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Brasil identifica 418 produtos com potencial de exportação para a Espanha e aposta no acordo UE-Mercosul que entra em vigor em maio para vender de abacates e carne bovina a biocombustíveis no mercado europeu

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Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 18/04/2026 às 21:21 Atualizado em 18/04/2026 às 21:23
O Brasil identificou 418 produtos para exportação à Espanha. O acordo UE-Mercosul elimina tarifas em maio e pode gerar US$ 1 bilhão a mais.
O Brasil identificou 418 produtos para exportação à Espanha. O acordo UE-Mercosul elimina tarifas em maio e pode gerar US$ 1 bilhão a mais.
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O Brasil identificou 418 produtos com potencial de exportação para a Espanha, incluindo abacates, carne bovina desossada, peças de motor e biocombustíveis. O acordo UE-Mercosul, que entra em vigor em 1º de maio, eliminará tarifas sobre 543 produtos brasileiros e pode aumentar o fluxo comercial em US$ 1 bilhão. O comércio bilateral já dobrou na última década, atingindo quase €11 bilhões em 2025.

O Brasil acaba de mapear 418 produtos com potencial de exportação para o mercado espanhol e está se preparando para aproveitar uma janela que pode transformar a relação comercial entre os dois países. A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex Brasil) identificou oportunidades que vão de abacates e carne bovina desossada a peças de motor e biocombustíveis, em um levantamento apresentado durante a primeira cúpula Espanha-Brasil, realizada nesta sexta-feira em Barcelona. O acordo entre a União Europeia e o Mercosul, que entra em vigor em 1º de maio, eliminará tarifas sobre 543 produtos brasileiros de exportação, abrindo caminho para que o Brasil aumente seu fluxo comercial com o bloco europeu em US$ 1 bilhão, segundo a Apex.

O momento é estratégico. O comércio bilateral entre Brasil e Espanha dobrou na última década e atingiu quase €11 bilhões em 2025, com destaque para as vendas brasileiras de petróleo (37%), soja (18%), minério de cobre (7,2%) e ração animal (7%). A Espanha é o quinto maior destino de exportação do Brasil e será “uma das principais beneficiárias, juntamente com o Brasil” do acordo Mercosul-UE, segundo Laudemir Müller, presidente da Apex Brasil. Em um cenário global de aumento de tarifas e guerras comerciais, o presidente da Apex destacou que “a Europa e o Mercosul, o Brasil e a Espanha estão fazendo o oposto, adotando uma postura de negociação e mais acordos”.

Os 418 produtos que o Brasil quer exportar para a Espanha

Segundo informações do portal Exame, o levantamento da Apex Brasil não lista qualquer produto: são 418 itens específicos identificados com potencial real de exportação para o mercado espanhol. Entre os destaques estão abacates, carne bovina desossada, peças de motor e biocombustíveis como etanol e biodiesel, produtos que atendem a demandas diferentes do consumidor e da indústria espanhola. A diversidade da lista mostra que o Brasil não quer depender apenas de commodities agrícolas para crescer no mercado europeu.

No setor agrícola, a estratégia de exportação é particularmente inteligente. Além da soja e da ração animal, que já são vendidas em volume, o Brasil quer aproveitar sua alta produção de frutas durante o inverno europeu, quando a disponibilidade local é menor. Abacates brasileiros colhidos entre junho e setembro chegam à Espanha exatamente quando os produtores europeus estão fora de temporada, criando uma complementaridade natural que beneficia ambos os mercados sem competição direta.

O que o acordo UE-Mercosul muda para a exportação brasileira

O acordo entre a União Europeia e o Mercosul é o instrumento que transforma oportunidade em realidade. A eliminação de tarifas sobre 543 produtos brasileiros a partir de maio reduz o custo de exportação e torna itens brasileiros mais competitivos frente a concorrentes de outros países que ainda pagam impostos de importação para entrar no mercado europeu. Para produtos como carne bovina e etanol, que enfrentam barreiras tarifárias significativas, essa redução pode ser a diferença entre viabilidade e inviabilidade comercial.

O impacto projetado é de US$ 1 bilhão em aumento no fluxo comercial, mas o potencial pode ser maior. A Espanha é o quinto maior destino de exportação do Brasil e funciona como porta de entrada para o mercado europeu, o que significa que produtos que se estabelecem no mercado espanhol podem se expandir para França, Itália, Alemanha e outros membros da UE com relativa facilidade. Para a estratégia de exportação brasileira, conquistar a Espanha não é um fim em si, é um passo para conquistar um mercado de 450 milhões de consumidores.

As preocupações dos agricultores europeus com a exportação brasileira

O acordo UE-Mercosul não foi celebrado unanimemente na Europa. Agricultores espanhóis e de outros países europeus expressaram preocupações de que a entrada de produtos brasileiros sem tarifas prejudicaria a produção local, especialmente em setores como carne bovina e frutas, onde o Brasil tem vantagem de escala e custo. Protestos de agricultores marcaram as negociações do acordo nos últimos anos, e a questão permanece sensível na política europeia.

Laudemir Müller, presidente da Apex Brasil, respondeu que “essas preocupações são muitas vezes naturais, pois são setores que não são muito bem compreendidos”. O acordo inclui cotas e salvaguardas para produtos sensíveis, negociadas até o último momento para evitar desequilíbrios que poderiam prejudicar produtores europeus. Na prática, isso significa que a exportação brasileira de carne bovina, por exemplo, terá um limite de volume que pode entrar sem tarifa, e qualquer excedente acima dessa cota continuará pagando impostos. O objetivo declarado é complementaridade, não substituição.

Os biocombustíveis como nova frente de exportação do Brasil para a Europa

Além dos produtos agrícolas tradicionais, a Apex Brasil vê nos biocombustíveis uma das frentes mais promissoras de exportação para a Espanha e para a Europa. Etanol e biodiesel brasileiros atendem diretamente à demanda europeia por combustíveis de baixo carbono, em um continente que tem metas ambiciosas de redução de emissões e que precisa de fontes alternativas para substituir derivados de petróleo no transporte e na indústria.

O Brasil é o segundo maior produtor mundial de etanol e tem uma cadeia de produção de biocombustíveis que combina escala, tecnologia e custo competitivo. Com o acordo UE-Mercosul facilitando a exportação, o etanol e o biodiesel brasileiros podem ganhar participação significativa no mercado europeu de combustíveis renováveis, um setor que deve crescer substancialmente nos próximos anos à medida que a Europa intensifica sua transição energética. Para o Brasil, vender biocombustíveis para a Europa é uma forma de agregar valor à produção de cana-de-açúcar e soja que hoje já exporta em estado bruto.

O que a cúpula Espanha-Brasil significa para o comércio entre os dois países

A primeira cúpula Espanha-Brasil em Barcelona não é apenas um evento diplomático. A relação entre Lula e Pedro Sánchez é considerada excelente pela Apex, e o alinhamento político entre os dois governos cria condições favoráveis para a exportação que raramente existem em relações bilaterais. Grandes empresas espanholas como Aena e Telefónica (Vivo) já operam no Brasil, enquanto investimentos brasileiros na Espanha vão do setor de proteína animal à transformação digital.

Müller incentiva empresas espanholas a investirem, argumentando que o Brasil “está vivendo seu melhor momento” e é “um país estável, sem conflitos, com regulamentações claras”. Para a estratégia de exportação brasileira, a cúpula de Barcelona é o ponto de partida de um ciclo comercial que deve se acelerar a partir de maio, quando o acordo UE-Mercosul entrar em vigor e as 543 linhas tarifárias forem eliminadas. Os 418 produtos identificados pela Apex são a lista de compras; o acordo é o convite; e a cúpula é o aperto de mão que sela a intenção de fazer negócios.

O Brasil identificou 418 produtos para exportação à Espanha com o acordo UE-Mercosul. Você acha que o Brasil deveria exportar mais valor agregado ou continuar vendendo commodities? Deixe sua opinião nos comentários.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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