Novo estudo alemão revela como partículas ligadas ao sistema imunológico podem ajudar pombos e aves migratórias a encontrar o caminho durante o voo
Uma descoberta científica sobre a navegação dos pombos trouxe uma nova explicação para um dos mistérios mais antigos da biologia animal. Pesquisadores alemães identificaram que a chamada bússola natural dessas aves pode estar ligada ao fígado, onde células do sistema imunológico acumulam ferro em estruturas microscópicas. A pesquisa, publicada em 2026 na revista Science, indica que essas partículas podem participar da magnetorrecepção, capacidade usada por animais para perceber o campo magnético terrestre. Esse mecanismo ajuda a explicar como pombos-correios e aves migratórias conseguem percorrer longas distâncias, mesmo quando há poucas referências visuais no ambiente.
Estudo aponta ligação entre fígado e orientação magnética
A investigação analisou órgãos conhecidos por armazenar ferro, como o fígado e o baço, para localizar possíveis estruturas ligadas à percepção magnética. Os resultados apontaram maior concentração dessas partículas no fígado, especialmente em macrófagos, células responsáveis por eliminar glóbulos vermelhos envelhecidos e resíduos do organismo. Durante esse processo, elas acumulam ferro e formam estruturas sensíveis aos campos magnéticos. Segundo Clivia Lisowski, pesquisadora da Universidade de Bonn, essas nanopartículas funcionariam de maneira semelhante a uma bússola biológica. Quando os pombos voam, elas se alinham ao campo magnético da Terra e passam a responder aos sinais invisíveis do planeta.

Experimentos reforçam hipótese dos macrófagos ricos em ferro
A descoberta foi testada com pombos treinados para retornar ao viveiro após serem soltos a mais de 20 quilômetros de distância. Parte das aves passou por procedimentos que eliminaram os macrófagos ricos em ferro, enquanto outro grupo permaneceu inalterado. Os pesquisadores observaram que os animais sem essas células tiveram mais dificuldade para encontrar o caminho de volta, principalmente em dias nublados. Quando o céu estava limpo, muitos pombos conseguiram se orientar com apoio de outras referências naturais, como a posição do Sol. Esse resultado mostrou que a navegação das aves não depende de um único mecanismo, mas de uma combinação de informações ambientais.
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Fibras nervosas podem levar sinais magnéticos ao cérebro
Outro ponto relevante do estudo foi a identificação dos macrófagos ricos em ferro próximos a fibras nervosas. Essa proximidade sugere que os sinais captados pelas partículas magnéticas podem ser transmitidos ao cérebro, permitindo que as aves processem informações de orientação durante o voo. A descoberta também amplia o entendimento sobre a relação entre sistema imunológico e percepção ambiental, já que células conhecidas por atuar na defesa do organismo podem participar de uma função sensorial. Para os autores, esse achado abre novas possibilidades de pesquisa em imunologia, neurociência e comportamento animal.
Descoberta ajuda a explicar deslocamentos de longa distância
A pesquisa publicada na Science também pode contribuir para compreender como aves migratórias, morcegos e outros animais percorrem grandes distâncias durante a noite ou em locais com poucas referências visuais. O estudo reforça que o campo magnético terrestre pode atuar como uma orientação complementar dentro de um sistema natural mais complexo. Assim, a descoberta representa um avanço importante na tentativa de explicar como algumas espécies encontram o caminho usando sinais invisíveis da Terra.
Quantos outros mecanismos naturais ainda permanecem escondidos dentro dos animais e aguardam novas descobertas da ciência?

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