Modernização da defesa aérea avança com produção nacional, transferência de tecnologia e geração de empregos estratégicos na indústria aeroespacial brasileira, consolidando capacidade operacional e autonomia tecnológica em um dos programas militares mais relevantes do país nas últimas décadas.
O Brasil avançou na renovação de sua aviação de caça com a incorporação de 36 aeronaves F-39 Gripen, das quais 15 terão montagem final em território nacional, em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo.
O marco mais recente ocorreu em 25 de março de 2026, quando foi apresentado o primeiro exemplar produzido no país, numa cerimônia com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Programa F-X2 e modernização da Força Aérea Brasileira
A iniciativa integra o programa F-X2, voltado ao reequipamento e à modernização da frota de caças supersônicos da Força Aérea Brasileira.
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Além da entrega de aeronaves, o projeto combina transferência de tecnologia, formação de quadros técnicos e ampliação da base industrial de defesa, num arranjo que envolve a FAB, a Embbraer, a Saab e órgãos do governo federal.

Embora o noticiário internacional tenha voltado a atenção para a escalada militar em diferentes regiões do mundo, o programa brasileiro não nasceu de uma reação pontual a crises recentes.
A contratação dos Gripen decorre de um processo iniciado há mais de uma década, com escolha anunciada em dezembro de 2013, contrato comercial assinado em 2014 e financiamento formalizado em 26 de agosto de 2015 com a Swedish Export Credit Corporation, a AB SEK.
Capacidades do F-39 Gripen e tecnologia embarcada
O F-39 Gripen é classificado pela FAB como um caça multimissão de nova geração, preparado para missões de defesa aérea, alerta, ataque e reconhecimento.
Na prática, isso significa uma plataforma capaz de atuar tanto em ações de superioridade aérea quanto em operações contra alvos em terra e no mar, com integração entre sensores, armamentos e sistemas eletrônicos.
Entre os recursos embarcados, o modelo traz sistema de guerra eletrônica e o radar AESA Raven ES-05, citado como um dos elementos centrais do ganho de consciência situacional da aeronave.
Esse conjunto permite rastrear alvos em diferentes direções e frequências, ao mesmo tempo em que amplia a capacidade de reação em cenários complexos.
O avanço não ficou restrito à ficha técnica.
Desde fevereiro de 2026, o Gripen passou a ser empregado pela primeira vez em missões de Alerta de Defesa Aérea a partir da Base Aérea de Anápolis, em Goiás.
Produção no Brasil e transferência de tecnologia
A apresentação do primeiro caça produzido no Brasil consolidou uma etapa que vinha sendo preparada desde a instalação da linha de produção do Gripen E na unidade da Embraer em Gavião Peixoto, inaugurada em 2023.
Com esse movimento, o país passou a integrar um grupo restrito de nações com capacidade de participar da fabricação de aeronaves de combate avançadas.
No discurso oficial divulgado pelo governo federal, o Brasil passou a ser descrito como o primeiro país da América Latina a dominar o processo de produção de caças supersônicos.

O eixo industrial do projeto também inclui transferência estruturada de conhecimento.
Segundo o Ministério da Defesa e a PGFN, o programa levou cerca de 350 brasileiros à Suécia para capacitação avançada.
A formação desses profissionais alimenta o centro de desenvolvimento do Gripen instalado no Brasil e reforça a retenção de mão de obra especializada em áreas consideradas estratégicas.
Empregos, indústria e impacto econômico do Gripen
Os números divulgados pelo governo apontam que o programa já impulsionou a criação de mais de 12 mil empregos, sendo cerca de 2 mil diretos e 10 mil indiretos.
A estimativa é apresentada como parte do efeito de encadeamento gerado pela produção, pelo desenvolvimento tecnológico e pela rede de fornecedores associada ao Gripen.
No plano contratual, o financiamento da aquisição foi acertado em dezembro de 2014 e formalizado em agosto de 2015 entre a República Federativa do Brasil e a AB SEK.
De acordo com a procuradora Suely Dib, que participou da negociação, o instrumento foi aditado em 2018 e novamente em 2025.
Ela afirmou que o processo ocorreu “sempre representado pela PGFN”.
O contrato original com o governo brasileiro prevê 28 aeronaves Gripen E e 8 Gripen F.
As entregas começaram em 2020 e, até a apresentação do primeiro caça produzido no Brasil, 11 aeronaves já haviam sido entregues.
Avanço operacional e próximos marcos do programa
Antes da apresentação do exemplar montado no país, o Brasil já havia recebido aeronaves seriadas produzidas no exterior.
A etapa atual marca a passagem da recepção operacional para a produção com participação industrial local mais robusta.
A sequência do cronograma prevê continuidade das entregas e aprofundamento da capacitação tecnológica.
Para a FAB, o Gripen foi concebido para atender à necessidade operacional brasileira dentro da Estratégia Nacional de Defesa.
Ao mesmo tempo, o programa atua como alavanca para a indústria aeroespacial instalada no país, combinando poder militar, formação técnica e política industrial.
