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Brasil vive dois climas ao mesmo tempo com termômetros abaixo de zero no Sul enquanto o Centro do país assa a quase 37°C e a virada de mês não promete alívio para nenhum dos lados

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 29/04/2026 às 23:47
Atualizado em 29/04/2026 às 23:52
Termômetros marcam menos 0,7°C no Sul e quase 37°C no Centro do Brasil ao mesmo tempo. Frio e calor extremos seguem na virada para maio. Veja a previsão.
Termômetros marcam menos 0,7°C no Sul e quase 37°C no Centro do Brasil ao mesmo tempo. Frio e calor extremos seguem na virada para maio. Veja a previsão.
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Os termômetros registram extremos de frio e calor simultâneos neste fim de abril com mínimas de menos 0,7°C em Soledade (RS) no Sul e máximas de até 37°C na divisa entre Mato Grosso e Goiás no Centro, contraste provocado por massa polar e massa quente que coexistem sem alívio previsto para maio.

O Brasil está partido ao meio pelos termômetros neste fim de abril, com o Sul congelando sob massa de ar frio que derrubou marcas abaixo de zero pelo segundo dia seguido enquanto o Centro-Oeste e o Sudeste assam sob calor forte que empurra os termômetros para perto dos 37°C. Dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) mostram que nesta quarta-feira (29) as máximas no Centro-Oeste atingiram 35,9°C em Nova Xavantina (MT), 35,4°C em Aragarças (GO) e 35,2°C em Paranaíba (MS), enquanto no Sudeste os termômetros chegaram a 34,6°C em Valparaíso (SP), 34,2°C em Seropédica (RJ), 34,0°C em Ituiutaba (MG) e 33,9°C em Alegre (ES). Na direção oposta, o Rio Grande do Sul registrou mínimas de menos 0,7°C em Soledade, menos 0,2°C em Pinheiro Machado, 1,1°C em Bagé e 1,5°C em Herval, temperaturas que obrigaram moradores a acender lareiras enquanto habitantes do Centro do país ligavam ventiladores e ar-condicionado.

A previsão para o último dia de abril e a virada de mês indica que os termômetros não convergem. O Rio Grande do Sul deve amanhecer frio em várias regiões embora com mínimas ligeiramente mais altas que as da quarta, enquanto no Centro-Oeste o calor prossegue e será mais intenso no Norte do Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás, onde cidades da divisa entre os dois estados podem bater marcas entre 35°C e 37°C. O Brasil continuará vivendo dois climas ao mesmo tempo, e nenhum dos lados recebe alívio significativo nos próximos dias.

O que os termômetros registraram no Sul do Brasil nesta quarta-feira

O frio que atinge o Sul é resultado da massa de ar polar que avançou sobre a região e que já havia provocado temperaturas negativas e geada na terça-feira. No Rio Grande do Sul, os termômetros registraram mínimas de menos 0,7°C em Soledade, menos 0,2°C em Pinheiro Machado, 1,1°C em Bagé, 1,5°C em Herval, 1,7°C em Canela, 2,3°C em Gramado Xavier, 2,6°C em Livramento, 2,9°C em São Francisco de Paula e 3,2°C em Jacuizinho, valores que mantêm a sensação de inverno antecipado em pleno outono. Em Porto Alegre, a estação da Secretaria da Agricultura no Lami registrou 4,9°C, enquanto as estações do Inmet marcaram 7,1°C em Belém Novo e 9,9°C no Jardim Botânico, diferença que reflete a influência da proximidade com áreas rurais e corpos d’água na variação dos termômetros dentro de uma mesma cidade.

A região metropolitana da capital gaúcha também sentiu o frio com intensidade. Os termômetros apontaram 4,7°C em Gravataí, 4,8°C em Eldorado do Sul, 5,1°C em Viamão, 5,9°C em Cachoeirinha, 7,0°C em Campo Bom, 7,7°C em Sapucaia do Sul, 7,9°C em Nova Santa Rita e 8,4°C em São Leopoldo, valores que transformaram a manhã de quarta em experiência típica de inverno para quem precisou sair cedo de casa. Em Santa Catarina, o dia foi mais ameno do que na véspera porque a cobertura de nuvens e a instabilidade impediram que os termômetros caíssem tanto quanto na terça, quando São Joaquim registrou menos 3,3°C.

O que os termômetros marcaram no Centro e no Sudeste do Brasil

No outro extremo do país, os termômetros contam história completamente diferente. O Centro-Oeste vive semana de calor forte a intenso com máximas que superam 35°C em múltiplas cidades, condição provocada por massa de ar quente estacionada sobre a região que mantém temperaturas elevadas durante o dia e impede queda significativa durante a noite. Nova Xavantina (MT) registrou 35,9°C, Aragarças (GO) marcou 35,4°C e Paranaíba (MS) chegou a 35,2°C, valores que para a época do ano são anormalmente elevados e que refletem padrão de aquecimento que a previsão meteorológica não indica arrefecimento próximo.

O Sudeste não fica atrás no calor que os termômetros capturam. Valparaíso (SP) atingiu 34,6°C, Ituiutaba (MG) registrou 34,0°C, Seropédica (RJ) chegou a 34,2°C e Alegre (ES) marcou 33,9°C, demonstrando que o calor abrange os quatro estados da região e não se restringe a pontos isolados do interior. No Sudeste, as máximas mais intensas se concentram do Centro para o Norte paulista com valores entre 33°C e 34°C, e no Triângulo Mineiro onde o calor persiste de forma mais acentuada, enquanto capitais como Rio de Janeiro mantêm temperaturas desconfortáveis que a proximidade com o litoral não consegue amenizar suficientemente.

Por que o Brasil consegue ter quase 38 graus de diferença entre regiões ao mesmo tempo

A coexistência de termômetros abaixo de zero no Sul e próximos de 37°C no Centro tem explicação na extensão continental do território brasileiro. O Brasil ocupa faixa de latitude que vai do equador até além do Trópico de Capricórnio, amplitude que permite que sistemas meteorológicos completamente distintos atuem simultaneamente sobre regiões diferentes: enquanto a massa polar avança pelo Sul trazendo ar gelado de origem antártica, a massa de ar quente que domina o Centro do país não é afetada porque os dois sistemas coexistem sem se anular. A transição entre eles acontece numa faixa relativamente estreita que neste momento corta o Paraná, estado que registrou instabilidade com muita chuva e máximas baixas na maior parte das cidades, exceto no Norte onde ainda fez calor.

O outono é a estação em que esses contrastes nos termômetros atingem maior intensidade. A primavera e o verão concentram calor em quase todo o país, e o inverno espalha frio para além do Sul, mas no outono a disputa entre massas de ar quente e frio produz cenários extremos simultâneos que fazem o brasileiro de Porto Alegre vestir casaco pesado enquanto o de Cuiabá busca sombra para escapar do calor sufocante. A virada de abril para maio não promete mudança nesse padrão: os termômetros do Sul seguem baixos nas madrugadas e os do Centro permanecem elevados nas tardes.

O que esperar dos termômetros na virada de abril para maio

O último dia de abril mantém o padrão dividido, com ajustes pontuais. No Rio Grande do Sul, os termômetros devem marcar mínimas ligeiramente mais altas que as da quarta, mas o amanhecer continua frio em várias regiões, especialmente na Serra, na Campanha e na Fronteira Oeste. Santa Catarina e Paraná terão dia agradável na maior parte das cidades, com temperaturas amenas que não reproduzem nem o frio extremo do Sul nem o calor do Centro, exceção feita ao Norte paranaense que segue quente.

No Centro-Oeste e no Sudeste, os termômetros não recuam. O calor será mais intenso na divisa entre Mato Grosso e Goiás, onde marcas entre 35°C e 37°C são esperadas, e no interior de São Paulo onde as máximas do Centro para o Norte paulista devem ficar entre 33°C e 34°C. Minas Gerais mantém calor forte no Triângulo Mineiro, e Rio de Janeiro e Espírito Santo seguem com temperaturas elevadas. O Brasil entra em maio com os termômetros contando duas histórias opostas, e quem mora no Sul guarda casacos enquanto quem vive no Centro procura ar-condicionado.

E você, está no frio do Sul ou no calor do Centro? Qual extremo está enfrentando neste fim de abril? Deixe sua opinião nos comentários.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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