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Cada e-mail de 100 palavras que você pede ao ChatGPT pode evaporar o equivalente a uma garrafa de água em data centers do outro lado do mundo; pesquisadores estimam 520 mililitros por mensagem e alertam para o que acontece quando isso é multiplicado por milhões

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 13/06/2026 às 12:03
Atualizado em 13/06/2026 às 12:05
Assista o vídeoE-mail de 100 palavras no ChatGPT pode gastar 520 ml de água potável em data centers, diz estimativa sobre a pegada hídrica da inteligência artificial.
E-mail de 100 palavras no ChatGPT pode gastar 520 ml de água potável em data centers, diz estimativa sobre a pegada hídrica da inteligência artificial.
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Um e-mail de cem palavras pedido ao ChatGPT pode gastar cerca de 520 mililitros de água, o equivalente a uma garrafinha. O dado vem de uma estimativa da University of California Riverside e varia muito conforme a região, o horário e o tipo de resfriamento. É uma conta aproximada, não um número fixo.

Por trás de um simples e-mail pedido ao ChatGPT existe uma estrutura física gigantesca, do outro lado do mundo. Pesquisadores estimam que gerar um texto de cem palavras pode consumir cerca de 520 mililitros de água, mais ou menos uma garrafa pequena. O número impressiona, mas pede contexto.

A estimativa, citada pela Catraca Livre, é atribuída à University of California Riverside, sob coordenação do pesquisador Shaolei Ren. O ponto central é que esse valor não é fixo, ele muda bastante conforme onde e quando a tarefa é processada, e inclui até a água usada de forma indireta para gerar a eletricidade. Os data centers consomem água sobretudo para resfriar servidores que esquentam sem parar.

Por que a inteligência artificial gasta água

E-mail de 100 palavras no ChatGPT pode gastar 520 ml de água potável em data centers, diz estimativa sobre a pegada hídrica da inteligência artificial.
Pouca gente associa uma conversa com o ChatGPT a um copo d’água, mas a ligação existe.

Processar até comandos simples exige servidores enormes em centrais remotas, que esquentam o tempo todo e precisam de resfriamento constante.

Em muitos data centers, esse resfriamento é feito com água limpa, que evapora no processo.

E não é só a água do resfriamento que entra na conta.

Boa parte da eletricidade que alimenta a inteligência artificial também consome água de forma indireta, lá na geração de energia.

Some uma coisa à outra e cada tarefa, por menor que pareça, carrega um custo de energia e de água potável que quase ninguém enxerga.

De onde vem o número de 520 mililitros

O dado que viralizou tem origem e tem ressalvas.

A estimativa de cerca de 520 mililitros por e-mail de cem palavras está ligada a modelos do porte do GPT-4, que está por trás do ChatGPT, e parte de análises da University of California Riverside, com o pesquisador Shaolei Ren.

O próprio grupo deixa claro que esse valor não é uma régua universal.

Na prática, o gasto varia muito. Ele depende da região, do horário e do clima, porque lugares secos e quentes precisam de mais resfriamento por evaporação.

Além disso, o número junta a água do resfriamento com a água usada de forma indireta na eletricidade.

Ou seja, 520 mililitros é uma ordem de grandeza, não um medidor exato por mensagem.

O que realmente preocupa, e o que falta saber

O incômodo aparece quando você multiplica.

Mesmo um gasto pequeno por tarefa vira um volume relevante quando milhões de pessoas usam o ChatGPT e ferramentas parecidas todo dia, e isso preocupa mais em regiões que já enfrentam estiagens longas.

É um alerta legítimo, desde que sem pânico.

Só que há um buraco importante nessa história, a falta de transparência.

Não existem métricas públicas e padronizadas sobre a pegada hídrica desses sistemas, e as empresas nem sempre divulgam números detalhados.

Sem isso, fica difícil dimensionar o problema de verdade ou cobrar soluções, e boa parte do debate acaba girando em torno de estimativas.

O que as empresas e os usuários podem fazer

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Do lado das empresas, já existem caminhos sendo testados.

Sistemas de circuito fechado, que reaproveitam a água, refrigeração por ar seco, instalação de centros em regiões frias e reuso de águas residuais tratadas estão entre as saídas mais citadas para reduzir a pegada hídrica dos data centers.

A migração para energia limpa também entra na conta.

E o usuário comum não fica de mãos atadas.

Hábitos simples ajudam, como evitar reescrever o mesmo e-mail longo várias vezes e preferir pedidos diretos ao ChatGPT, o que reduz requisições desnecessárias.

Não se trata de demonizar a tecnologia, e sim de usá-la com um pouco mais de consciência.

A conta dos 520 mililitros serve menos como sentença e mais como lembrete.

Cada interação com o ChatGPT tem um custo ambiental real, ainda que difícil de medir com precisão e muito variável de um lugar para outro.

O recado dos pesquisadores é por mais transparência e eficiência, não por abandonar a ferramenta.

E você, já tinha parado para pensar no consumo de água por trás da inteligência artificial? Acha que as empresas de tecnologia deveriam abrir esses números? Conte sua opinião nos comentários, com respeito às diferentes visões, e compartilhe esta matéria com quem usa o ChatGPT todo dia e nunca imaginou esse lado invisível.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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