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Brasil investe R$ 2,8 bilhões para ressuscitar estaleiros, encomenda 41 navios, barcaças e empurradores, promete mais de 9 mil empregos e tenta virar o jogo contra a dependência de embarcações alugadas no transporte de gás e cargas

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Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 15/09/2026 às 16:33 Atualizado em 15/09/2026 às 16:53
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41 novas embarcações/Reprodução
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Petrobras e Transpetro colocam R$ 2,8 bilhões em 41 novas embarcações feitas no Brasil, com obras em três estados e mais de 9 mil empregos previstos.

Cinco grandes navios para transportar gás começam a tomar forma no Rio Grande do Sul. A milhares de quilômetros dali, trabalhadores de Manaus constroem barcaças que levarão combustível para portos brasileiros. Em Santa Catarina, outro estaleiro prepara os empurradores que vão movimentar essas cargas pela água. Segundo a Agência Gov, Petrobras e Transpetro contrataram 41 novas embarcações por cerca de R$ 2,8 bilhões, com potencial para gerar mais de 9 mil empregos diretos e indiretos.

Os contratos foram assinados em janeiro de 2026 dentro do Programa Mar Aberto, criado para renovar e aumentar a frota usada pelo Sistema Petrobras. São cinco navios gaseiros, 18 barcaças e 18 empurradores. As obras foram divididas entre Rio Grande do Sul, Amazonas e Santa Catarina, colocando três polos navais brasileiros dentro do mesmo pacote de encomendas.

O pacote coloca 41 novas embarcações em construção

A conta é simples. Os cinco gaseiros serão usados para transportar GLP, o gás liquefeito de petróleo presente no botijão de cozinha, além de outros derivados. As 18 barcaças carregarão combustíveis, enquanto os 18 empurradores terão a função de movimentá-las.

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Juntas, essas três encomendas chegam a aproximadamente R$ 2,8 bilhões. O maior contrato está no Rio Grande do Sul, mas os trabalhos também chegam diretamente a Manaus e Navegantes.

A Transpetro será responsável pela operação das embarcações. A empresa é uma subsidiária da Petrobras e cuida de boa parte do transporte e da logística de petróleo, gás e derivados no país.

Rio Grande do Sul fica com a maior parte do investimento

O Estaleiro Rio Grande, controlado pela Ecovix, ficará responsável pelos cinco gaseiros. O contrato soma cerca de R$ 2,2 bilhões, quase quatro quintos de todo o pacote anunciado em janeiro.

Serão três navios com capacidade para 7 mil metros cúbicos e dois maiores, com capacidade para 14 mil metros cúbicos. Todos serão usados para transportar GLP e outros produtos pela costa brasileira.

A expectativa divulgada no início do programa era de até 3,2 mil empregos diretos e indiretos ligados apenas à construção desses cinco navios. O trabalho envolve soldadores, montadores, eletricistas, engenheiros e dezenas de empresas que fornecem peças e serviços.

Os novos gaseiros terão tecnologia para gastar menos combustível

Os cinco navios não serão simples cópias da frota atual. A Petrobras informou que eles terão consumo de energia até 20% menor e poderão reduzir em cerca de 30% as emissões de gases que aumentam o aquecimento do planeta.

Eles também serão preparados para operar em portos com fornecimento de energia elétrica. Isso permite desligar parte dos equipamentos movidos a combustível enquanto o navio está parado, reduzindo consumo e emissões durante a operação no cais.

O projeto também deixa espaço para novas soluções de combustível no futuro. Informações do setor naval indicam que os navios poderão receber adaptações caso a Transpetro decida usar metanol como fonte de energia mais adiante.

A frota de gaseiros deverá mais que dobrar

A Transpetro tinha seis gaseiros antes do novo ciclo de encomendas. O plano completo prevê oito novos navios, sendo cinco construídos no Rio Grande do Sul e outros três contratados em outro lote.

Brasil coloca R$ 2,8 bilhões em nova frota de gaseiros, barcaças e empurradores
Brasil coloca R$ 2,8 bilhões em nova frota de gaseiros, barcaças e empurradores

Com os oito, a frota poderá passar de seis para 14 gaseiros. A empresa calcula que sua capacidade de transporte de GLP e outros derivados ficará cerca de três vezes maior.

Ter mais navios próprios também reduz a necessidade de alugar embarcações de outras empresas. Esse aluguel é chamado de afretamento e costuma ser usado quando a companhia não tem navios suficientes para atender suas rotas.

Em Manaus, 18 barcaças começam a abrir outra frente

No Amazonas, o trabalho ficou com o Estaleiro Bertolini Construção Naval da Amazônia, conhecido como Beconal. A encomenda é de 18 barcaças, com investimento atualizado de aproximadamente R$ 303,5 milhões.

Barcaça é uma embarcação grande e de fundo mais simples, feita para transportar muito peso. Ela não possui motor para navegar sozinha e precisa ser empurrada por outra embarcação menor.

Das 18 unidades, dez poderão transportar até 3 mil toneladas e oito terão capacidade para 2 mil toneladas. As maiores terão até 70 metros de comprimento, 16 metros de largura e poderão levar diferentes tipos de combustível em tanques separados.

As barcaças já entraram em uma fase mais avançada

A encomenda do Amazonas deixou de ser apenas um contrato no papel. Em agosto de 2026, a Transpetro informou que a primeira barcaça estava perto de entrar na fase flutuante da construção, quando o casco já pode ir para a água.

A previsão divulgada naquele momento era concluir a primeira unidade em outubro de 2026. A companhia pretende começar a operação pelo Rio de Janeiro e depois avançar para Santos e Belém.

O plano é colocar as 18 barcaças em operação até fevereiro de 2028. Elas também deverão atender Paranaguá, no Paraná, e Rio Grande, no Rio Grande do Sul.

Santa Catarina construirá os 18 empurradores

As barcaças não navegam sozinhas. Por isso, o mesmo projeto inclui 18 empurradores, que serão construídos pela Indústria Naval Catarinense, em Navegantes, Santa Catarina.

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O contrato soma cerca de R$ 325,3 milhões. Cada empurrador terá até 18,7 metros de comprimento e potência de 450 quilowatts, força suficiente para mover e controlar as barcaças durante as operações.

Essas embarcações poderão navegar continuamente por até cinco dias. Também terão equipamentos para melhorar a precisão das manobras em portos, canais e áreas onde existe pouco espaço para movimentar um conjunto grande.

Barcaça e empurrador funcionarão como um conjunto

Na prática, os dois tipos de embarcação trabalham juntos. O empurrador se encaixa na parte traseira da barcaça e fornece a força necessária para o conjunto navegar.

A velocidade prevista chega a cerca de seis nós. Um nó equivale a aproximadamente 1,85 quilômetro por hora, o que coloca a velocidade máxima perto de 11 quilômetros por hora.

Pode parecer pouco, mas essas embarcações não foram feitas para correr. O objetivo é deslocar grandes volumes de combustível com segurança dentro de portos, baías, rios e outras águas mais protegidas.

O combustível marítimo será uma das principais cargas

Barcaças e empurradores serão usados principalmente no transporte de bunker. Esse é o nome dado ao combustível usado por grandes navios.

Hoje, levar bunker até uma embarcação pode exigir diferentes operações e empresas. A Transpetro quer entrar diretamente nesse mercado e usar sua própria frota para atender navios nos principais portos brasileiros.

A empresa prevê operações no Rio de Janeiro, Santos, Belém, Paranaguá e Rio Grande. O novo serviço também coloca a Transpetro na chamada navegação interior, que inclui rios, canais, lagos, baías e outras águas protegidas.

Mais de 9 mil empregos podem nascer das encomendas

O impacto industrial não fica apenas dentro dos navios. O governo e a Petrobras calculam que o pacote completo pode envolver mais de 9 mil empregos diretos e indiretos durante a construção.

Somente as 18 barcaças e os 18 empurradores podem reunir cerca de 1,5 mil postos diretos e aproximadamente 4,6 mil indiretos. Isso representa perto de 6,1 mil trabalhadores ligados às duas encomendas.

Os cinco gaseiros acrescentam até 3,2 mil empregos diretos e indiretos. Somadas, as três frentes passam da marca de 9 mil postos prevista quando os contratos foram anunciados.

Uma encomenda naval espalha trabalho muito além do estaleiro

Construir um navio exige muito mais do que montar chapas de aço perto da água. Cada embarcação precisa de motores, tubulações, sistemas elétricos, válvulas, cabos, equipamentos de segurança, tintas e centenas de outros itens.

Por isso aparecem os empregos indiretos. Empresas localizadas longe do estaleiro podem fornecer peças, transporte, alimentação, equipamentos e serviços durante vários anos de construção.

É também por isso que grandes encomendas são importantes para cidades que dependem da indústria naval. Quando um estaleiro recebe vários navios de uma vez, consegue manter equipes trabalhando por mais tempo e contratar fornecedores com maior segurança.

O Programa Mar Aberto vai muito além dessas 41 embarcações

Os R$ 2,8 bilhões fazem parte de um plano maior. O Programa Mar Aberto reúne diferentes projetos para renovar e ampliar a frota usada pela Petrobras e pela Transpetro.

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Em junho de 2026, a Transpetro informou que já havia encomendado 52 embarcações dentro do programa, com investimentos próximos de R$ 11,6 bilhões até 2030. O planejamento mais amplo prevê dezenas de outras unidades nos próximos anos.

O plano de negócios da Petrobras também inclui novos navios de cabotagem e embarcações de apoio usadas nas operações de petróleo no mar. Cabotagem é o transporte feito entre portos do mesmo país.

Os cinco gaseiros ainda passam por uma etapa antes das obras ganharem força

Embora os contratos tenham sido assinados em janeiro, os gaseiros ainda precisavam cumprir etapas ligadas a seguros e garantias antes da mobilização completa da construção.

Em 21 de agosto de 2026, a Transpetro informou que a documentação estava na fase final. A expectativa naquele momento era concluir a chamada eficácia do contrato até o fim daquele mês.

Essa etapa libera o avanço das atividades previstas no contrato. Por isso, o cronograma dos gaseiros anda em ritmo diferente das barcaças, cuja primeira unidade já estava entrando na fase final de construção em agosto.

Três estados passam a trabalhar na mesma nova frota

No Rio Grande do Sul, o trabalho está ligado aos grandes navios que levarão gás pela costa. No Amazonas, trabalhadores constroem as barcaças que transportarão combustível dentro de portos e águas protegidas.

Em Santa Catarina, os empurradores completarão esses conjuntos. Quando as unidades começarem a operar, embarcações construídas em três regiões diferentes trabalharão dentro da mesma rede logística.

O pacote começou com contratos assinados por R$ 2,8 bilhões. Agora, parte das obras já saiu do papel, enquanto outra avança pelas últimas etapas antes de ganhar escala nos estaleiros.

São 41 embarcações apenas neste conjunto. Atrás delas há aço, motores, solda, engenharia e milhares de trabalhadores espalhados pelo país.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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