Países lideram a expansão do petróleo fora da OPEP, com novos projetos em águas profundas e reservas não convencionais que reforçam o protagonismo da América do Sul no cenário energético global.
O petróleo da América do Sul está ganhando destaque no cenário mundial. Segundo análise da consultoria Rystad Energy, Brasil, Guiana e Argentina, por meio da bacia de Vaca Muerta, lideram uma nova fase de crescimento da produção fora da OPEP+, com custos de extração altamente competitivos e crescente relevância estratégica.
De acordo com o relatório, os três países devem ser responsáveis por quase 60% da nova capacidade mundial de produção de petróleo convencional até 2030, consolidando a região como uma das principais fontes globais de suprimento. O aumento da oferta sul-americana ocorre em um momento de equilíbrio delicado entre crescimento econômico e estabilidade dos preços internacionais.
A Rystad aponta ainda que o petróleo proveniente das águas profundas do Brasil e da Guiana, além do shale argentino, será essencial para garantir o abastecimento global e compensar a desaceleração da produção em outros polos, como os Estados Unidos.
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Demanda mundial por petróleo segue firme até 2040
Mesmo com o avanço das fontes alternativas de energia, a demanda global por petróleo continua sólida. A Rystad projeta que o consumo mundial de líquidos deve atingir o pico na década de 2030, alcançando cerca de 107 milhões de barris por dia (bpd), e se manter acima de 100 milhões de bpd até 2040.
Somente após esse período é que o consumo deverá começar a diminuir gradualmente, caindo para 75 milhões de bpd em 2050. Nesse intervalo, os países da América do Sul terão papel central na oferta global, sustentando a produção com novos projetos offshore e reservas não convencionais de baixo custo.
A expectativa é que os produtores fora da OPEP+ adicionem 5,9 milhões de barris por dia à capacidade mundial até 2030, sendo 560 mil bpd originados da América do Sul e 480 mil bpd da América do Norte.
Brasil avança com pré-sal e reforça posição entre maiores exportadores
O Brasil figura como uma das principais potências emergentes do petróleo offshore, com destaque para os campos do pré-sal em águas ultraprofundas, que possuem altas taxas de produtividade e baixo custo de extração.
Grandes investimentos estão em andamento, com novas Unidades Flutuantes de Produção, Armazenamento e Transferência (FPSO) sendo entregues em 2025, o que ampliará a capacidade nacional.
A produção de petróleo do país, liderada pela Petrobras, tem sido um dos pilares da economia brasileira. Nos últimos anos, o Brasil bateu recordes sucessivos, impulsionado pelo desenvolvimento de novas plataformas e pela exploração contínua de campos em águas profundas.
Apesar de desafios relacionados à infraestrutura e regulação, o setor se mantém dinâmico, com o petróleo brasileiro ocupando posição de destaque nas exportações e atraindo capital estrangeiro de longo prazo.
Guiana cresce rapidamente e se torna novo polo global do petróleo
A Guiana vive um crescimento sem precedentes em sua indústria de petróleo. Em outubro de 2025, o país ultrapassou 770 mil barris por dia, impulsionado pelo consórcio liderado pela ExxonMobil no Bloco Stabroek.
O recente início das operações do projeto Yellowtail, a quarta unidade FPSO instalada na região, elevou significativamente a capacidade produtiva. De acordo com projeções, quando os projetos Uaru e Whiptail entrarem em operação, em 2026 e 2027, respectivamente, a produção pode chegar a 1,3 milhão de barris por dia.
Com isso, a Guiana deve se consolidar como um dos maiores produtores per capita de petróleo do planeta, ultrapassando países tradicionais da OPEP. O rápido crescimento também vem atraindo investimentos de infraestrutura e fortalecendo a economia local, que passou a depender diretamente da exportação de petróleo bruto.
Argentina aposta em Vaca Muerta e amplia produção com foco no shale
Na Argentina, a força do petróleo vem da formação de Vaca Muerta, uma das maiores reservas de petróleo não convencional do mundo, com 16,2 bilhões de barris recuperáveis. Em 2025, a produção subiu 26% em relação ao ano anterior, alcançando 447 mil barris por dia, o que representa mais da metade da produção nacional.
Esse avanço foi impulsionado por investimentos maciços em tecnologia, infraestrutura e produtividade, que reduziram os custos de extração e aumentaram a eficiência operacional.
Empresas internacionais, como Equinor e Shell, voltaram a investir na região, reforçando parcerias com a estatal YPF. A aquisição de participações em blocos estratégicos, como Bandurria Sur e Bajo del Toro, demonstra a confiança do mercado no potencial de crescimento de Vaca Muerta.
Apesar do otimismo, a consultoria Rystad alerta para desafios logísticos e de escoamento, que já começam a afetar a expansão da produção. Ainda assim, a Argentina vem diversificando sua matriz energética com o gás natural, cuja produção cresceu 16% no primeiro trimestre de 2025, alcançando 2,1 bilhões de pés cúbicos por dia.
Essa evolução abre caminho para o país consolidar uma estratégia de exportação de GNL (gás natural liquefeito), fortalecendo sua posição como fornecedor regional e parceiro estratégico para o comércio global de energia.
Rystad Energy destaca necessidade de novos investimentos no setor de petróleo
Segundo Radhika Bansal, vice-presidente de Pesquisa de Exploração e Produção da Rystad Energy, os poços atuais devem entregar menos da metade de sua capacidade até 2030, o que reforça a urgência de investimentos contínuos em novas áreas produtivas.
Bansal ressalta que os ativos descobertos e ainda não desenvolvidos terão papel essencial na manutenção da oferta mundial, equilibrando o mercado diante do envelhecimento natural dos campos maduros.
Ela também alertou que “riscos na superfície podem causar atrasos nos cronogramas dos projetos”, enfatizando que o histórico da América do Sul em águas profundas dá à região uma vantagem competitiva significativa frente a outros produtores.
Com preços atrativos, produtividade crescente e diversificação geográfica, o petróleo sul-americano se consolida como uma das mais importantes fontes de equilíbrio para o mercado global. Países como Brasil, Guiana e Argentina reforçam o papel da região como pilar central do futuro da indústria do petróleo, combinando inovação, eficiência e protagonismo econômico.
