeto muda junto. O motorhome permite que eles decidam ficar mais ou menos tempo em cada lugar, sair mais cedo ou chegar mais tarde, sem a pressão de passagem comprada ou reserva de hotel.
Para o casal, essa flexibilidade virou o maior luxo da aposentadoria. Como resume Lúcia, viajar em motorhome é a liberdade de seguir conforme o vento sopra e transformar qualquer lugar em destino, desde uma praia movimentada até um interior tranquilo à beira da estrada.
Segurança em primeiro lugar na vida de motorhome
Antes de cada saída, Renato cuida da revisão do motorhome, atento a pneus, freios e parte mecânica. A regra é clara: viajar, de preferência, apenas durante o dia.
Quando a noite chega, eles buscam estacionar em postos de combustível considerados confiáveis ou em campings preparados para receber viajantes.
O casal também se informa com moradores locais sobre condições de segurança, pontos adequados para estacionar e locais a evitar.
Os contatos dos filhos ficam sempre por perto, prontos para serem acionados em caso de qualquer emergência na estrada.
Há outra regra importante: durante o deslocamento, nada de circular dentro do motorhome. Banheiro, cozinha e deslocamentos internos ficam reservados para as paradas, justamente para evitar riscos e possíveis infrações de trânsito.
Na rotina diária, o casal acorda, usa o banheiro, prepara o café da manhã e costuma fazer alongamentos do lado de fora do veículo.
Com tantas experiências novas, os dois contam que acabam dormindo mais no motorhome do que em casa, descansando do cansaço bom das aventuras.
Motorhome como novo estilo de vida e sonho até Ushuaia
Viver em um motorhome acabou se tornando um novo estilo de vida para Renato e Lúcia, muito além de um simples jeito diferente de viajar.
A estrada trouxe novos hábitos, outra forma de olhar para consumo e um contato mais direto com as paisagens naturais do caminho.
O casal passou a adotar um conceito realmente minimalista: abrir mão do supérfluo e manter apenas o que é essencial. Isso vale desde as roupas até os objetos do dia a dia.
Em troca, ganharam mais tempo para desfrutar das belezas naturais e das boas conversas com pessoas que encontram pelo caminho.
Outra consequência das viagens são as amizades que surgem nos postos, campings e estacionamentos.
Viajar de motorhome cria uma espécie de comunidade informal, em que motoristas trocam dicas, ajudam uns aos outros e compartilham histórias de estrada.
Para quem sonha com a mesma experiência, Renato é direto: não dá para esperar o carro perfeito ou a condição ideal para começar.
Segundo ele, é possível adaptar um veículo menor, instalar uma barraca de teto e iniciar roteiros mais curtos, sempre com planejamento e atenção à segurança.
O importante é não deixar o medo vencer.
Com a Kathita II pronta e a aposentadoria reorganizada em torno das viagens, o próximo grande marco já está desenhado no mapa: chegar de motorhome até Ushuaia, no extremo sul do continente, coroando um projeto de vida que nasceu em 2020 e segue, literalmente, conforme o vento decide.
E você, encararia vender o carro, reduzir a bagagem e transformar a sua rotina em uma jornada de viagens em motorhome pelo Brasil e até Ushuaia?

É o meu sonho…mas tenho uma esposa medrosa… 🥹🥹🥹 Que o Bom Deus acompanhe o casal!!!!
Com certeza faria porém tenho uma Kombihome já montada em 2021 , simples e prática porém ainda não foi possível desapegar das coisas e do trabalho, sou aposentado tbem mais ainda trabalho, esse sonho ainda quero ter mesmo que por pequeno período de tempo .
Sim, já estou na Estrada tirando férias com a esposa e um casal de neto.
Muito bom mesmo. Se minha saúde melhorar, esse é o meu objetivo. Parabéns ao casal.