Pesquisa mostra que 61% dos brasileiros reduziram ou abandonaram o dinheiro em espécie após a popularização do Pix. Embora 82% da população use o sistema, a adesão cai para 48% entre maiores de 60 anos, enquanto chega a 90% na faixa de 35 a 44 anos, revelando forte diferença geracional.
O Pix acelerou a substituição do dinheiro em papel desde que começou a operar no Brasil, em novembro de 2020. Levantamento da Serasa em parceria com o Instituto Opinion Box indica que 61% dos brasileiros afirmam ter reduzido ou abandonado o uso de dinheiro em espécie depois da popularização do sistema de pagamentos instantâneos.
As informações foram publicadas pelo Correio do Povo em 23 de agosto de 2026, em reportagem de Renê Almeida. Embora o Pix já faça parte da rotina da maioria da população, os dados e relatos reunidos mostram uma diferença expressiva entre as faixas etárias, especialmente entre pessoas mais velhas que ainda preferem cédulas, boletos pagos presencialmente ou cartão de débito.
Pix entrou em operação em novembro de 2020 e ganhou espaço rapidamente

Criado pelo Banco Central, o Pix entrou oficialmente em funcionamento em novembro de 2020. O sistema permite concluir pagamentos e transferências em poucos segundos, independentemente do dia da semana ou do horário.
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A facilidade de movimentar dinheiro diretamente pelo celular ajudou a mudar hábitos que antes dependiam de cédulas, boletos, cartões e deslocamentos até instituições financeiras.
61% dizem ter reduzido ou abandonado dinheiro em espécie

A pesquisa da Serasa com o Instituto Opinion Box mostra a dimensão dessa mudança. Seis em cada dez brasileiros, aproximadamente, afirmam ter diminuído ou deixado completamente de utilizar dinheiro físico depois da expansão do Pix.
A transformação também atingiu outros meios de pagamento. Entre os entrevistados, 28% disseram ter reduzido o uso de boletos bancários, enquanto 17% passaram a usar menos o cartão de débito físico.
Pesquisa Ipsos-Ipec aponta que 82% dos brasileiros já utilizam Pix
Outro levantamento, realizado pela Ipsos-Ipec em junho, mostrou que 82% da população brasileira utiliza o Pix para pagamentos ou transferências.
Os demais 18% afirmaram não utilizar o sistema. Mesmo entre usuários e não usuários, a avaliação geral foi amplamente favorável: 93% dos entrevistados disseram considerar positivamente a ferramenta.
Adesão chega a 90% entre brasileiros de 35 a 44 anos
A idade aparece como um dos fatores mais relevantes na utilização do pagamento instantâneo.
Entre brasileiros de 35 a 44 anos, a adesão ao Pix chega a 90%, uma das taxas mais altas apresentadas pelo levantamento.
Na faixa seguinte, formada por pessoas de 45 a 59 anos, o percentual diminui para 81%.
Entre maiores de 60 anos, uso do Pix cai para 48%
A diferença aumenta entre os entrevistados com 60 anos ou mais. Nesse grupo, somente 48% afirmam utilizar o Pix.
O resultado cria uma distância de 42 pontos percentuais em relação à faixa dos 35 aos 44 anos, na qual nove em cada dez entrevistados usam o sistema.
Medo de golpes digitais aparece entre os motivos de resistência
Parte dos idosos associa o uso do Pix ao receio de fraudes. Golpes digitais, desconhecimento sobre o funcionamento da ferramenta e desconfiança sobre a confirmação dos pagamentos aparecem entre as razões para continuar recorrendo ao dinheiro físico.
A educadora financeira da Serasa Karla Pontes relaciona essa resistência principalmente à menor familiaridade de parte desse público com celulares e aplicativos bancários.
Segundo ela, quem não tem costume de utilizar esses equipamentos pode encontrar no dinheiro em espécie uma sensação maior de segurança.
Aos 77 anos, Cledi Paim prefere continuar indo ao banco
A porto-alegrense Cledi Paim, de 77 anos, está entre os brasileiros que ainda evitam o Pix. Ela afirma ter medo de pagamentos digitais diante da quantidade de golpes e fraudes sobre os quais ouve falar.
“Eu acho perigoso. Tenho essa coisa comigo. Eu tenho medo, sinceramente. Tem tanta coisa que acontece, tanta trapaça que fazem, que eu fico desconfiada”, disse.
Cledi prefere pagar presencialmente e considera a ida ao banco também uma oportunidade para sair de casa. Quando precisa realizar uma transferência eletrônica, pede ajuda ao filho.
Cartão de débito não causa a mesma insegurança para Cledi
A resistência de Cledi não se estende a todas as ferramentas bancárias digitais. Ela utiliza cartão de débito normalmente para fazer compras e afirma não ter dificuldade com esse meio de pagamento.
O Pix, porém, continua fora de sua rotina direta. Questionada sobre uma eventual mudança, brincou que passaria a utilizá-lo “só se acabarem com o dinheiro”.
Alexandre imprime boletos e busca comprovante físico na lotérica
O aposentado Alexandre Duarte, de 77 anos, também prefere manter procedimentos que resultem em registros físicos. Para pagar contas, ele imprime os boletos em uma loja de fotocópias próxima da residência.
Depois, vai até uma lotérica, realiza o pagamento e guarda o comprovante.
“Não fico com dúvida. Fico mais tranquilo assim, porque tenho como comprovar. Vejo o retorno diretamente na minha mão”, explicou.
Falta de materialidade deixa aposentado desconfiado do Pix
Alexandre conhece o Pix, mas afirma que a ausência de um comprovante físico semelhante aos documentos que recebe presencialmente provoca insegurança.
Quando a esposa realiza uma transferência, o casal chega a anotar no papel que determinada conta já foi paga.
A desconfiança, portanto, está menos relacionada ao desconhecimento da existência do sistema e mais à maneira como ele entende a confirmação de uma transação.
Jorge Mello usa débito, mas depende do filho para fazer Pix
Jorge Mello, de 64 anos, também morador de Porto Alegre, já praticamente substituiu o dinheiro em espécie pelo cartão de débito.
O Pix, entretanto, continua sendo uma barreira tecnológica. “Eu conheço o Pix, mas não sei fazer o procedimento. Quem faz para mim é o meu filho”, contou.
O relato exemplifica outro aspecto apontado nos levantamentos: conhecer a ferramenta não significa necessariamente saber utilizá-la de forma independente.
Renda também muda significativamente a adesão ao Pix
A idade não é a única diferença observada no uso do sistema. A renda familiar também produz uma distância significativa nos percentuais.
Entre pessoas que recebem até um salário mínimo, aproximadamente 70% utilizam o Pix.
Entre aqueles com renda superior a cinco salários mínimos, a adesão sobe para 95%.
Banco Central vem ampliando segurança e funcionalidades desde 2020
Desde o lançamento, o Banco Central vem realizando aperfeiçoamentos no Pix para incorporar novas funcionalidades e ampliar a proteção das transações.
Karla Pontes ressalta que os consumidores devem conferir cuidadosamente os dados antes de concluir uma transferência, principalmente o destinatário e o valor.
“Os consumidores podem ficar tranquilos quanto a segurança, mas é muito importante que tenham cuidado e certeza das transações que estão fazendo, para quem estão enviando aquele valor”, afirmou.
Dinheiro perde espaço, mas diferença geracional permanece elevada
O Pix já é utilizado por 82% da população, enquanto 61% dos brasileiros afirmam ter reduzido ou abandonado o dinheiro em espécie desde sua popularização. A adesão, porém, permanece distribuída de maneira desigual entre idade e renda.
Enquanto 90% das pessoas de 35 a 44 anos utilizam o sistema, entre brasileiros com 60 anos ou mais a proporção fica em 48%. Medo de fraudes, pouca familiaridade com aplicativos bancários e preferência pela segurança percebida das cédulas continuam entre os fatores que ajudam a explicar essa distância.
Na sua opinião, bancos e instituições deveriam investir mais em orientação presencial para ajudar idosos a utilizar o Pix com segurança ou o dinheiro em espécie ainda precisa continuar como alternativa importante? Deixe sua opinião nos comentários.

