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Barco voador elétrico promete ligar Santos a São Sebastião em até 30 minutos, levar 12 passageiros a 300 km/h e ainda transportar cargas rápidas, sem combustível e com tecnologia avançada

Escrito por Carla Teles
Publicado em 14/02/2026 às 17:35
Atualizado em 14/02/2026 às 17:37
Assista o vídeoBarco voador elétrico promete ligar Santos a São Sebastião em até 30 minutos, levar 12 passageiros a 300 kmh e ainda transportar cargas rápidas, sem combustível
Barco voador elétrico promete ligar Santos a São Sebastião em até 30 minutos, com zero combustível fóssil, menos emissões e novas rotas pelo litoral brasileiro.
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Capaz de levar 12 passageiros a até 300 km/h, o barco voador elétrico da Regent Craft, trazido por uma empresa latino-americana de transporte, promete transformar o uso do mar entre Santos, São Sebastião e Ilhabela.

Um barco voador elétrico capaz de levar 12 passageiros a até 300 km/h, sem consumir combustível fóssil, já tem protótipo em testes e pode, em alguns anos, encurtar a viagem entre Santos e cidades como São Sebastião e Ilhabela para algo entre 20 e 30 minutos, abrindo espaço para novas rotas, novos negócios e um uso totalmente diferente do mar no Brasil.

Nascida no Brasil e hoje presente em vários países da América Latina, uma empresa de transporte firmou acordo com a norte-americana Regent Craft, desenvolvedora e fabricante das embarcações Seaglider, para trazer esse barco voador elétrico à América do Sul e à América Central. O contrato prevê a aquisição de 10 unidades do modelo Viceroy Sea Glider e mira um futuro em que deslocamentos rápidos de passageiros e cargas leves pelo litoral deixem de ser promessa distante para virar operação diária.

O que é, afinal, um barco voador elétrico

Antes de mais nada, é importante entender que esse barco voador elétrico não é um avião tradicional nem um barco comum com motor elétrico.

Ele pertence à categoria wing in ground, ou efeito solo, em que a asa voa muito próxima à superfície da água, apoiada em uma espécie de colchão de ar.

Quando está parado, durante o embarque, ele se comporta como um barco. Há um casco principal na água e, na ponta de cada asa, flutuadores que garantem estabilidade.

A ideia é que o passageiro sinta uma plataforma firme, sem balançar de forma desconfortável enquanto entra e sai da embarcação. Visualmente, parece um barco baixo e largo, com asas curtas apoiadas no mar.

A grande diferença surge quando o barco voador elétrico começa a ganhar velocidade. Embaixo do casco existem dois hidrofólios em formato de T invertido.

À medida que a embarcação acelera, esses hidrofólios geram sustentação dentro da água e levantam o casco, reduzindo o arrasto hidrodinâmico e permitindo que o conjunto acelere com muito mais eficiência.

Como o barco voador elétrico “voa” sobre a água

Depois de erguer o casco com a ajuda dos hidrofólios, o barco voador elétrico entra na fase mais impressionante do trajeto, o voo em efeito solo.

A asa foi projetada especificamente para aprisionar um colchão de ar entre sua parte inferior e a superfície do mar, criando sustentação extra quando ele se mantém a uma altura muito baixa, em torno de metade da envergadura da asa.

Na prática, isso significa voar a cerca de 10 metros acima da água, aproveitando esse efeito aerodinâmico.

Se subir demais, perde eficiência, porque não é uma asa desenhada para operar como a de um avião comum, em altitude. A ideia sempre foi otimizar o voo rente à água, onde o efeito solo atua com mais força.

Com esse arranjo, o barco voador elétrico pode atingir até 300 km/h em mar aberto, longe da costa e das rotas mais congestionadas.

Perto das cidades, porém, a operação precisa ser mais conservadora. A embarcação diminui a velocidade, o casco volta a tocar a água e o deslocamento se aproxima mais de um barco rápido do que de um avião rasante, até chegar à parada completa.

Motores elétricos, zero combustível e menor impacto ambiental

Um dos pontos mais marcantes desse projeto é a escolha pela propulsão elétrica. O barco voador elétrico usa 12 motores elétricos, seis de cada lado, dispensando o uso de combustível fóssil durante a operação.

Isso traz dois impactos imediatos. O primeiro é ambiental, já que não há queima direta de combustível a bordo, reduzindo emissões locais e tornando o sistema mais alinhado com metas de descarbonização no transporte.

O segundo é de conforto: motores elétricos tendem a gerar menos ruído e vibração, o que pode tornar a experiência do passageiro mais suave do que em embarcações tradicionais de alta velocidade.

Claro que toda essa vantagem depende da origem da energia usada para carregar as baterias, do desenho da infraestrutura e do modelo econômico de operação.

Mas, do ponto de vista técnico, o barco voador elétrico já nasce com uma pegada ambiental diferente das embarcações movidas a diesel que dominam o transporte de alta velocidade hoje.

Santos, São Sebastião, Ilhabela: litoral em meia hora

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Na prática, o que chama atenção é o potencial do barco voador elétrico para criar novas rotas regionais. O exemplo mais citado é o trecho Santos, São Sebastião e Ilhabela.

Com a capacidade de chegar a 300 km/h em trechos adequados, estimativas iniciais indicam um tempo médio de viagem entre 20 minutos e meia hora, dependendo de fatores como velocidade média permitida, definição de rotas pela Marinha, Capitania dos Portos e demais autoridades, além das condições do mar.

Mesmo com reduções de velocidade perto da costa, o ganho de tempo em relação a deslocamentos por estrada tende a ser significativo.

Em vez de depender exclusivamente de rodovias congestionadas, pedágios e trânsito, um passageiro poderia embarcar em Santos, cruzar o mar em alta velocidade e desembarcar já próximo ao destino final no litoral norte.

Em escala regional, isso significa aproximar cidades costeiras, encurtar distâncias e criar uma malha de ligações rápidas que hoje simplesmente não existe.

Do passageiro à carga expressa: novas possibilidades de uso

Embora o projeto original do barco voador elétrico tenha foco em 12 passageiros, o Viceroy Sea Glider também permite configurações voltadas para carga.

A ideia é transportar pequenos pallets, semelhantes aos usados em aviões para levar mercadorias embarcadas em porões.

Nesse formato, o barco voador elétrico pode atender nichos muito específicos: mercadorias de maior valor, pacotes urgentes, medicamentos, itens de emergência, componentes que não podem esperar um transporte terrestre lento.

Não se trata de cabotagem clássica em grande volume, e sim de uma espécie de “ponte aérea marítima” para cargas rápidas.

Imagine, por exemplo, uma operação entre Santos e São Sebastião em que uma empresa de e-commerce ou logística possa encaminhar lotes de encomendas urgentes, reduzindo horas de estrada para minutos de travessia sobre o mar. Para certos tipos de produtos, essa diferença pode justificar o custo de operar um sistema tão rápido.

Tecnologia de controle para enfrentar ondas e vento

Operar um barco voador elétrico a alta velocidade e baixa altitude sobre o mar exige mais do que um bom casco e motores potentes.

O comportamento dinâmico da embarcação em efeito solo é controlado por um conjunto de leis de controle e softwares que monitoram a operação continuamente.

Sensores, computadores de bordo e algoritmos ajustam as superfícies de comando e o empuxo dos motores de forma constante para manter estabilidade, compensar ondas, mudanças de vento e variações sutis de altitude.

Dentro de limites pré-definidos de altura de onda e intensidade do vento, a promessa é de uma viagem suave, com sensação de estabilidade e segurança.

Naturalmente, há restrições. Em condições extremas, com mar muito agitado ou ventos fora dos parâmetros estabelecidos, o barco voador elétrico não deve operar.

A ideia do projeto não é desafiar tempestades, mas aproveitar janelas de operação seguras com o apoio de tecnologia de controle avançada o tempo todo.

Quando o barco voador elétrico pode virar realidade

O Clider já tem um protótipo em testes, o que aumenta a curiosidade sobre quando o barco voador elétrico poderá entrar em operação comercial.

A previsão divulgada é que o modelo esteja potencialmente disponível até 2029, ou seja, não é algo para “amanhã de manhã”, mas também não é um sonho distante de ficção científica.

Até lá, há um longo caminho. É preciso amadurecer o modelo de negócios, fechar equações de investimento, custo de operação, manutenção e infraestrutura de recarga, além de passar por todos os processos regulatórios ligados à Marinha, à Capitania dos Portos e demais autoridades responsáveis por definir rotas e regras de segurança.

O interesse, porém, já apareceu. Empresas em diferentes partes do mundo acompanham os testes e avaliam onde um barco voador elétrico faz sentido dentro de suas rotas.

Se essa tecnologia for produzida em escala, a tendência é que o custo diminua e novas aplicações surjam, tanto para passageiros quanto para cargas especiais.

Um novo jeito de olhar o mar brasileiro

Mais do que um veículo curioso, o barco voador elétrico representa uma mudança de perspectiva sobre como usamos o litoral.

Em vez de ver o mar apenas como barreira ou cenário, ele passa a ser parte ativa de um sistema rápido de transporte regional, conectando cidades, encurtando distâncias e criando oportunidades logísticas que hoje dependem quase só de rodovias.

Se a tecnologia cumprir o que promete, pode abrir espaço para uma nova geração de rotas costeiras elétricas, de alta velocidade, com menor impacto ambiental e foco tanto em passageiros quanto em cargas urgentes. Nesse cenário, Santos, São Sebastião e Ilhabela seriam apenas o começo de uma rede muito maior.

E você, olhando para o trânsito nas estradas e para o potencial do nosso litoral, embarcaria em um barco voador elétrico para cruzar o trecho Santos–São Sebastião em menos de meia hora ou ainda ficaria desconfiado de ver uma “asa” voando rente à água?

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Carla Teles

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