Entenda como a nova rota de suprimento por gasoduto começou a operar em abril de 2025, quais empresas participaram e os impactos para os países envolvidos
Em abril de 2025, o Brasil realizou a primeira importação de gás natural da Argentina, utilizando a infraestrutura de gasodutos da Bolívia como rota de transporte. A operação envolveu as empresas TotalEnergies Argentina, Matrix Energia (Brasil) e a estatal YPFB (Bolívia). Esse projeto representa uma alternativa logística e comercial viável, com potencial de expansão, e visa diversificar o suprimento energético nacional.
Contexto energético e necessidade de novas rotas
Desde 2023, o Brasil tem enfrentado queda no fornecimento de gás da Bolívia, segundo o Ministério de Minas e Energia. Nesse cenário, o país passou a buscar novas fontes de suprimento, especialmente para atender à indústria e evitar gargalos logísticos. A Argentina, por sua vez, ampliou sua produção na formação de Vaca Muerta, tornando-se capaz de exportar excedentes. A Bolívia, com infraestrutura já instalada, passou a atuar como país de trânsito, viabilizando tecnicamente a operação.
Quem realizou a operação logística entre os três países?
A remessa de estreia, realizada em 1º de abril de 2025, transportou cerca de 500 mil metros cúbicos de gás natural da Argentina ao Brasil. Para isso, empresas extraíram o gás em Vaca Muerta e, em seguida, transportaram-no por dutos argentinos até a Bolívia. De lá, por meio da rede da YPFB, encaminharam-no ao Brasil. Conforme informado em nota da Matrix Energia, o objetivo inicial, portanto, era testar a viabilidade técnica da logística para futuras operações. No entanto, essa remessa não envolveu compromissos de fornecimento contínuo — afinal, o contrato foi de caráter pontual (spot).
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Motivações e benefícios para os países participantes
Para o Brasil, a iniciativa, além de tudo, ajuda a mitigar riscos de fornecimento, ampliar a concorrência entre fornecedores e, consequentemente, reduzir custos no médio prazo. Já para a Argentina, o projeto representa, por sua vez, um novo canal de exportação, justamente em um momento de produção excedente. Enquanto isso, a Bolívia, com capacidade ociosa em sua malha de dutos, obteve receita adicional com a prestação do serviço de transporte. De acordo com a Reuters e a Bloomberg Línea, especialistas discutiram essa cooperação por mais de um ano; somente depois disso, equipes técnicas e jurídicas conseguiram viabilizá-la.
Ao mesmo tempo, o Brasil, por meio do Plano de Expansão da Malha de Gás Natural (PEM-Gás), lançado pelo Ministério de Minas e Energia, estruturou diretrizes para ampliar o suprimento ao setor industrial, com foco em segurança e integração logística.
Limitações da operação e próximos passos
Apesar de considerarem a operação bem-sucedida, especialistas alertam que os países ainda não firmaram contratos de longo prazo. Além disso, durante o inverno argentino (junho a agosto), a demanda interna costuma priorizar o consumo local e, com isso, reduz a oferta destinada à exportação. O Ministério de Minas e Energia brasileiro informou que estuda a ampliação da rota, desde que existam condições técnicas e econômicas favoráveis. A Petrobras, conforme declarado à Bloomberg Línea, também avalia acordos com produtores argentinos, mas ainda sem previsão oficial.
