Pedido de ajuda ao Brasil ocorre em meio a bloqueios de estradas, desabastecimento e protestos contra Rodrigo Paz, enquanto países vizinhos articulam apoio humanitário para reduzir os impactos da crise na Bolívia.
O governo da Bolívia pediu ao Brasil o empréstimo de um avião e o envio de suprimentos para apoiar a distribuição de ajuda humanitária em meio aos bloqueios de estradas que afetam o abastecimento no país.
A solicitação foi feita ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva por canais diplomáticos, segundo fontes brasileiras ouvidas pela CNN Brasil, e ocorre em um cenário de escassez de alimentos e combustíveis em cidades como La Paz.
O Palácio do Planalto informou que Lula determinou o envio de ajuda humanitária à Bolívia após receber, nesta segunda-feira (25), um telefonema do presidente boliviano, Rodrigo Paz.
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De acordo com nota do governo brasileiro, os dois trataram da situação provocada por protestos e bloqueios de rodovias, que têm causado desabastecimento em algumas regiões do país.
A crise se estende há semanas e aumentou a pressão sobre o governo Paz, que assumiu a Presidência em dezembro de 2025.
As interdições atingem pontos de circulação de cargas e dificultam a chegada de alimentos, combustíveis e outros insumos a centros urbanos.
Em La Paz, mercados passaram a registrar falta de produtos como frango, frutas e verduras, segundo relatos reunidos pela imprensa.
Pedido ao Brasil ocorre durante bloqueios em rodovias
Segundo a CNN Brasil, o pedido boliviano incluiu uma aeronave para auxiliar no transporte de alimentos, insumos e materiais de emergência.
Fontes do governo Lula afirmaram à emissora que havia tendência de atendimento à solicitação.
Procurado, o governo boliviano não confirmou publicamente o pedido específico do avião.
A Agência Brasil informou que Lula atendeu a um pedido de Rodrigo Paz e autorizou o envio de ajuda humanitária.
A nota divulgada pelo Planalto, porém, não detalhou qual será o formato da operação nem especificou se uma aeronave brasileira será usada para transportar os suprimentos.
O apoio brasileiro deve se concentrar na resposta ao desabastecimento causado pelas interdições.
Além da escassez de alimentos, a falta de combustível também se agravou com os bloqueios, que impedem ou atrasam o deslocamento de cargas por estradas bolivianas.
O governo Paz passou a organizar ações de distribuição para tentar reduzir os efeitos da interrupção no transporte.
Na conversa entre os presidentes, Lula manifestou solidariedade ao governo e ao povo boliviano, segundo o comunicado do Planalto.
O texto afirma ainda que o presidente brasileiro defendeu respeito às instituições democráticas e ao Estado de Direito, além de pedir que governo e movimentos sociais evitem a violência e priorizem o diálogo.
Protestos contra Rodrigo Paz reúnem diferentes grupos sociais
Os atos contra o governo Rodrigo Paz são realizados por sindicalistas, mineradores, indígenas, agricultores, professores e outros setores sociais.
Entre as reivindicações estão reajuste salarial, acesso a áreas de mineração, garantia de abastecimento de combustível e críticas a medidas econômicas adotadas pelo Executivo boliviano.
A Central Operária Boliviana, principal central sindical do país, convocou uma greve por tempo indeterminado e defende aumento de 20% no salário mínimo.
A mobilização também ganhou força após críticas à Lei 1.720, norma sobre terras que foi contestada por movimentos indígenas e camponeses.
Rodrigo Paz revogou a lei em 12 de maio e estabeleceu prazo de 60 dias para que o Parlamento discuta uma nova proposta.
Mesmo depois da revogação, os bloqueios continuaram, impulsionados por demandas econômicas e sociais que incluem preços, abastecimento e políticas fiscais do governo.
O governo boliviano afirma que setores contrários à administração Paz atuam para desestabilizar o país.
Lideranças dos movimentos, por outro lado, dizem que os protestos expressam insatisfação com o custo de vida e com decisões econômicas do novo governo.
A Reuters informou que as manifestações começaram no início de maio e passaram a envolver sindicatos, mineradores, transportadores e grupos rurais.
Argentina enviou avião de carga à Bolívia
Antes da solicitação ao Brasil, a Argentina já havia anunciado apoio logístico à Bolívia.
O governo de Javier Milei informou, em 16 de maio, o envio de um Hércules C-130 da Força Aérea Argentina para tarefas de ajuda humanitária, com foco no transporte de alimentos e cargas.
A aeronave argentina partiu da base de El Palomar e chegou a Santa Cruz de la Sierra na manhã de 16 de maio, segundo comunicado oficial do governo argentino.
A operação foi apresentada como uma medida de cooperação diante das dificuldades de circulação provocadas pelos bloqueios em rodovias.
A ajuda argentina foi citada pelo governo boliviano como parte das ações para reforçar o transporte aéreo de alimentos a regiões afetadas pelas interdições.
Em meio à restrição de circulação por terra, o uso de aeronaves passou a ser uma alternativa para manter o envio de produtos essenciais a áreas com abastecimento comprometido.
Crise na Bolívia pressiona governo e abastecimento
No campo político, Paz anunciou medidas para tentar responder às pressões das ruas.
A CNN Brasil informou que o presidente boliviano disse estar aberto ao diálogo, negou intenção de privatizar empresas e anunciou corte de 50% no próprio salário e no de seus ministros.
A Reuters também informou que o presidente boliviano prometeu reorganizar o gabinete em resposta aos protestos, sem apresentar prazo ou detalhes sobre as mudanças.
A medida foi comunicada enquanto bloqueios continuavam a afetar o transporte de cargas e a rotina de cidades bolivianas.
O governo Paz assumiu após um longo período de predominância da esquerda na política nacional boliviana, conforme registrou a Agência Brasil ao contextualizar a crise.
Desde o início do mandato, decisões econômicas do novo governo provocaram reações de setores sociais, entre elas a retirada de subsídio à gasolina, medida citada pela agência como um dos fatores que alimentaram protestos desde dezembro de 2025.
Com a autorização de Lula, o Brasil passa a integrar a resposta regional à crise humanitária boliviana.
A definição sobre o envio de uma aeronave brasileira, porém, ainda não foi confirmada oficialmente até a última atualização disponível.
O ponto já anunciado pelo Planalto é o envio de ajuda humanitária a pedido de Rodrigo Paz, em meio ao desabastecimento causado pelos bloqueios.


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