Produtores americanos defendem suspensão total das compras, enquanto importadores alertam para risco no abastecimento de hambúrgueres
Uma nova tensão comercial entre Brasil e Estados Unidos ganhou força em agosto de 2024. Isso porque o aumento das tarifas de importação da carne bovina brasileira elevou a cobrança de 26,4% para 76,4%. A medida foi aplicada após a inclusão de uma taxa adicional de 50 pontos percentuais pelo governo americano.
Associação pressiona por medidas mais duras
A National Cattlemen’s Beef Association (NCBA), que representa os pecuaristas dos EUA, considera que as tarifas ainda são insuficientes para conter o fluxo de carne do Brasil. Kent Bacus, diretor da entidade, enviou em 3 de setembro de 2024 uma carta ao United States Trade Representative (USTR), ligado à Casa Branca. Nela, ele reforçou que apenas a suspensão total das compras poderia ser eficaz.
Além disso, Bacus argumentou que o câmbio favorável ao Brasil e os menores custos de produção permitem que o país absorva as tarifas e continue exportando. Portanto, mesmo com os impostos mais altos, a carne brasileira se mantém competitiva. Ele destacou ainda que as novas taxas acabam desestimulando importações de parceiros tradicionais, como Irlanda, Reino Unido e Japão.
-
Herdeiro trabalhou aos treze anos em fábrica de sorvete sem revelar ser filho do dono; hoje, aos vinte e cinco, lidera a marca de sorvete para consumo doméstico mais vendida do Nordeste, fatura quase R$ 300 milhões, tem 145 lojas e enfrenta multinacionais com sabores regionais
-
Fabricante gaúcha de fechaduras investe R$ 150 milhões para superar R$ 1 bilhão em faturamento, criar 200 empregos e dobrar armazenagem, enquanto escolhe Santa Catarina para instalar novo centro logístico e acelerar entregas no Sul do Brasil
-
Neymar muda o patamar do Nordeste com megaprojeto bilionário de 28 empreendimentos de luxo, 100 km de praias azul-turquesa, 10 residenciais já em obras, mansões milionárias à beira-mar, arena esportiva exclusiva e previsão de movimentar impressionantes R$ 7,5 bilhões em Pernambuco e Alagoas
-
Primo de Luciano Hang deixou a Havan após quase uma década, apostou em imóveis e hoje gere R$ 6 bilhões em lançamentos; empresário que só recebe quando vende diz ter esgotado prédio inteiro em Santa Catarina em apenas 45 minutos
Debate sanitário e confiança do consumidor
Para Bacus, entretanto, as tarifas não resolvem as preocupações sanitárias. A NCBA acusa o Brasil de não cumprir padrões internacionais de segurança alimentar e saúde animal. Além disso, a entidade afirma que o Brasil dificulta o acesso da carne americana ao mercado brasileiro.
Por essa razão, ele declarou que o receio não é perder mercado para o Brasil. Na realidade, a preocupação está na possibilidade de que falhas em controles sanitários comprometam a confiança dos consumidores americanos na carne bovina.
Assim, na audiência do USTR marcada para 3 de setembro de 2024, a NCBA pediu oficialmente a suspensão das compras brasileiras até que as equivalências sanitárias sejam comprovadas.
Exportações brasileiras em risco
No Brasil, entretanto, a reação foi imediata. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) estima que a medida pode provocar perdas bilionárias. Segundo Roberto Perosa, presidente da entidade, em entrevista à revista Exame em agosto de 2024, a tarifa torna inviável a exportação. Ele calculou que o prejuízo pode chegar a US$ 1 bilhão por ano.
Desse modo, mesmo com vantagens de custo, a competitividade brasileira acaba sendo ameaçada por barreiras comerciais cada vez mais rígidas. Além disso, os impactos atingem não apenas os exportadores, mas também a cadeia produtiva nacional.
Carne para hambúrguer depende do Brasil
Nem todos os setores americanos, entretanto, apoiam as restrições. O Meat Import Council of America (Mica), que representa importadores, defendeu em carta enviada em agosto de 2024 a importância da carne brasileira para o mercado interno.
Michael Skahill, diretor da Mica, afirmou que os EUA têm déficit estrutural na produção de aparas bovinas magras (lean beef trim). Esse insumo é essencial para a produção de carne moída e hambúrgueres. Como o rebanho americano é voltado para cortes nobres, não há oferta suficiente.
Portanto, sem o fornecimento brasileiro, a indústria americana teria dificuldades em atender à demanda interna.
Consumo de hambúrguer em risco
A Mica lembrou que as aparas brasileiras são fundamentais para misturar com a produção local, rica em gordura. Essa combinação garante a oferta de carne moída em quantidade adequada. Segundo a entidade, os Estados Unidos consomem cerca de 50 bilhões de hambúrgueres por ano.
Assim, restrições às importações brasileiras colocariam em risco o abastecimento nacional. Além disso, o conselho alertou que uma eventual suspensão resultaria em preços mais altos. Essa situação prejudicaria consumidores, pressionaria a indústria de alimentação e poderia afetar milhares de empregos.
Portanto, a disputa comercial expõe interesses divergentes: de um lado, os pecuaristas americanos defendem a suspensão total das compras do Brasil. Eles alegam concorrência desleal e falhas sanitárias. De outro lado, os importadores pedem a manutenção das importações para garantir o abastecimento e controlar os preços da carne moída e dos hambúrgueres.
Agora, diante dessa disputa, a decisão final do governo americano será crucial para definir os próximos passos. O que você acha que deve prevalecer: a proteção aos pecuaristas americanos ou a garantia do fornecimento de carne acessível aos consumidores?

Seja o primeiro a reagir!