1. Início
  2. Curiosidades
  3. Brasileiro entrou com colheitadeira em uma lavoura de soja coberta de neve nos Estados Unidos, encarou frio de até -15 °C e explicou por que precisava colher antes que a neve derretesse: se passasse molhada pela máquina, poderia entupir todas as peneiras
Faça um comentário 6 min de leitura

Brasileiro entrou com colheitadeira em uma lavoura de soja coberta de neve nos Estados Unidos, encarou frio de até -15 °C e explicou por que precisava colher antes que a neve derretesse: se passasse molhada pela máquina, poderia entupir todas as peneiras

Imagem de perfil do autor Carla Teles
Escrito por Carla Teles Publicado em 25/08/2026 às 11:15 Atualizado em 25/08/2026 às 11:16
Brasileiro entrou com colheitadeira em uma lavoura de soja coberta de neve nos Estados Unidos, encarou frio de até -15 °C e explicou por que precisava colher antes que a neve derretesse (4)
Colheitadeira enfrenta neve em Minnesota durante colheita de soja nos Estados Unidos e mostra por que frio extremo manteve a operação. Imagem: Reprodução
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo
Prefira o CPG no Google

Guilherme Padilha operou uma colheitadeira em Minnesota, perto da fronteira com o Canadá, durante uma safra marcada por frio e neve fora de época. Com temperaturas entre -8 °C e -15 °C, ele explicou que a neve precisava permanecer seca para atravessar a máquina sem derreter e obstruir as peneiras.

Uma colheitadeira avançando sobre uma lavoura de soja coberta de neve registrou uma condição incomum enfrentada pelo agrônomo brasileiro Guilherme Padilha em Minnesota, nos Estados Unidos. Em 16 de novembro de 2018, ele entrou no campo mesmo com temperatura de aproximadamente -8 °C e previsão de queda para até -15 °C, porque precisava terminar a colheita enquanto a neve ainda conseguia atravessar a máquina sem derreter.

A situação foi relatada pelo Canal Rural, depois que o vídeo gravado por Padilha começou a circular nas redes sociais. O brasileiro explicou que esperar o aumento da temperatura poderia criar outro problema operacional: se a neve derretesse dentro da máquina, a água poderia começar a bloquear as peneiras usadas no processo de colheita.

Colheitadeira entrou no campo quando a temperatura ainda marcava -8 °C

Colheitadeira enfrenta neve em Minnesota durante colheita de soja nos Estados Unidos e mostra por que frio extremo manteve a operação.
Imagem: Divulgação/Reprodução

Padilha gravou as imagens diretamente de Minnesota, região próxima à fronteira com o Canadá. No vídeo, mostrou a soja cercada por neve e a operação agrícola continuando em condições que, visualmente, pareciam incompatíveis com a colheita.

O frio, entretanto, fazia parte da estratégia daquele momento. A colheitadeira precisava trabalhar enquanto a temperatura permanecesse baixa o suficiente para impedir que a neve derretesse ao passar por seu interior. Naquele dia, Padilha disse ter observado -8 °C no termômetro, com expectativa de que o frio chegasse a -15 °C.

Neve derretida poderia bloquear as peneiras da máquina

Colheitadeira enfrenta neve em Minnesota durante colheita de soja nos Estados Unidos e mostra por que frio extremo manteve a operação.
Imagem: Divulgação/Reprodução

A explicação dada pelo brasileiro estava diretamente ligada ao funcionamento da operação. Segundo Padilha, não bastava haver neve sobre a lavoura: era necessário que ela permanecesse em estado que pudesse atravessar a colheitadeira sem se transformar em água.

Caso o material começasse a derreter dentro da máquina, a umidade poderia provocar acúmulo e entupir as peneiras, comprometendo a continuidade da colheita. Por isso, naquele cenário específico, temperaturas extremamente baixas eram mais favoráveis à operação do que um aquecimento capaz de iniciar o degelo.

Colheita já havia sido atrasada por problemas climáticos

Colheitadeira enfrenta neve em Minnesota durante colheita de soja nos Estados Unidos e mostra por que frio extremo manteve a operação.
Imagem: Divulgação/Reprodução

A entrada no campo coberto de branco não ocorreu porque essa fosse uma situação normal ou planejada desde o início da safra. Padilha contou que o ano havia sido complicado para a produção agrícola na região, com dificuldades provocadas pelo clima desde etapas anteriores.

Segundo seu relato, houve falta de chuva e posteriormente períodos severos de inverno, incluindo neve fora de época. Essas condições impediram que a equipe entrasse antes em determinadas áreas e ajudaram a empurrar parte da colheita para um momento em que a paisagem já estava tomada pela neve.

Fazenda terminou a colheita de 1.680 hectares de soja

Apesar das dificuldades, Padilha informou que a propriedade terminou de colher 1.680 hectares destinados à soja em 16 de novembro, justamente no dia em que as imagens da operação na neve foram registradas.

Os talhões colhidos apresentaram produtividade média de 47 sacas por hectare, segundo os números fornecidos pelo próprio agrônomo. Ele avaliou que a produtividade da soja na região costuma ser limitada pelas condições climáticas, mas considerou que o resultado daquele ano não havia sido tão ruim diante das dificuldades enfrentadas.

Brasileiro já conhecia máquinas agrícolas antes de viver em Minnesota

Colheitadeira enfrenta neve em Minnesota durante colheita de soja nos Estados Unidos e mostra por que frio extremo manteve a operação.
Imagem: Divulgação/Reprodução

Guilherme Padilha não chegou aos Estados Unidos sem experiência no campo. Ele era produtor rural no Brasil e sua família mantinha uma fazenda no Paraná. Depois de se formar em Agronomia, fez um intercâmbio em uma propriedade de Minnesota.

A experiência acabou se transformando em oportunidade profissional. Padilha recebeu convite para permanecer nos Estados Unidos como responsável pela agricultura de precisão e por parte das operações da fazenda, trabalhando também diretamente com máquinas agrícolas.

Trabalho incluía toda a operação das máquinas da propriedade

Ao Canal Rural, Padilha explicou que realizava em Minnesota atividades semelhantes às que já desempenhava como produtor no Brasil. Isso incluía a rotina operacional da fazenda e o trabalho com os equipamentos utilizados no cultivo e na colheita.

Foi nesse contexto que ele apareceu comandando a colheitadeira em meio à soja coberta de neve. A situação ganhou repercussão pela aparência incomum, mas para o operador havia uma questão técnica imediata: aproveitar a janela de frio intenso para terminar o trabalho sem transformar a neve em umidade dentro do equipamento.

Vídeo chegou ao Brasil por contato com vendedor de máquinas do Paraná

As imagens foram enviadas por Padilha a Benedito Moreira, conhecido como Ditinho, vendedor de maquinários agrícolas no Paraná e antigo contato profissional do agrônomo. Os dois continuavam conversando sobre tecnologias utilizadas nas propriedades norte-americanas.

Foi durante uma dessas conversas que o brasileiro enviou o registro da colheitadeira trabalhando na neve em Minnesota. A gravação posteriormente ganhou circulação nas redes sociais e levou o Canal Rural a procurar os envolvidos para detalhar as condições da operação.

Safra norte-americana avançava mais lentamente naquele período

O episódio ocorreu em um momento em que a colheita de soja nos Estados Unidos estava atrasada em comparação com o ano anterior. Segundo os dados apresentados pelo Canal Rural na reportagem de 2018, até 11 de novembro o avanço nacional estava abaixo tanto do registrado em igual período do ano anterior quanto da média histórica.

O analista Luiz Fernando Gutierrez, da Safras & Mercado, também apontou naquele contexto que chuvas durante outubro haviam dificultado o andamento dos trabalhos e criado excesso de umidade em algumas áreas, com possibilidade de efeitos sobre a qualidade da produção.

Milho também enfrentou colheita sob condições de neve

A situação não ficou restrita à oleaginosa. Padilha também registrou imagens relacionadas à colheita de milho em condições semelhantes e compartilhou o material com seu contato no Paraná.

Isso reforçou que a neve não era apenas uma paisagem incomum ao redor da soja, mas uma condição operacional enfrentada pela propriedade durante o encerramento da safra. Máquinas, temperatura e umidade precisavam ser considerados conjuntamente para que os trabalhos continuassem.

Frio extremo virou condição necessária para terminar a operação sem entupir a máquina

A imagem de uma lavoura branca poderia sugerir que o caminho mais lógico seria simplesmente interromper a atividade e esperar o clima melhorar. No caso registrado por Padilha, a situação era quase o contrário: se a temperatura subisse e a neve começasse a derreter dentro da colheitadeira, o trabalho poderia se tornar ainda mais difícil.

Por isso, a máquina entrou no campo com temperatura negativa e expectativa de ainda mais frio. O episódio mostra como uma decisão de colheita pode depender não apenas da presença de neve, mas do estado físico em que ela atravessa o equipamento. Você imaginava que, em certas condições, colher a -15 °C poderia ser operacionalmente mais viável do que esperar o degelo? Conte nos comentários.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Carla Teles

Produzo conteúdos diários sobre economia, curiosidades, setor automotivo, tecnologia, inovação, construção e setor de petróleo e gás, com foco no que realmente importa para o mercado brasileiro. Aqui, você encontra oportunidades de trabalho atualizadas e as principais movimentações da indústria. Tem uma sugestão de pauta ou quer divulgar sua vaga? Fale comigo: carlatdl016@gmail.com

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x