Negociação online de veículo termina em prejuízo elevado após uso de perfis falsos, múltiplas transferências via Pix e manipulação de confiança envolvendo identidade de conhecido da vítima durante tratativas realizadas em rede social.
Um morador de Três Lagoas, no leste de Mato Grosso do Sul, procurou a autoridades depois de perder R$ 125 mil em uma negociação fraudulenta pela internet envolvendo uma Toyota Hilux prata, ano 2018, anunciada no Facebook por cerca de R$ 162 mil.
Segundo o registro policial, o dinheiro foi enviado por Pix para diferentes contas após a vítima acreditar que a caminhonete havia sido conferida por uma pessoa de sua confiança.
O caso foi registrado como golpe e deverá ser investigado pela autoridades.
-
Um supercomputador prevê quem ganhará a Copa do Mundo e qual jogador levará a Bota de Ouro, mas a projeção deixa o Brasil longe do protagonismo esperado
-
Por que a senha de letras marcou os caixas eletrônicos no Brasil: tecnologia parecia complicada, virou camada extra de segurança e agora perde espaço para a biometria
-
Arqueólogos encontram rosto esculpido em pedra no Cazaquistão e descoberta levanta perguntas curiosas sobre túmulos antigos, ancestrais e rituais misteriosos da Idade do Bronze
-
Marca histórica do Brasil na Copa do Mundo acaba de ser quebrada e ainda traz uma lembrança indesejada pelo brasileiros
A vítima também foi orientada a retornar à delegacia com documentos e a formalizar a confirmação do caso, etapa necessária para o prosseguimento da análise em situações semelhantes, conforme consta no registro do caso divulgado por veículos de imprensa do Estado nesta quinta-feira, 27 de março de 2026.
Golpe com venda de Hilux começou em anúncio no Facebook
A negociação começou quando o comprador encontrou, na rede social, o anúncio da caminhonete supostamente disponível em Dourados, município do sul do Estado.
Depois de entrar em contato com o número informado na publicação, ele passou a conversar com um homem que se apresentava como vendedor e conduzia as tratativas para a venda do veículo.
Em seguida, a vítima informou que enviaria um amigo para ver a Hilux antes de fechar o negócio.
Pouco depois, porém, recebeu mensagens de outro número, agora com a foto desse amigo no perfil, o que reforçou a impressão de que a conversa era autêntica e de que havia alguém conhecido acompanhando a vistoria presencial.
Uso de identidade conhecida reforçou confiança da vítima
A troca repentina de contato foi decisiva para o golpe avançar.
De acordo com o relato feito à autoridades, a pessoa que usava a imagem do amigo afirmou que a caminhonete estava em boas condições e que a compra poderia seguir, levando o morador de Três Lagoas a tratar a operação como segura.
Com a confiança já estabelecida, o suposto vendedor alegou que precisava receber o dinheiro com urgência para concluir a compra de um barracão.
Convencida de que o veículo existia e de que um conhecido havia validado a negociação, a vítima realizou várias transferências bancárias, inclusive com uso da conta da esposa.
A soma enviada chegou a R$ 125 mil, valor distribuído em diferentes chaves Pix indicadas pelos golpistas.
Só depois das transferências a vítima percebeu que havia sido enganada, situação comum em situações desse tipo desse tipo, nas quais envolvidos manipulam a comunicação para apressar o pagamento e reduzir o tempo de checagem.
Golpe do falso intermediário e alertas de autoridades
O enredo descrito no boletim reúne elementos frequentes no chamado golpe do falso intermediário, modalidade já alvo de alertas públicos do Detran-MS.
Nesse tipo de golpe, o criminoso copia ou reaproveita informações de um anúncio real, cria uma narrativa paralela e passa a falar separadamente com comprador e vendedor, escondendo o valor verdadeiro do negócio e pressionando por sigilo.
Embora o caso de Três Lagoas tenha uma dinâmica particular, dois sinais chamam atenção no relato: a mudança de número durante a conversa e a exigência de pagamento antecipado com justificativa de urgência.
O Detran sul-mato-grossense já advertiu que ofertas abaixo da média, pressa para transferir dinheiro e intermediação confusa são indícios relevantes de golpe em negociações de veículos feitas pela internet.
Outro aspecto que costuma facilitar esse tipo de situação é o uso de perfis, fotos e nomes conhecidos para transmitir credibilidade.
Ao receber mensagens associadas à imagem do amigo, a vítima passou a acreditar que a vistoria havia ocorrido de forma regular, o que enfraqueceu a desconfiança justamente no momento mais sensível da negociação, aquele em que o dinheiro seria enviado.
Além disso, a fragmentação do pagamento em várias chaves Pix amplia a dificuldade de reação imediata.
O Banco Central informa que, em casos de golpe, a orientação é contatar a instituição financeira o mais rápido possível e solicitar a contestação da operação, para que seja acionado o Mecanismo Especial de Devolução, conhecido como MED, criado para tentar aumentar as chances de recuperação dos valores em situações de golpe.
Riscos em compra de veículos por redes sociais
A ocorrência registrada em Mato Grosso do Sul expõe um padrão cada vez mais explorado em plataformas digitais de compra e venda: o criminoso não depende necessariamente de um anúncio totalmente inventado, mas sim da capacidade de controlar a conversa e introduzir urgência, confiança artificial e barreiras para conferência direta das informações entre as partes envolvidas.
Nesse ambiente, a promessa de oportunidade pesa tanto quanto o preço.
Uma Hilux 2018 anunciada por valor compatível com o mercado pode não despertar suspeita imediata, sobretudo quando o suposto vendedor mantém contato constante e apresenta uma justificativa plausível para a necessidade de receber rapidamente.
Ainda assim, o ponto central continua sendo a quebra de procedimentos básicos de conferência antes de qualquer pagamento.
Entre esses cuidados, autoridades e órgãos de trânsito recomendam confirmar presencialmente a existência do veículo, checar a documentação, validar a identidade de quem vende e evitar depósitos ou Pix antecipados para contas de terceiros.
Quando alguém pede sigilo sobre valores, muda o número no meio da negociação ou cria uma narrativa para impedir contato direto entre comprador e proprietário, o risco de golpe aumenta de forma expressiva.
No caso levado à autoridades, a vítima buscava justamente uma confirmação antes de fechar o negócio, ao acionar um amigo para ver o veículo.
O golpe prosperou porque os envolvidos conseguiram interferir nessa etapa de verificação e transformar uma medida de cautela em instrumento de convencimento, usando a imagem de uma pessoa conhecida como peça central da golpe.
A análise agora deverá esclarecer quem recebeu os valores, como as contas foram usadas e se houve participação de outras pessoas na cadeia do golpe.
Até lá, o caso reforça um alerta recorrente das autoridades: em compras de alto valor feitas por redes sociais, qualquer pressão para antecipar dinheiro sem validação direta da negociação precisa ser tratada como sinal de perigo.

Seja o primeiro a reagir!