Programa de R$ 1,5 bilhão concluiu cinco das nove infovias previstas, conecta Manaus a Boa Vista e levará internet a escolas, unidades de saúde e órgãos públicos em seis estados da região Norte até 2028
O Norte Conectado atingiu 5,8 mil quilômetros de cabos de fibra ótica instalados nos rios amazônicos após a entrega da infovia 04, entre Manaus e Boa Vista. O programa, orçado em R$ 1,5 bilhão, pretende alcançar 13,2 mil quilômetros, mais de 70 cidades e 900 pontos públicos de conexão até 2028.
Com cinco das nove infovias entregues, o Brasil concluiu cerca de 45% do maior programa mundial de instalação de cabos de internet em leitos de rios. As redes já finalizadas são as infovias 00, 01, 02, 03 e 04.
O projeto abrange Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia e Roraima. As infovias restantes, numeradas de 05 a 08, estão em planejamento ou implantação e tiveram o prazo de conclusão ampliado para 2028.
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Norte Conectado teve prazo afetado pelas secas na Amazônia
A conclusão havia sido inicialmente prevista para 2025. Segundo Gina Marques, presidente da Entidade Administradora da Faixa, as secas sucessivas registradas na Amazônia dificultaram as operações e provocaram a postergação.
A engenheira também demonstrou preocupação com os possíveis efeitos do chamado “Super El Niño” previsto para este ano.
Mudanças de temperatura, períodos de seca e outras condições ambientais podem exigir uma revisão das etapas do projeto.
Apesar do adiamento, o orçamento permanece em R$ 1,5 bilhão. Os recursos são pagos pelas operadoras como contrapartida pelas licenças adquiridas no leilão de 5G realizado pela Agência Nacional de Telecomunicações em 2021.
O programa também recebeu o selo do Novo PAC. A entrega mais recente ocorreu no início de julho, em Roraima, durante a II Semana do Clima da Amazônia.

Cabos de fibra submersos evitam abertura de corredores terrestres
Os responsáveis pelo projeto afirmam que a instalação fluvial reduz o impacto ambiental. Segundo as informações apresentadas na inauguração, o modelo evita o corte de aproximadamente 68 milhões de árvores que poderiam ser afetadas por uma implantação terrestre.
Cada cabo possui 48 pares de fibras óticas e é lançado no leito do rio. Ao chegar à margem, passa por uma tubulação plástica ligada a uma caixa de ancoragem, onde se conecta à estrutura terrestre.
A operação utiliza uma embarcação projetada para transportar equipamentos e até 110 pessoas. A plataforma possui laboratórios para testar emendas, oito contêineres de dormitórios, academia e sala de jogos.
Mergulhadores trabalham em turnos de 24 horas para orientar os cabos em profundidades que podem chegar a 18 metros.
Correntezas, pedras e bancos de areia em constante deslocamento estão entre os principais desafios técnicos.

Escolas, unidades de saúde e órgãos públicos receberão conexão
O Norte Conectado prevê mais de 900 pontos de acesso em escolas, unidades de saúde, institutos federais de ciência e tecnologia e órgãos de segurança pública. Mais de 70 cidades deverão ser atendidas.
A estrutura inclui ainda 46 mini data centers instalados em contêineres próximos aos rios. Desse total, 23 já estão ativos, com custo de R$ 2 milhões por unidade.
Os equipamentos possuem energia solar, refrigeração, sistemas contra incêndio, alarmes e câmeras de monitoramento. A estrutura foi desenvolvida para resistir às condições climáticas da região amazônica.
Após a instalação, as infovias são entregues ao Ministério das Comunicações. Empresas selecionadas passam a operar e manter a rede, recebendo dois pares de fibra para comercializar planos de internet.
Fibra ótica disputa espaço com internet por satélite
A internet via satélite da Starlink ajudou a atender áreas sem conexão na região Norte. A empresa ultrapassou um milhão de clientes no Brasil, concentrados principalmente nessa parte do país.
Provedores locais, porém, afirmam que a fibra ótica oferece velocidade maior e preço menor nas cidades. A expectativa é que o serviço por satélite continue relevante em áreas isoladas, enquanto a fibra ganhe espaço nos centros urbanos.
A manutenção da rede submersa ainda representa um desafio. Segundo Adriano Vieira, presidente da Ozônio, os custos mensais são elevados e os reparos dependem de profissionais especializados e do cumprimento de prazos específicos.
Esta matéria foi elaborada com base nas informações fornecidas sobre o Programa Norte Conectado, com dados, números e declarações preservados conforme o material consultado.

