China mantém aquisições nos Estados Unidos, enquanto preços competitivos, prêmios elevados e logística favorecem a soja brasileira no segundo semestre de 2026
Em 20 de julho de 2026, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos anunciou uma nova venda de 374 mil toneladas de soja da safra 2026/27. Desse volume, 264 mil toneladas serão destinadas à China, enquanto outras 110 mil seguirão para compradores ainda não revelados.
A negociação chamou atenção porque a soja norte-americana permanece mais cara que a brasileira. Ainda assim, a China continua fechando contratos nos Estados Unidos. Por isso, participantes do mercado classificam essas aquisições como compras de caráter principalmente “político”.
Ao mesmo tempo, a movimentação não elimina a vantagem comercial do Brasil. Pelo contrário, a diferença entre os preços mantém a soja brasileira competitiva e sustenta boas oportunidades entre setembro e dezembro.
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China concentra compras de soja dos EUA nos embarques de setembro e outubro
Até julho de 2026, 42 navios estavam programados para embarques norte-americanos em setembro e outubro. A distribuição incluía 15 embarcações em setembro e outras 27 em outubro.
Enquanto isso, a China já havia adquirido 47 navios com soja brasileira. Além disso, cinco embarcações envolviam cargas originadas na Argentina, no Uruguai e no Canadá.
Segundo Eduardo Vanin, estrategista agrícola sênior da Marex, a soja norte-americana embarcada em setembro será produzida principalmente na região do Delta.
Nessa área, o plantio acontece mais cedo. Consequentemente, os produtores também antecipam a colheita e utilizam os portos do Golfo para o escoamento.
Essa combinação reduz parcialmente os custos logísticos. Contudo, mesmo a soja mais barata disponível nos Estados Unidos continua mais cara que o produto brasileiro.
Soja brasileira preserva desconto sem comprometer os preços
Atualmente, o Brasil trabalha com um desconto próximo de 30 centavos de dólar por bushel diante da soja dos Estados Unidos.
Mesmo assim, conforme Vanin, os exportadores brasileiros não precisam ampliar significativamente essa diferença. Os negócios norte-americanos apresentam valores mais elevados em diferentes etapas da comercialização.
Nesse cenário, os prêmios no interior dos Estados Unidos permanecem altos. Da mesma forma, os preços FOB e o chamado flat price superam os níveis brasileiros.
Consequentemente, o Brasil preserva preços favoráveis durante a janela de setembro, outubro, novembro e dezembro. Portanto, a procura norte-americana pela China não retira a competitividade brasileira.
Logística e esmagamento dificultam queda da soja norte-americana
Além dos preços, a logística representa outro obstáculo para os Estados Unidos. Antes mesmo do início da temporada, os fretes das barcaças já registram avanço.
Paralelamente, os custos ferroviários também sobem. Esse movimento acompanha os grandes programas de transporte de milho, farelo e soja pelos portos do Pacífico.
Ao mesmo tempo, o esmagamento norte-americano continua crescendo. Atualmente, as margens positivas dessa atividade permanecem próximas de US$ 110 por tonelada.
Diante desses fatores, Vanin não identifica espaço para a soja dos Estados Unidos ficar mais barata que a brasileira.
As tarifas continuam incidindo sobre o produto norte-americano. Mesmo sem essa cobrança, entretanto, a oleaginosa brasileira ainda manteria preços inferiores.
Brasil pode exportar até 114 milhões de toneladas de soja em 2026
Para 2026, Vanin estima que o Brasil exporte 113 milhões de toneladas, com aproximadamente 86 milhões destinadas ao mercado chinês.
Entretanto, o volume total poderá alcançar 114 milhões de toneladas. Nesse cenário, a China responderia por até 87 milhões.
Por sua vez, a soja norte-americana deverá ser direcionada principalmente às estatais chinesas. Parte das compras abastecerá reservas, enquanto outra parcela seguirá para o esmagamento.
Consequentemente, essas aquisições poderão substituir uma pequena parte da soja brasileira. Ainda assim, a participação menor da Argentina deixa o abastecimento apertado no fim do ano.
Compras chinesas reforçam vantagem da soja brasileira
Finalmente, dados da Administração Geral das Alfândegas da China confirmam a força brasileira em junho de 2026.
Na comparação anual, as importações chinesas de soja norte-americana recuaram aproximadamente 21%.
Em contrapartida, as compras provenientes do Brasil cresceram 13,7%. O volume passou de 10,62 milhões para 12,08 milhões de toneladas.
Já entre janeiro e junho, as chegadas de soja brasileira avançaram 9,1%, alcançando 34,75 milhões de toneladas.
Assim, embora a China continue comprando nos Estados Unidos, preço, logística e disponibilidade mantêm o Brasil em posição favorável no mercado chinês de soja.
