Após anos de desenvolvimento, a tecnologia começou a operar diariamente transportando passageiros entre terminais, reduzindo a necessidade de assistência humana e ampliando a acessibilidade em aeroportos japoneses modernos.
O Aeroporto de Haneda, em Tóquio, transformou uma tecnologia que parecia coisa de laboratório em serviço disponível para passageiros dentro dos terminais. A cadeira autônoma WHILL opera na área de embarque, transportando pessoas com dificuldade para caminhar longas distâncias até pontos determinados, sem depender de um motorista ou de alguém empurrando o equipamento.
Segundo a página oficial do Aeroporto de Haneda, o serviço é uma “autonomous wheelchair”, ou cadeira autônoma, que funciona na área de segurança de embarque de cada terminal e está disponível para passageiros que vão embarcar em voos. A operação aparece listada nos Terminais 1, 2 e 3, com estações específicas e horários definidos durante todo o ano.
O serviço chama atenção porque muda uma etapa delicada da experiência aeroportuária: o deslocamento entre a segurança e o portão de embarque. Para muitos passageiros, especialmente pessoas com mobilidade reduzida, idosos ou viajantes que não conseguem andar grandes distâncias, esse trecho pode ser cansativo e depender da disponibilidade de funcionários.
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A proposta da WHILL é automatizar esse percurso dentro do terminal. O passageiro embarca na estação, escolhe o destino disponível e o equipamento segue até o ponto selecionado. Segundo o próprio Aeroporto de Haneda, o uso é gratuito e não exige reserva antecipada.
Testes começaram antes da operação e envolveram WHILL, Japan Airlines e Japan Airport Terminal
A implantação não aconteceu do dia para a noite. Antes de virar serviço, a tecnologia passou por testes em Haneda. Segundo um comunicado oficial, a Japan Airlines (JAL) e a WHILL anunciaram, em outubro de 2019, um teste com veículos elétricos pessoais autônomos no aeroporto. A proposta era permitir que viajantes, com ou sem mobilidade reduzida, experimentassem uma forma mais suave e inovadora de deslocamento dentro do terminal.

No mesmo comunicado, a JAL afirmou que o projeto tinha como objetivo criar o primeiro “smart airport” do mundo, oferecendo transporte sem interrupções para pessoas com mobilidade limitada e reduzindo tempos de espera frequentemente enfrentados em aeroportos. A fonte também destacou que os passageiros poderiam circular pelo aeroporto sem assistência de um funcionário.
Esse ponto é central para entender o impacto da tecnologia. A cadeira autônoma não substitui toda a assistência humana necessária em aeroportos, mas resolve uma parte específica do fluxo: o transporte interno em trajetos repetitivos e mapeados. Em grandes terminais, onde distâncias podem ser longas, esse tipo de automação pode reduzir filas, espera e dependência de equipes para cada deslocamento individual.
Equipamento leva o passageiro até o portão e depois retorna sozinho à base
O diferencial mais forte da WHILL está no ciclo completo da viagem. Segundo comunicado da própria WHILL, o serviço no Haneda International Airport leva passageiros da estação WHILL, localizada perto do controle de segurança, até portões designados. Após concluir o trajeto, o dispositivo retorna automaticamente à base.
Essa função é o que transforma a cadeira em uma solução operacional, não apenas em um equipamento de mobilidade. Uma cadeira tradicional precisa ser conduzida por uma pessoa e recolhida depois do uso. A WHILL, por outro lado, consegue cumprir o trajeto e voltar para a estação, ficando disponível para o próximo passageiro.
Segundo reportagem da Future Travel Experience, publicada após os testes de 2019, o serviço foi adotado para otimizar a operação de PRM, sigla em inglês para passageiros com mobilidade reduzida, e também para reduzir o contato próximo entre funcionários e passageiros durante o período de preocupação com a Covid-19. A publicação reforça que o equipamento leva o passageiro da estação dedicada até portões designados e retorna sozinho à base ao fim da viagem.
Na prática, isso cria um modelo de transporte interno parecido com um pequeno veículo autônomo de terminal. Ele não roda em vias públicas, não precisa disputar espaço com carros e opera em um ambiente controlado, com mapas previamente definidos e destinos limitados.
Sensores, mapas prévios e sistema anticolisão fazem a cadeira navegar pelo terminal
A WHILL não se move aleatoriamente pelo aeroporto. Segundo a própria empresa, o sistema autônomo funciona combinando informações detectadas por sensores com dados de mapas do ambiente coletados previamente. A tecnologia também inclui função anticolisão e permite gerenciar vários dispositivos ao mesmo tempo.
Esse tipo de operação é ideal para aeroportos porque os trajetos são repetitivos, os corredores são conhecidos e os pontos de origem e destino podem ser mapeados com precisão. O ambiente é muito mais previsível do que uma rua comum, o que facilita o uso de veículos autônomos em baixa velocidade.
O comunicado da Japan Airlines também afirma que os veículos pessoais da WHILL contam com sensores para identificar obstáculos e função de parada automática. A fonte cita ainda recursos planejados, como atualizações em tempo real sobre portão e horário de embarque.
Esses detalhes mostram que o projeto não é apenas uma cadeira motorizada. Trata-se de uma plataforma de mobilidade conectada, pensada para aeroportos inteligentes e para o conceito de MaaS, ou mobilidade como serviço, em trajetos curtos.
Serviço funciona nos três terminais de Haneda com horários definidos
A página oficial do Aeroporto de Haneda mostra que o serviço já aparece incorporado à estrutura do terminal. A cadeira autônoma WHILL opera no Terminal 1, no Terminal 2 doméstico e no Terminal 3, dentro da área de embarque. O aeroporto informa horários de funcionamento durante todo o ano: das 8h às 20h nos Terminais 1 e 2, e das 12h às 18h no Terminal 3, com períodos de indisponibilidade para manutenção em certos horários.

Também há restrições de uso. Segundo Haneda, por regras de segurança do fabricante, não podem utilizar o serviço passageiros com menos de 140 cm de altura, mais de 136 kg, pessoas com determinados equipamentos médicos e passageiros que não concordem com as instruções de segurança exibidas na estação.
Essas limitações mostram que a tecnologia não é universal para todos os casos, mas já funciona como uma alternativa real para parte dos passageiros que precisam de apoio no deslocamento interno.
WHILL mostra como a mobilidade assistida pode virar rotina em aeroportos
A cadeira autônoma WHILL em Haneda representa uma mudança importante na mobilidade assistida. Em vez de depender exclusivamente de atendimento manual para todos os trajetos, o aeroporto passa a contar com uma solução automatizada, gratuita e integrada ao terminal.
O projeto também mostra por que aeroportos são ambientes estratégicos para tecnologias autônomas. Eles concentram grandes fluxos de pessoas, têm trajetos repetitivos, exigem pontualidade e recebem passageiros com diferentes necessidades físicas. Uma solução que reduz espera, percorre rotas mapeadas e retorna sozinha à base pode melhorar tanto a experiência do passageiro quanto a operação do terminal.
Depois dos testes iniciados em 2019 e da adoção anunciada em 2020, o serviço aparece hoje listado oficialmente pelo Aeroporto de Haneda como parte da estrutura disponível aos passageiros. A WHILL transformou uma cadeira elétrica em um pequeno veículo autônomo de terminal, capaz de levar pessoas até o portão sem motorista, sem empurrador e com retorno automático ao ponto de partida.
