Agro brasileiro alcançou US$ 87 bilhões no primeiro semestre, enquanto soja, carnes e algodão reduziram rapidamente a vantagem dos Estados Unidos
O Brasil está próximo de ultrapassar os Estados Unidos como maior exportador agrícola do mundo, segundo reportagem publicada pelo Financial Times em 21 de julho de 2026.
Em 2025, os americanos exportaram US$ 171 bilhões em produtos agrícolas. Enquanto isso, o resultado brasileiro ficou apenas US$ 2 bilhões abaixo.
Anteriormente, em 2021, os Estados Unidos exportavam US$ 56 bilhões a mais que o Brasil. Desde então, portanto, essa distância diminuiu rapidamente.
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Exportações agrícolas do Brasil alcançam recorde em 2026
No primeiro semestre de 2026, as vendas internacionais do agronegócio brasileiro cresceram 6%.
Consequentemente, as exportações atingiram o recorde de US$ 87 bilhões, conforme os números apresentados pelo Financial Times.
Os dados comparativos foram reunidos pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos e pelo Ministério da Agricultura brasileiro.
Principalmente, o crescimento foi impulsionado por produtos nos quais o Brasil já ocupa posições relevantes no mercado mundial:
- Soja;
- Carne bovina;
- Carne de frango;
- Algodão.
Nesse último segmento, os Estados Unidos lideravam anteriormente. Contudo, o Brasil assumiu a dianteira nas exportações mundiais de algodão.

Tarifas de Trump ajudaram a mudar o comércio agrícola
A mudança, entretanto, não ocorreu apenas pelo avanço da produção brasileira.
Segundo analistas consultados pelo Financial Times em Iowa e Mato Grosso, as disputas comerciais promovidas por Donald Trump também influenciaram esse movimento.
Em 2018, durante o primeiro mandato de Trump, os Estados Unidos impuseram tarifas contra produtos chineses.
Posteriormente, a China reagiu reduzindo as compras de produtos agrícolas americanos. Ao mesmo tempo, o país ampliou a procura por fornecedores brasileiros.
Em 2016, conforme o UN Comtrade, os chineses compravam volumes semelhantes de soja do Brasil e dos Estados Unidos.
Em 2025, porém, o Brasil exportou mais de 80 milhões de toneladas de soja para a China. Enquanto isso, as vendas americanas ficaram muito abaixo.
Agricultores americanos enfrentam perdas nas principais culturas
Apesar da redução das exportações, os Estados Unidos ainda produzem safras consideradas extraordinárias pelo Financial Times.
Atualmente, porém, os produtores do Meio-Oeste enfrentam preços baixos, tensões comerciais e margens menores.
Segundo a American Farm Bureau Federation, as perdas estimadas para 2027 podem alcançar:
- US$ 138 por acre na soja;
- US$ 167 no milho;
- US$ 145 no trigo;
- US$ 406 no algodão.
Tecnologia ajudou o Brasil a se transformar em potência agrícola
Até a década de 1970, o Brasil dependia de importações para alimentar sua população.
Posteriormente, o país ampliou a exploração agrícola do território e avançou na produção de café, cana-de-açúcar e suco de laranja.
Entre os principais fatores dessa transformação, destacam-se duas ou três safras anuais, terras mais baratas e correção de solos pobres em nutrientes.
Além disso, o desenvolvimento genético permitiu adaptar diferentes culturas ao clima brasileiro.
Segundo Raphael Bulascoschi, analista da StoneX, esse modelo contínuo dilui custos fixos e, normalmente, melhora as margens das propriedades rurais.
Juros e fertilizantes ainda ameaçam o avanço brasileiro
Apesar do crescimento, especialistas ouvidos pelo Financial Times também apontaram riscos para o agronegócio brasileiro.
Atualmente, os principais obstáculos envolvem juros elevados, queda dos preços das commodities e aumento dos custos dos fertilizantes.
Esse insumo ficou mais caro após a guerra entre Irã e Israel.
Finalmente, o cenário exige atenção porque o Brasil depende majoritariamente de fornecedores estrangeiros para abastecer sua produção com fertilizantes.
Diante desse avanço histórico, você acredita que o Brasil conseguirá ultrapassar os Estados Unidos e assumir a liderança mundial das exportações agrícolas?
