O ministro da Fazenda, Dario Durigan, classificou como desproporcional e injustificado um eventual tarifaço dos Estados Unidos contra produtos brasileiros. Ele afirmou que empresários, famílias, caminhoneiros e agricultores não podem pagar por medidas injustas de outros países e disse que o governo vai mapear os setores mais afetados para desenhar ações de suporte.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, voltou a afirmar nesta quarta-feira, 15 de julho de 2026, que um eventual aumento de tarifas de importação pelos Estados Unidos seria algo desproporcional e injustificado. A declaração acontece no dia em que se encerra o prazo para o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, o USTR, divulgar a decisão final sobre uma investigação comercial e a possível aplicação de medidas contra produtos brasileiros. A sinalização, até aqui, é de que o tarifaço será mesmo aplicado.
Diante do cenário, o ministro adotou um discurso que mistura firmeza e cautela. Ele prometeu que o governo brasileiro vai agir para proteger a economia interna, defendendo que os setores produtivos nacionais não podem pagar a conta de barreiras comerciais externas. Ao mesmo tempo, fez questão de registrar que ainda não recebeu confirmação oficial das autoridades norte-americanas sobre a decisão.
O princípio que Durigan diz que vai guiar a resposta
No centro da fala do ministro está uma ideia que ele repetiu como diretriz. Segundo Durigan, existe um princípio que vai orientar toda a atuação do governo diante de um eventual tarifaço, e esse princípio coloca a população brasileira como prioridade.
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A frase escolhida por ele foi direta e enumerou grupos específicos. O ministro afirmou que empresários, famílias, caminhoneiros e agricultores brasileiros não podem ser prejudicados por medidas injustas adotadas por outros países. A escolha de citar categorias tão distintas, do grande empresário ao caminhoneiro, sinaliza a intenção de mostrar que uma barreira comercial americana teria efeito em cadeia por toda a economia, não apenas sobre exportadores.
A cautela sobre a decisão americana
Apesar do tom firme, Durigan foi cuidadoso ao tratar do que ainda não está confirmado. Ele deixou claro que não há, até o momento, uma comunicação oficial das autoridades dos Estados Unidos sobre a aplicação prática das novas taxas.
Essa cautela tem um motivo prático. O prazo para o USTR anunciar a decisão terminava justamente nesta quarta-feira, e o governo brasileiro preferiu não se antecipar a uma medida que, embora sinalizada, ainda não havia sido oficializada. Mesmo assim, o ministro admitiu que a expectativa é de que as taxas sejam de fato aplicadas, o que explica por que o governo já começou a se preparar para responder.
Como o governo pretende agir se o tarifaço for confirmado
Durigan não detalhou medidas específicas, mas indicou o caminho que o governo pretende seguir. O primeiro passo, segundo ele, será identificar onde o impacto será maior antes de desenhar qualquer resposta.
O plano tem uma lógica de mapeamento. O ministro disse que o governo federal deve mapear os setores que serão mais afetados para então definir ações de suporte a essas áreas. Ele acrescentou que a reação seguirá a mesma linha de princípio de medidas anteriores adotadas pelo governo para blindar o mercado doméstico, ou seja, a resposta não seria inédita, mas uma continuidade de uma estratégia já em curso de proteção da economia interna.
O freio fiscal sobre qualquer resposta
Há, porém, um limite que o próprio ministro fez questão de cravar. Qualquer resposta brasileira às pressões externas não será dada a qualquer custo, e sim dentro das regras de controle de gastos públicos que o governo se comprometeu a cumprir.
Esse é um ponto relevante da fala. Durigan afirmou que qualquer reação passará pelo crivo das metas fiscais, o que significa que eventuais pacotes de socorro a setores afetados terão de caber no orçamento. Nas palavras dele, o governo fará uma avaliação sempre cuidadosa por causa do compromisso fiscal, endereçando as ações sempre com o objetivo de proteger a população. É um recado duplo: haverá resposta, mas ela não vai furar o teto de gastos.
O discurso de Dario Durigan mostra um governo tentando equilibrar duas coisas ao mesmo tempo: reagir com firmeza a um possível tarifaço americano e, ao mesmo tempo, não estourar as contas públicas no processo. Enquanto a decisão dos Estados Unidos não sai, o Brasil se prepara para mapear estragos e desenhar defesas.
Agora queremos ouvir você. Você acha que o governo deve responder a um tarifaço dos Estados Unidos com medidas de proteção, mesmo que isso pese no orçamento, ou o Brasil deveria buscar a negociação antes de reagir? E se você trabalha em algum setor que exporta para os EUA, conta aqui embaixo se já sente algum efeito dessa ameaça. A gente lê tudo.
