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Casa de pau a pique em Monteiro Lobato ganha forma com bambu e barro do terreno, fundação de pedra e telhado para o vento; trincas são normais, acabamento com cal vira “casa comum”.

Escrito por Carla Teles
Publicado em 03/04/2026 às 18:26
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Casa de pau a pique com bambu e barro do terreno explica trincas e mostra como revestimento com cal dá acabamento de casa comum.
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Nesta casa, o pau a pique usa bambu e barro do terreno com revestimento com cal para enfrentar vento, trinca normal e entregar acabamento de casa comum

A casa de pau a pique que ganha forma em Monteiro Lobato mostra um sonho saindo do papel com um método tradicional, mas com decisões bem atuais. A trama de bambu, o barro do próprio terreno e o cuidado com vento e insolação aparecem como o coração da obra, que busca ser acessível e contemporânea sem perder a essência da bioconstrução.

O projeto desta casa parte de um desafio real: o terreno é inclinado e a construção precisava ser toda em um nível só. Para isso, a casa acompanha a curva de nível, mistura soluções técnicas com mão de obra local e já prevê instalações embutidas. O resultado promete uma casa com cara comum por fora, mas com outra lógica por dentro.

Implantação no terreno inclinado e a busca por acessibilidade

Como o terreno é inclinado, a casa foi desenhada mais comprida, seguindo a curva de nível para manter acessibilidade em um único nível.

Uma parte da casa fica assentada no terreno e outra parte fica suspensa para fora, solução que respeita o relevo e reduz intervenções desnecessárias.

O vento é outro fator dominante. Para evitar interferência do vento, o telhado tem o mínimo de recortes possível, e ainda assim o projeto inclui uma varanda para aproveitar a vista.

Há também um recorte pensado para receber o sol da manhã, e por volta das 9 horas a luz já entra dentro da casa.

Bambu, barro e o que torna a trama o “esqueleto” da casa

A estrutura do pau a pique aparece como uma trama de bambu amarrada com arame, que recebe o barro na etapa de barrear.

A casa cresce como um conjunto de camadas, onde a trama sustenta e o barro preenche, formando as paredes que depois vão receber acabamento.

A proposta é clara: entregar uma casa que, ao final, pareça convencional para um público contemporâneo, mas feita com materiais mais sustentáveis.

Terra do local e bambu próximo da obra reduzem dependência de materiais industrializados e reforçam a identidade do projeto.

Escolha da terra, testes e por que não existe receita única

Casa de pau a pique com bambu e barro do terreno explica trincas e mostra como revestimento com cal dá acabamento de casa comum.

A terra usada no barreado vem do próprio terreno, retirada do corte do barranco e peneirada antes de virar massa.

Na obra, ela é misturada com areia quando fica “liguenta”, o que indica presença maior de argila. O ajuste é feito na prática, com testes na parede e sensação na mão, porque cada terra reage de um jeito.

Se a terra for muito arenosa, pode precisar de mais argila para “ligar” o material. Se estiver com muita argila, entra mais areia para equilibrar.

O ponto central é que a casa nasce de uma mistura feita sob medida para o solo do lugar, não de uma fórmula pronta.

Por que a parede racha e por que isso é normal na casa de pau a pique

As trincas aparecem como parte esperada do processo. A terra é pisada e amaciada com água para ganhar coesão, mas essa água precisa secar depois.

Quando a água sai, o volume diminui e as trincas surgem, sem significar que existe algo errado com a parede.

O cuidado importante é o acabamento. Há a preocupação de que insetos possam se instalar em frestas, mas isso também pode acontecer em uma casa de alvenaria com fendas. Aqui, a parede vai receber revestimento e, sem aviso, pode até parecer alvenaria.

A ideia é que a casa final pareça uma casa normal, e por isso até se considera deixar uma pequena janela aparente para mostrar que é pau a pique.

Revestimento com cal e o acabamento que transforma a casa

O revestimento final usa a mesma terra misturada com cal virgem hidratada na obra, além de areia. As proporções variam conforme a terra disponível, mantendo a lógica de adaptação.

O processo é pensado para ser simples para o pedreiro, que pode chapar a massa com colher e desempenar como já está acostumado.

A obra também valoriza mão de obra local. Se precisar de apoio, o trabalhador está perto e pode chamar ajuda.

No final, entra pintura com cal, e se quiser cor, a cal pode ser misturada com terra para criar um tom mais terroso. Esse acabamento é o que dá à casa o efeito de “casa comum”, mesmo sendo outra técnica construtiva.

Elétrica, hidráulica e manutenção planejadas dentro da casa

Casa de pau a pique com bambu e barro do terreno explica trincas e mostra como revestimento com cal dá acabamento de casa comum.

As instalações são planejadas antes e passam pela trama. Os conduítes de elétrica já ficam embutidos na parede, com previsão de quadro de luz escondido.

Do outro lado, tanque e máquina de lavar também aparecem como elementos previstos para ficarem dentro da parede da casa, evitando improvisos depois.

A fundação em pedra rachão ajuda nesse planejamento. Já se deixa a tubulação do esgoto no alicerce para não precisar quebrar depois, e o caminho da elétrica e da hidráulica também é previsto desde o começo.

Se um dia houver manutenção, a lógica segue a de uma casa comum: quebra onde precisa e recompõe. A diferença é que a reconstituição tende a ser mais simples porque o material é mais fácil de refazer.

Varanda, telhado e estrutura para lidar com vento forte

Casa de pau a pique com bambu e barro do terreno explica trincas e mostra como revestimento com cal dá acabamento de casa comum.

Para lidar com o vento, a parede foi recuada e isso criou uma varanda dentro de um grande galpão de duas águas.

Assim, o telhado mantém uma forma mais “limpa” e a casa fica mais aerodinâmica. A estrutura usa pilares, vigas e tesouras de eucalipto tratado, e o deck é de pin tratado.

Em vez de apenas apoiar, alguns pilares foram enterrados por causa do vento. Para reduzir risco de umidade, eles são colocados em cama de brita, evitando que a umidade fique parada.

É um detalhe de obra que protege a casa ao longo do tempo, especialmente em um local onde o vento é constante.

Piso e base sem cimento: pedra, brita e massa de cal, areia e terra

O piso da casa será de cerâmica 30×30, assentada sem cimento, usando a mesma massa de cal, areia e terra sobre uma cama de brita.

A intenção é evitar umidade ascendente. Também aparecem blocos canaleta e preenchimentos com massa de cal, areia e terra, reforçando que a base não depende de cimento.

Por dentro, a cerâmica recebe rodapé e acabamento, e parte das pedras pode ser escovada para destacar a textura.

Há ainda trechos com tijolo maciço assentado sem cimento, também com cal, areia e terra. No banheiro da suíte, a escolha foi por tijolo, não por limitação, mas por preferência dos clientes.

Tour do interior: luz da manhã, vista e uma casa aberta para a paisagem

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O acesso principal entra pela varanda em formato de alpendre e leva à cozinha, planejada para aproveitar uma vista ampla.

A casa se abre para a paisagem e considera a orientação leste oeste, que exige cuidado com insolação. Por isso, varanda e beiral foram avançados.

Um ponto interessante é a parede inclinada, que não é paralela de propósito. A inclinação abriu espaço para um escritório voltado para a vista e ajudou a ganhar o volume do banheiro da suíte, além de criar uma bancada grande de trabalho. A suíte do casal também ganha vista e uma varanda privativa separada da varanda social.

Na sala, os moradores queriam mais luz da manhã do que janelas convencionais entregariam. Por isso, a solução do telhado foi ajustada para permitir entrada de luz, reforçando como a casa foi sendo desenhada em diálogo com desejo de conforto.

Por que os proprietários decidiram sair de São Paulo e apostar nesta casa

Casa de pau a pique com bambu e barro do terreno explica trincas e mostra como revestimento com cal dá acabamento de casa comum.

Os proprietários relatam cansaço com São Paulo, principalmente pelas distâncias medidas em tempo e pela sensação de uma cidade fora da escala humana.

A pandemia entrou como momento de repensar escolhas. Eles conheceram o lugar por meio de amigos que compraram uma fazenda e dividiram em lotes, e se encantaram com a vista e as montanhas.

A busca era por luz natural, qualidade térmica e uma casa que trouxesse a sensação de vida ligada à terra e ao barro.

O terreno foi comprado em 2022, houve pesquisa por processos construtivos por cerca de dois anos e o trabalho com os profissionais começou no final de 2024. Eles também mencionam reflorestamento e plantio no local como parte do caminho até a casa.

No fim, o que aparece é uma decisão de vida: construir uma casa com um método mais vivo, escolhendo pau a pique depois de comparar opções como cob e tijolo ecológico, sempre com atenção ao vento e ao contexto do terreno.

Você moraria em uma casa de pau a pique se o acabamento final ficasse com aparência de casa comum?

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Maria Aparecida
Maria Aparecida
09/04/2026 17:12

Estou maravilhada com essa construção, quando se fala de uma casa de **** a pique, não temos ideia de que fique desse jeito. Simplesmente espetacular!

Sonia Aparecida dos Santos Pereira
Sonia Aparecida dos Santos Pereira
05/04/2026 07:31

Com certeza eu moraria num lugar assim

Carla Teles

Produzo conteúdos diários sobre economia, curiosidades, setor automotivo, tecnologia, inovação, construção e setor de petróleo e gás, com foco no que realmente importa para o mercado brasileiro. Aqui, você encontra oportunidades de trabalho atualizadas e as principais movimentações da indústria. Tem uma sugestão de pauta ou quer divulgar sua vaga? Fale comigo: carlatdl016@gmail.com

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