Relatório final mostra como interruptor quebrado do assento do comandante fez Boeing 787 da LATAM mergulhar a 41 mil pés e perder o controle por 12 segundos
Um Boeing 787 da LATAM perdeu o controle por aproximadamente 12 segundos porque um interruptor quebrado permitiu que o assento do comandante avançasse inesperadamente dentro do cockpit. O movimento pressionou as pernas do piloto contra a coluna de comando, desconectou o piloto automático e provocou uma descida repentina que deixou três pessoas gravemente feridas.
A sequência ocorreu em 11 de março de 2024, durante o voo LA800 entre Sydney, na Austrália, e Auckland, na Nova Zelândia. O Boeing 787-9 de matrícula CC-BGG transportava 263 passageiros e nove tripulantes quando sofreu a queda repentina sobre o mar da Tasmânia.
Comandante estava com as pernas cruzadas quando o assento começou a avançar
Segundo o Relatório Final do Acidente Aeronáutico nº 2052-24, elaborado pela Direção Geral de Aeronáutica Civil do Chile, a aeronave estava em cruzeiro a 41 mil pés. O aviso para uso dos cintos permanecia desligado e o comandante estava girado para a direita, com a perna esquerda cruzada sobre a direita.
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Uma comissária entrou no cockpit para recolher as bandejas do serviço de bordo e encostou involuntariamente na proteção do interruptor instalado na parte traseira do assento. A peça interna havia se soltado da estrutura, permitindo que a pressão sobre a cobertura acionasse o avanço elétrico do assento.

Em vez de proteger o comando, a peça defeituosa possibilitou seu acionamento. O assento motorizado avançou sem que o piloto conseguisse interromper imediatamente o movimento.
Pernas do piloto empurraram a coluna de comando
Com o avanço do assento, as pernas do comandante ficaram pressionadas contra a coluna de comando. A força aplicada foi suficiente para superar o piloto automático e provocar sua desconexão.
Os gravadores mostraram que o Boeing 787 inclinou o nariz para baixo e atingiu uma taxa de descida de 3.165 pés por minuto. Durante a oscilação, a aceleração variou de menos 0,31 G a 1,76 G, segundo os dados dos gravadores analisados pela investigação chilena.
A tripulação recuperou o controle em cerca de 12 segundos. Embora o intervalo tenha sido curto, três pessoas sofreram ferimentos graves. O avião conseguiu prosseguir até Auckland e pousou sem novos problemas.
Assento acumulava discrepâncias e medidas anteriores não resolveram o problema
A investigação identificou um histórico de discrepâncias relacionadas ao assento e apontou deficiências no projeto, no funcionamento e nos materiais empregados no conjunto do interruptor. Medidas corretivas adotadas anteriormente não alcançaram os resultados esperados.
O relatório recomendou o desenvolvimento de um novo desenho capaz de impedir que a capa se desprenda ou permita o acionamento involuntário. O caso demonstrou como um componente aparentemente secundário pode interferir diretamente nos comandos de voo.
Problema levou a inspeções obrigatórias nos assentos dos Boeing 787
O relatório da DGAC informa que a Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos publicou, em agosto de 2024, uma diretriz obrigatória para determinados Boeing 787-8, 787-9 e 787-10. A medida exigiu inspeções nos assentos do comandante e do primeiro oficial para localizar capas ausentes, rachadas ou sem funcionamento adequado.
A LATAM aplicou a diretriz em toda a sua frota e nos assentos mantidos como peças de reposição. Mesmo depois das modificações, as inspeções continuaram encontrando o mesmo tipo de dano. Ao todo, 22 interruptores foram retirados de serviço e enviados ao fabricante para análise.
A investigação concluiu que existiam falhas de projeto, funcionamento e materiais nos componentes. Como as ações anteriores não produziram os resultados esperados, recomendou uma nova solução tecnológica, com mudanças no desenho do mecanismo e nos materiais empregados em sua fabricação.
Você imaginava que uma peça tão pequena no assento poderia fazer um avião em cruzeiro perder o controle?

