Quatro petroleiras e a SLB OneSubsea concluíram no Brasil a qualificação de equipamentos submarinos elétricos para águas de até 3 mil metros. A iniciativa integrou controles, poços e sistemas digitais e prepara futuras instalações offshore.
Quatro petroleiras internacionais participaram de um projeto concluído no Brasil para controlar equipamentos de produção de petróleo no fundo do mar por meio de comandos totalmente elétricos. A SLB OneSubsea anunciou em 15 de outubro de 2026 o encerramento da iniciativa desenvolvida com BP, Chevron, Equinor e TotalEnergies, voltada a aplicações em águas com até 3 mil metros de profundidade.
O trabalho qualificou componentes e sistemas de controle e demonstrou como conectar equipamentos submarinos, sistemas instalados nos poços, comandos na superfície e ferramentas digitais. A tecnologia está sendo preparada para projetos futuros de águas profundas: o anúncio comunica a conclusão do desenvolvimento e da qualificação, e não a entrada em produção de um campo brasileiro operando a 3 mil metros.
Motores elétricos substituem pressão hidráulica nas válvulas do fundo do mar
Uma parte importante da produção offshore ainda usa pressão hidráulica transmitida por extensos circuitos para acionar válvulas e estranguladores de fluxo no leito marinho. Esse sistema exige linhas, fluidos e equipamentos auxiliares distribuídos entre a plataforma de superfície e os conjuntos instalados nos poços.
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O projeto da OneSubsea trabalhou com atuadores e comandos elétricoscapazes de executar essas funções sem utilizar a mesma rede hidráulica. O objetivo é reduzir a quantidade de infraestrutura exigida e ampliar as opções de monitoramento dos dispositivos que regulam o petróleo e o gás a depender das especificações de cada projeto.
Projeto brasileiro integra poços, árvores de Natal molhadas e central digital
A iniciativa foi chamada de Brazil All-Electric Joint Industry Project (JIP) e contou com apoio das regras de pesquisa e desenvolvimento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). As participantes estabeleceram requisitos técnicos e acompanharam a qualificação de componentes adequados a ambientes de águas profundas.
A demonstração reuniu sistemas de produção submarinos, dispositivos de completação elétrica dentro do poço e uma estação de controle projetada para conectar essas peças aos sistemas de superfície. O projeto vai além da chamada árvore de Natal molhada, conjunto de válvulas instalado sobre o poço para comandar e monitorar a produção.
Com dados transmitidos eletricamente, engenheiros podem acompanhar condições de equipamentos e enviar comandos por uma estrutura de controle integrada. A proposta poderá facilitar projetos com poços distantes das plataformas existentes, chamados de tiebacks, além de sistemas instalados em áreas remotas.
Fábrica no Paraná recebeu técnicos das quatro petroleiras para demonstrar os sistemas
A conclusão foi marcada por encontro na instalação industrial da OneSubsea em São José dos Pinhais, no Paraná. Participantes das empresas parceiras acompanharam apresentações técnicas, demonstrações de equipamentos submarinos e de completação de poços e uma visita à unidade onde equipamentos elétricos serão montados.
O encontro encerrou a fase de desenvolvimento cooperativo. Ainda será preciso contratar, fabricar, instalar e colocar em operação sistemas para projetos comerciais específicos antes de demonstrar seu desempenho em campos reais nas condições mais profundas previstas.
Noruega prepara 12 árvores submarinas elétricas enquanto Brasil avança até 3 mil metros
A OneSubsea já trabalha em uma aplicação comercial separada no campo Fram Sør, na Noruega, onde um contrato com a Equinor prevê 12 árvores submarinas totalmente elétricas. O projeto norueguês e o brasileiro usam módulos eletrônicos de controle relacionados, mas atendem campos com condições diferentes.

A empresa informa ter mais de 15 anos de experiência em eletrificação submarina e mais de 5 milhões de horas de operação acumuladascom sistemas eletrificados. Esse histórico se refere a instalações e equipamentos anteriores, enquanto a arquitetura brasileira concluída em outubro está em uma etapa de qualificação tecnológica.
O próximo desdobramento dependerá de petroleiras que adotem o conjunto integrado de equipamentos em novos projetos no Brasil e no exterior. Para áreas remotas em grande profundidade, a aposta é operar mais componentes por eletricidade e reduzir a necessidade de linhas hidráulicas extensas. Você acredita que a eletrificação dos equipamentos no fundo do mar será a próxima grande mudança na produção offshore? Deixe sua opinião.
