1. Início
  2. / Geopolítica
  3. / BRICS, que tem Brasil, China, Rússia e outros, terá seu primeiro movimento militar na África do Sul com manobras navais lideradas por Pequim; operação secreta mira rotas comerciais estratégicas e impressiona o Ocidente
Tempo de leitura 6 min de leitura Comentários 0 comentários

BRICS, que tem Brasil, China, Rússia e outros, terá seu primeiro movimento militar na África do Sul com manobras navais lideradas por Pequim; operação secreta mira rotas comerciais estratégicas e impressiona o Ocidente

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 09/01/2026 às 16:29
Assista o vídeoBRICS inicia exercício naval na África do Sul sob liderança da China, ampliando debate sobre segurança marítima, geopolítica e rotas comerciais globais.
BRICS inicia exercício naval na África do Sul sob liderança da China, ampliando debate sobre segurança marítima, geopolítica e rotas comerciais globais.
  • Reação
  • Reação
  • Reação
13 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo

Exercício naval liderado pela China na África do Sul amplia visibilidade do BRICS em meio a tensões diplomáticas e debate internacional sobre segurança marítima, cooperação militar e impacto geopolítico nas rotas de comércio global.

O grupo de países do BRICS entra, nesta semana, em um novo capítulo de cooperação militar com o início de um exercício naval conjunto em águas da África do Sul, liderado pela China.

Batizada de “Will for Peace 2026”, a operação está programada para ocorrer entre 9 e 16 de janeiro de 2026 e reúne navios e equipes de marinhas associadas ao chamado “BRICS Plus”, segundo comunicado do governo sul-africano e reportagens de agências internacionais.

A iniciativa ocorre em um momento de tensão diplomática entre Pretória e governos ocidentais, especialmente os Estados Unidos, e reacende o debate sobre até que ponto o BRICS, criado como articulação política e econômica, pode ampliar sua atuação no campo da segurança e da defesa.

Autoridades sul-africanas afirmam que o foco anunciado é técnico e operacional, com ênfase em segurança marítima e interoperabilidade.

Exercício “Will for Peace 2026” e seus objetivos declarados

O Ministério da Defesa da África do Sul informou, em 30 de dezembro de 2025, que o exercício será conduzido no litoral do país, sob liderança chinesa, com participação de nações do BRICS Plus.

A nota descreve uma programação voltada a operações conjuntas de segurança marítima, treinamento de interoperabilidade e atividades de “proteção marítima” em cenários simulados.

Ainda de acordo com a comunicação oficial, os países envolvidos definiram em conjunto o tema do exercício, apresentado como um compromisso coletivo de proteger rotas de comércio e aprimorar procedimentos compartilhados no mar.

BRICS inicia exercício naval na África do Sul sob liderança da China, ampliando debate sobre segurança marítima, geopolítica e rotas comerciais globais.
BRICS inicia exercício naval na África do Sul sob liderança da China, ampliando debate sobre segurança marítima, geopolítica e rotas comerciais globais.

Em paralelo, veículos internacionais registraram a chegada de embarcações chinesas, russas e iranianas a portos e águas sul-africanas antes do início das manobras, além da mobilização da Marinha anfitriã.

Países participantes e lacunas de informação

Apesar de o exercício ser apresentado publicamente como uma atividade do “BRICS Plus”, nem todos os integrantes do BRICS aparecem confirmados na operação.

Publicações especializadas na cobertura de defesa na África do Sul relataram, nos dias que antecederam o início do treinamento, que a participação de países como Brasil e Índia não estava clara e poderia não ocorrer.

O que está documentado por comunicados e observação de navios, segundo agências e jornais internacionais, é a presença de unidades da China, da Rússia e do Irã na região, além da África do Sul como país-sede.

Em alguns casos, as reportagens observam que autoridades sul-africanas e chinesas não detalharam formalmente, em documentos públicos, a lista completa de participantes, embora a movimentação de embarcações tenha sido acompanhada por jornalistas e analistas.

Importância estratégica da África do Sul para o comércio marítimo

O litoral sul-africano ocupa posição estratégica no tráfego marítimo global por concentrar rotas que conectam o Atlântico e o Índico, com impacto direto no escoamento de cargas e energia entre continentes.

É nesse contexto que comunicados oficiais sul-africanos apontam a proteção de rotas comerciais e a coordenação em segurança marítima como objetivos declarados do exercício.

Ao escolher a África do Sul, os organizadores também reforçam a lógica de treinar longe de zonas tradicionais de atuação de parte das marinhas envolvidas.

Esse tipo de deslocamento, por si só, é um instrumento de diplomacia naval: projeta capacidade de operar em longas distâncias e amplia interlocução com países costeiros em áreas consideradas sensíveis para o comércio internacional.

Atividades previstas durante as manobras navais

Autoridades sul-africanas descrevem o treinamento como interagências e multinacional, com exercícios práticos de coordenação entre navios, comunicações, procedimentos de abordagem e resposta a incidentes marítimos.

BRICS inicia exercício naval na África do Sul sob liderança da China, ampliando debate sobre segurança marítima, geopolítica e rotas comerciais globais.
BRICS inicia exercício naval na África do Sul sob liderança da China, ampliando debate sobre segurança marítima, geopolítica e rotas comerciais globais.

Reportagens internacionais indicam que a programação inclui, ao menos em tese, simulações relacionadas a segurança de navegação, cooperação contra crimes no mar e ações coordenadas voltadas à proteção de rotas.

No entanto, até o momento, não há indicação em comunicados oficiais de que se trate de uma “operação secreta” ou de uma missão com metas ocultas.

Pelo contrário, o exercício foi anunciado previamente pelo governo da África do Sul, com data definida e justificativa pública, e tem sido acompanhado por cobertura jornalística internacional.

Repercussão política e críticas internas e externas

A realização do exercício alimentou críticas dentro e fora da África do Sul.

Partidos de oposição, como a Aliança Democrática, questionaram o custo político de sediar manobras com países sob sanções e acusados por governos ocidentais de ações desestabilizadoras, além de cobrarem transparência sobre participantes e objetivos.

No exterior, a movimentação também foi lida como sinal de alinhamento crescente de Pretória com parceiros do BRICS em meio a disputas geopolíticas.

Reportagens recentes registram que o exercício chegou a ser adiado de novembro de 2025 para janeiro de 2026 por conflito de agenda com eventos relacionados ao G20 na África do Sul.

A combinação de adiamento, presença de navios estrangeiros e embates diplomáticos contribuiu para ampliar a visibilidade do tema e tornar o exercício um ponto de atrito no debate público.

Papel do Brasil no BRICS e limites da participação confirmada

O Brasil é um dos fundadores do BRICS e, historicamente, defende a cooperação Sul-Sul, a ampliação do comércio entre emergentes e a reforma de mecanismos de governança global.

Ainda assim, até onde é possível confirmar por fontes públicas sobre o exercício “Will for Peace 2026”, não há comprovação segura de que a Marinha do Brasil participe das manobras na África do Sul.

No campo institucional, o país mantém protagonismo no grupo por meio de sua atuação diplomática e também pelo Novo Banco de Desenvolvimento, conhecido como “Banco do BRICS”, presidido pela ex-presidente Dilma Rousseff.

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

Dilma, porém, não representa o governo brasileiro na condução política do bloco; sua função é à frente da instituição financeira multilateral sediada em Xangai, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é a principal autoridade brasileira na articulação do BRICS.

A diferença importa porque o exercício naval tem sido tratado por críticos como sinal de “militarização” do bloco, enquanto comunicados oficiais insistem no caráter de treinamento e segurança marítima.

Sem confirmação pública de participação brasileira, qualquer conclusão sobre o envolvimento direto do Brasil nas manobras precisa se limitar ao que está documentado.

Exercícios anteriores e debate sobre atuação militar do BRICS

A operação “Will for Peace 2026” marca mais uma edição de exercícios envolvendo, ao menos, China, Rússia e África do Sul em águas sul-africanas, com registros de manobras semelhantes em anos anteriores.

Isso enfraquece a ideia de que se trata do “primeiro movimento militar” associado ao BRICS, embora a presença de novos participantes e o contexto político possam dar ao evento peso diferente na arena diplomática.

Com o exercício em andamento e a lista de países participantes ainda tratada de forma incompleta em comunicados públicos, a questão que fica é como o BRICS vai equilibrar sua identidade econômica e diplomática com iniciativas de segurança que, inevitavelmente, são interpretadas como demonstração de poder.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
Ir para o vídeo em destaque
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x