Resgate no Mediterrâneo mobilizou especialistas diante de uma jubarte presa em equipamento de pesca ilegal e exigiu uma operação delicada dentro d’água. Depois de ser libertado, o animal permaneceu próximo dos quatro mergulhadores, em uma reação que ficou marcada na memória da equipe.
Presa completamente em uma rede de deriva ilegal perto de Mallorca, nas Ilhas Baleares, uma baleia-jubarte de cerca de 12 metros foi libertada em 20 de maio de 2022, depois de uma operação acompanhada pela Reuters.
A aproximadamente três milhas, ou 4,8 quilômetros, da costa leste da ilha, o animal foi encontrado enfraquecido e envolvido por uma malha vermelha, que limitava seus movimentos e impedia até mesmo que abrisse a boca normalmente enquanto permanecia no mar.
Diante da dificuldade, o centro de resgate de fauna marinha do Palma Aquarium iniciou a mobilização, mas as primeiras tentativas de cortar a rede a partir de uma embarcação fracassaram, o que levou ao acionamento de mergulhadores dos centros Albatros e Skualo.
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Com o reforço especializado, a operação passou a ser realizada diretamente dentro d’água, onde seria possível alcançar os diferentes pontos da malha presos ao corpo da jubarte sem depender apenas das manobras feitas pelos socorristas a partir da superfície.
Mergulhadores levaram 45 minutos para retirar a rede da baleia-jubarte

Equipados com facas, quatro mergulhadores passaram cerca de 45 minutos retirando a rede, avançando da região da boca para outras partes do corpo enquanto permaneciam próximos da jubarte e cortavam gradualmente os fios que ainda limitavam seus movimentos debaixo d’água.
Nos primeiros segundos da aproximação, segundo relatou à Reuters a bióloga marinha Gigi Torras, proprietária do centro Albatros, a baleia demonstrou nervosismo e produziu muitas bolhas, mas depois ficou mais tranquila enquanto o trabalho dos mergulhadores continuava ao redor dela.
À medida que a malha era retirada, a equipe conseguiu liberar novas partes do corpo sem interromper a operação, mantendo o trabalho próximo ao animal até chegar aos últimos trechos que ainda permaneciam presos e impediam que a jubarte recuperasse completamente a liberdade de movimento.
Quando os fios finais foram cortados, um movimento feito pela própria baleia ajudou a desprender o material restante, encerrando a etapa mais delicada do salvamento iniciado após uma embarcação avistar o cetáceo em dificuldade nas águas próximas à costa de Mallorca.
Baleia-jubarte permaneceu perto dos quatro socorristas após o resgate
Livre da rede, a jubarte não se afastou imediatamente dos quatro integrantes da equipe, permanecendo próxima por algum tempo enquanto recuperava as forças antes de retomar seu deslocamento, comportamento que acabou se tornando um dos momentos mais lembrados pelos participantes do resgate.
Pouco antes da partida do animal, Torras observou um movimento que interpretou como um “pequeno sinal de agradecimento”, descrição apresentada como uma percepção pessoal da mergulhadora sobre aquele instante, e não como uma conclusão científica a respeito do comportamento da baleia.
Além da reação observada após a libertação, o episódio ganhou um significado particular para a bióloga porque o salvamento ocorreu justamente no dia de seu aniversário, ocasião que ela descreveu à Reuters como extraordinária depois de acompanhar toda a operação tão perto do animal.
Outro aspecto incomum estava na própria presença da espécie naquela área, já que, conforme registrado pela reportagem, aquela era apenas a terceira vez que uma baleia-jubarte havia sido observada na região das Ilhas Baleares, localizada no Mediterrâneo espanhol.

Também chamou atenção o equipamento encontrado envolvendo o cetáceo, descrito pela Reuters como uma rede de deriva ilegal, tipo de material que havia sido proibido pela ONU cerca de três décadas antes e ficou conhecido pelo apelido de “paredes da morte”.
A denominação está relacionada à capacidade dessas estruturas de capturar diferentes formas de vida marinha enquanto permanecem estendidas na água, contexto que ajuda a explicar por que a situação encontrada perto de Mallorca exigiu uma intervenção direta para libertar completamente a jubarte.
Mesma baleia-jubarte morreu uma semana depois em Valência
Uma semana depois do salvamento, porém, o caso teve outro desdobramento: em reportagem publicada em 27 de maio de 2022, a Reuters informou que a mesma jubarte havia encalhado no litoral continental espanhol, desta vez na região de Valência.
O novo registro ocorreu em Tavernes de la Valldigna, a mais de 300 quilômetros de Mallorca, onde especialistas encontraram o animal extremamente enfraquecido e com cortes na nadadeira dorsal, condição que levou à avaliação de que devolvê-lo ao mar não ofereceria condições adequadas de sobrevivência.
Após essa análise, a baleia morreu pouco depois na praia, e a cobertura realizada posteriormente passou a descrevê-la como um animal de aproximadamente 14 metros e 30 toneladas, números diferentes da estimativa inicial de 12 metros divulgada durante o primeiro resgate.
Apesar da sequência temporal entre os dois episódios, as reportagens consultadas não estabeleceram uma causa definitiva para a morte nem atribuíram os ferimentos encontrados a um agente específico, impedindo uma relação segura entre o encalhe posterior e a rede removida dias antes.
Permaneceu documentado, entretanto, o comportamento observado no Mediterrâneo logo depois da libertação: já sem a malha prendendo seu corpo, a jubarte ficou próxima dos quatro mergulhadores por alguns instantes e somente depois retomou seu caminho pelas águas da região.
Entre a complexidade de cortar uma rede junto a um cetáceo daquele porte em mar aberto e os minutos em que a jubarte permaneceu próxima de seus quatro socorristas depois de libertada, qual parte desse resgate mais chama atenção?
